Michele K. Short/HBO
Michele K. Short/HBO

Kate Winslet: 'É entusiasmante contribuir para o entretenimento para todo mundo, a cada semana'

Atriz diz que nunca ficou tão empolgada com uma indicação como a que recebeu para o Emmy por ‘Mare of Easttown’

Entrevista com

Kate Winslet

Dave Itzkoff, The New York Times

16 de julho de 2021 | 17h20


A última vez que a atriz britânica Kate Winslet atuou numa série de TV – a adaptação em 2011 de Mildred Pierce – foi há 10 anos. E agora é a estrela de Mare of Easttown, drama criminal da HBO que foi ao ar em abril deste ano.

E que retorno. Representando a personagem-título, Kate incorporou totalmente o papel de Mare Sheehan, detetive em um subúrbio da Filadélfia muito unido. À medida que investiga um assassinato e vários casos de pessoas desaparecidas, Mare Shehan se envolve profundamente num caso de assassinato não solucionado ao mesmo tempo que as realidades complexas e desordenadas da sua vida pessoal e profissional são reveladas para os telespectadores.

Na terça-feira, 13, Kate, que conquistou um Emmy por sua atuação em Mildred Pierce e um Oscar pelo seu papel em O Leitor, e estrelou filmes como Titanic, Pecados Íntimos e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, foi recompensada por sua imersão tão profunda na personagem. Ela foi indicada para o Emmy de melhor atriz num papel principal numa minissérie ou filme para TV. Mare of Easttown recebeu um total de 16 indicações, como também elogios para atuações das estrelas coadjuvantes da série Julianne Nicholson, Jean Smart e Evan Peters.

 


Kate Winslet conversou por telefone sobre seu trabalho em Mare of Easttown, sua indicação para o Emmy e o ambiente bucólico em que se encontrava quando recebeu a notícia.


 

Não é a primeira vez que você é reconhecida por seu trabalho. Ainda sente que é algo especial?

Honestamente, acho que nunca fiquei tão empolgada com uma indicação – indicações da série. Estou orgulhosa de todos. Sinto que todos nós mergulhamos juntos nessa série e o orgulho de ter recebido tanto reconhecimento por algo que foi incrivelmente duro e difícil para todos nós. Nós nos unimos para produzir a série e confiamos no que estávamos fazendo. Especialmente num ano em que a categoria de séries aumenta e o roteiro é excepcional, as atuações são excelentes. É um momento muito empolgante fazer parte dessa comunidade.


 

Onde estava quando soube das indicações para o Emmy da série?

Estou no oeste da Inglaterra, em um condado chamado Cornwall e estou de visita aqui. Quando as indicações para o Emmy foram anunciadas, decidi tomar um banho frio em casa. Foi o que fiz e então fomos encontrar meu pai num pub. No caminho, a recepção de Wi-Fi era muito ruim o tempo todo. Mark Roybal, um dos nossos produtores, e Brad Ingelsby (criador e roteirista de Mare of Easttown) estavam enviando mensagens para mim. E eu procurando me conectar. Então fomos para o pub e, no caminho, vi pela janela um enorme rebanho de vacas sendo levado para a ordenha. Tenho tudo isso em vídeo. E pensei que era algo insano. Eu olhando aquele rebanho enorme de vacas seguindo seu caminho e, ao mesmo tempo, tentando contar para meu pai o que aconteceu. Estava tão excitada que queria enviar uma mensagem para todos os meus filhos. 


 

Então essa notícia não perdeu a graça para você?

Para mim, isso nunca vai embora. Venho atuando há quase 30 anos e acho que a razão pela qual uma notícia dessa não envelhece é porque eu me preocupo o tempo todo e as apostas continuam altas o tempo todo. No nosso mundo, existem tantas pessoas extraordinariamente talentosas e é incrível imaginar, oh Meu Deus, ainda estou sendo reconhecida. Como consegui isso?


 

Há muita discussão em torno da série focada na personalidade comum da sua personagem e as coisas banais que a vemos fazer. O que pensa disso?

Foi um pouco emocionante porque eu me concentrei muito para assegurar que a autenticidade da personagem que Brad Ingelsby criou fosse honrada. Com frequência, penso no que pode ser adaptado para a tela. Não fizemos nada disso. Quando ela sai da cama pela manhã e veste aquele moletom repugnante e uma camiseta com um hambúrguer nas costas, ficamos pensando, não, ela não está usando sutiã. Prestamos muita atenção a esses detalhes. Para nós foi algo muito emocionante – simboliza como, do ponto em que Kevin (o filho de Mare) morre, ela nunca mais foi a um salão de cabeleireiro novamente e provavelmente nunca irá. Tudo o que ela veste, como funciona, como vive, faz parte do seu passado emocional. Assim, eu me sinto feliz com o fato de essas coisas serem observadas. Mas da minha parte, francamente, é apenas eu com uma peruca feia e aquelas sobrancelhas. É como realmente penso e fiquei empolgada em mostrar meu realismo (risos).


 

Você pensa no que ocorreu com Mare após os eventos da série – os novos detalhes sobre sua relação com sua mãe Helen (Jan Smart) ou com sua amiga Lori (Julianne Nicholson)?

Penso nisso quase diariamente. E prometo a você. Penso no que sucedeu, como poderia ser se... Quem sabe? Veremos.


 

Então vamos esperar menos de 10 anos até você voltar de novo à TV?

Espero. Porque, para mim, neste momento em que vivemos, é algo entusiasmante contribuir para o entretenimento para todo mundo, a cada semana. Por causa da covid, senti como se cada semana fosse um evento, durante sete semanas das nossas vidas, para todos nós que fizemos parte dele. E o debate e a discussão – a indignação e a empolgação – essas emoções que as pessoas viveram a cada semana, é o que sentimos lendo cada episódio. Conseguirmos nos conectar com as pessoas dessa maneira foi realmente algo especial. E tivemos mais tempo de tela para contar nossa história. Sete horas na TV, um filme de 108 minutos. Acho isso algo muito especial e generoso.


 

Você acha que tem um pouco mais de tempo quando trabalha com James Cameron.

Exatamente. Ele é fora de série.


TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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