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‘La Casa de Papel’ encerra a 2ª temporada sem medo de seus excessos

Após o sucesso da 1.ª temporada na Netflix, série viu sua audiência se dividir entre quem torce o nariz e quem ri dos excessos

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2018 | 06h00

Não existe meio termo quando o assunto é La Casa de Papel. Ou você relaxa e se entrega ao vício, ou começa a caçar defeitos. A série não se leva a sério, e essa é a graça. Se a inspetora que negocia com os bandidos diante dos holofotes da mídia internacional (ela é considerada a melhor da categoria na Espanha) decide sair no meio do expediente no teatro de operações para tomar uma cerveja no boteco (da marca que patrocina a atração) e depois passa a tarde inteira namorando com o líder da ação criminosa, qual é o problema? Quem nunca?

A segunda parte da primeira etapa, que estreou em abril, depurou a audiência. Saiu quem torce o nariz. Ficou quem ri dos excessos, torce pelo casais que se formam e se arrepia sempre que a turma canta Bella Ciao junta. “Samatthina mi sono alzato, o bella ciao, bella ciao, bella ciao...” A canção, um hino contra o fascismo e uma exaltação à resistência, viralizou nas redes sociais e ganhou versões das mais variadas no YouTube. Uma delas, de um youtuber brasileiro, bombou na internet como refrão: ‘Essa malandra, assanhadinha, só quer vrau, vrau, vrau”. 

E por falar em refrão. O melhor de todos foi proferido na segunda etapa da série: “Que comece o matriarcado”. O aviso de Nairóbi, que foi um dos destaques da série, marcou a tomada de assalto das mulheres, sem trocadilho. Teve gente que usou a palavra “empoderamento” ao se referir ao grito de independência da bandida. 

Não tem problema. Em La Casa de Papel todas as platitudes são permitidas. O capítulo final, aliás, está repleto de clichês, mas é arrebatador. É justamente aí que reside a polêmica do momento.

Segunda temporada

A Netflix escalou Nairóbi (Alba Flora), Rio (Miguel Herrán) e Denver (Jaime Mendez) para anunciar em um vídeo divulgado no Twitter e Facebook que vai ter terceira temporada. 

“O maior assalto da história não terminou”, disseram os menudos que invadiram a Casa da Moeda espanhola. A mensagem foi vista por quase 1 milhão de pessoas, o que dá uma dimensão do tamanho do fã-clube. Há quem diga que seria melhor parar no auge, mas isso é coisa de jogador de futebol. 

Um sucesso mundial como esse só acaba quando termina. Ou melhor: quando a audiência despenca. (Atenção: a partir desse ponto entram os spoilers.) O que resta de uma série sobre um assalto a banco quando o assalto termina? 

A segunda parte da primeira temporada (que alguns chamaram de segunda temporada) já se alongou muito mais que o necessário. Algumas cenas pareciam intermináveis – uma tortura com a trilha sonora pesada ou melosa. Criada pela Antena 3, um canal de TV por assinatura espanhol, a série tinha originalmente 9 episódios. 

Após ser comprada pela Netflix, La Casa de Papel foi direto para a liga de edição para ser esticada. Resultado: os 9 capítulos viraram 13, com 50 minutos cada um. 

Para ampliar a duração, os editores encheram linguiça. Trata-se de um recurso muito comum em novelas, mas nesse caso o público já está preparado para isso. A terceira temporada tem dois caminhos a seguir, ambos perigosos. 

Enveredar para a fórmula fuga e perseguição implacável ou dar meia volta e começar tudo de novo com outro assalto. Mas o que pode ser mais ousado do que roubar a Casa da Moeda? 

Se optar pela segunda opção, La Casa de Papel corre o risco de cair na mesma vala comum que destruiu Prison Break. A série da Fox sobre o audacioso plano de fuga de um presídio se segurança máxima estreou em 2005. 

Pegou na veia. A segunda temporada também foi um sucesso. Mas aí os protagonistas entraram numa rotina de fuga seguida de nova prisão que durou incríveis seis temporadas, uma pior que a outra. Cair na rotina seria um destino muito triste para essa turma de desajustados que aprendemos a adorar. 

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