Lá em Pato Branco...

Mirabolantes histórias do Paraná fazem a graça de Bozena, a doméstica do Toma Lá, Dá Cá

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2008 | 22h14

Quem assiste à sitcom Toma Lá Dá Cá, na Globo, tem certeza de que a intérprete da empregada reclamona Bozena é de Pato Branco, interior do Paraná. Com sotaque bem marcado, histórias que não têm final e o bordão "daí" a cada fim de frase, Alessandra Maestrini teve de pesquisar para incorporar a polaca, já que nasceu em Sorocaba, interior de São Paulo, e mudou-se com 2 anos para o Rio. "Tenho facilidade para sotaques. Meu pai é americano, minha mãe, gaúcha e, além do mais, sou cantora", explica a atriz que fez fama no teatro, ao atuar em dez musicais, entre eles Les Miserables, Rent, A Ópera Do Malandro e 7 - O Musical, escrito para ela. Ao Estado, Alessandra conta o que fez para compor Bozena e revela os truques para ficar tão diferente na telinha. Como surgiu o convite para o Toma Lá Dá Cá? Uma das participações que fiz na Globo foi uma cena com a Débora Bloch na novela A Lua me Disse, escrita pelo Miguel Falabella. E tivemos uma baita química de comédia! Quando a Débora participou do piloto do Toma Lá, Da Cá, ela ligou para o Miguel (que também escreve a sitcom) e disse que eu tinha de estar no elenco. Como ele queria uma imigrante, a Débora disse: "Fala que ela veio do Paraná". Ele teve um ataque de riso e fez a Bozena para mim. E como compôs a personagem? O Miguel falou que ela seria do interior do Paraná e que faria uma dança polaca. Aí, corri para a internet e achei um grupo folclórico de dança polaca de Curitiba, que tinha uma polonesa e um rapaz do interior do Paraná. Conversei com todos e fiz um apanhado do sotaque. Também faço a Bozena prognata, com a mordida um pouco aberta, com cara de quem não está entendendo nada... E o bordão "daí"? Quando conversei com o coordenador do grupo de dança polaca, ele disse: "É claro que te ajudo, daí". E continuou: "Então é isso, daí." No terceiro "daí", eu falei: "O sr. está com algum problema? Por que não termina suas histórias?" E ele: "Ah! Isso é porque aqui no Paraná, quando a gente fala daí, é porque a frase acabou, daí." (risos). Você conhecia Pato Branco? Não. Só conheci no fim do ano passado, quando recebi uma medalha de honra ao mérito da cidade. Disseram que foi o dia em que a Câmara de Vereadores ficou mais lotada na história (risos). E o sotaque é parecido? Lá eles têm o "R" parecido com Sorocaba. E o Miguel queria que a Bozena fosse seca, mandona. Se colocasse nela um "R" do interior, daria um ar mais doce. Então, faço o "R" cortado dos colonos poloneses. Torrada, vira "torada". Ela fala como se escreve e também tira os plurais. Sua voz é bem diferente da voz da Bozena e quando você solta o cabelo, também muda. Você é reconhecida na rua? Depende. Acontece muito de a pessoa me reconhecer de cabelo preso e, quando solto, dizem: "Ué, mas você é bonita?" (risos). As críticas ao programa te incomodam? No teatro, recebemos flores e tomates e na TV não é diferente. Acho bom que tenha quem adore e quem odeie. É sinal de que existe, não é insosso.

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