REUTERS/Mario Anzuoni
REUTERS/Mario Anzuoni

Kirsten Dunst fala sobre seu papel na série ‘Fargo’, que lhe rendeu indicação para o Emmy

Para a atriz, criar personagem é como preparar uma poção mágica

Entrevista com

Kirsten Dunst

Kathryn Shattuck , THE NEW YORK TIMES

27 Agosto 2016 | 16h00

Como atriz infantil que se transformou em uma estrela de Hollywood, Kirsten Dunst também passou por um período de questionamento interior. Assim, para interpretar Peggy Blumquist, uma esteticista em busca da autorrealização que acaba tomando o caminho errado depois de atropelar uma pessoa e fugir em Fargo, da FX, ela se voltou para dentro de si.

“Trabalho muito com o que estou sonhando, é como preparar uma poção mágica”, disse Kirsten sobre a criação da sua personagem. “O roteiro é muito bom, mas criar um personagem na sua totalidade exige uma profunda autoanálise”, afirmou ainda. 

Por outro lado, Peggy, primeiro papel recorrente na TV de Kirsten Dunst desde que fez o papel da fugitiva Charlie Chiemingo em Plantão Médico, há quase 20 anos – a recompensou com a primeira indicação para o Emmy de melhor atriz em uma série limitada. A 68.ª entrega do prêmio será em 18 de setembro.

Em entrevista por telefone, Kirsten falou sobre o papel, suas expectativas com relação a Hollywood onde, na sua opinião, Peggy pode ter acabado. Abaixo trechos da entrevista. 

Parabéns por sua indicação.

Obrigada. É uma categoria difícil. Há muitas atrizes excelentes e é uma honra. Gostaria que fossem todas indicadas. Comparações só tornam as pessoas infelizes.

O papel de Peggy parece natural para você. 

Isso não acontece com muita frequência, mas quando Noah Hawley (o roteirista) e eu nos reunimos, deixei seu escritório achando que o personagem seria meu. Logo depois, meu empresário me telefonou para dizer que o papel era mesmo meu.

O que acha que Noah viu em você?

Disse alguma coisa como “devagar se vai longe” e ele falou: “Esta é a Peggy que imagino”. E também minhas raízes. Minha avó, que morreu recentemente, era de Minnesota. Ela era do Meio-Oeste, e cresceu em uma fazenda. Ela é minha inspiração.

Para alguns espectadores, Peggy é uma personagem ao mesmo tempo adorável e terrível. Como você a vê?

Agora que a gravação e a edição terminaram e vi a série, acho que é uma pessoa que vive totalmente no seu mundo particular. Provavelmente, deveria tomar algum remédio. Ela é vítima do tempo, está tentando romper fronteiras e acredita ser invencível.

Uma mulher de uma pequena cidade tentando escapar ou apenas uma pessoa instável?

Acho que aquela situação, atropelar o indivíduo, fez com que ela perdesse o controle. Mas ela acha que, ainda assim, consegue seguir em frente e persiste por algum tempo. Ela não vê as coisas muito racionalmente.

No episódio final, Peggy fala do desejo de escolher seu caminho e não ser definida pelas expectativas de outra pessoa. Algo em comum com sua situação em Hollywood? 

Não tenho problemas com isso, porque trabalho há muito tempo nesse setor. Mas as pessoas assumem diferentes personas e nunca consegui fazer isso. Não consigo simular. Mas penso que as pessoas querem que você seja muitas coisas e cabe a você não tentar agradar.

Seus próximos filmes incluem The Beguile, terceiro que faz com Sofia Coppola, e Woodshock, escrito e dirigido por Kate e Laura Mulleavy, estilistas da Rodarte. Como é trabalhar com amigas?

Sofia é uma espécie de irmã mais velha, alguém que sempre respeitei. Trabalhar com amigos é sempre o máximo. Quanto a Laura e Kate, compartilhamos os mesmos valores familiares. São mulheres muito divertidas, minhas almas gêmeas. As pessoas conseguem criar coisas boas juntas quando se conhecem. 

Você conhece Peggy como ninguém. O que imagina que ela está fazendo atualmente?

Talvez tenha escapado, novamente, e viva clandestinamente em El Paso. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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