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Juliana Paes se prepara para ser Dona Flor nos cinemas

Ao encerrar com sucesso na TV sua participação na novela 'Totalmente Demais', atriz sabe que, de novo, será comparada a Sônia Braga

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2016 | 04h00

Vilãs são bichos que despertam mais atenção da plateia, mas nem Juliana Paes, na pele de Carolina, saiu-se assim tão má, nem a mocinha, vivida por Marina Ruy Barbosa, pareceu tão ingênua em 'Totalmente Demais', novela que se despede da faixa das 19h amanhã, excepcionalmente uma segunda-feira, com audiência superior ao folhetim das 9, 'Velho Chico'. Para a atriz, a fuga do maniqueísmo é um dos fatores que explicam o sucesso da primeira novela de Rosane Svartman e Paulo Halm para a faixa das 7.

A Globo justificou a espichada da trama pelo feriado, que atrapalharia a audiência de seu desfecho. Mas prevalece a ideia de que a estratégia era sugar o êxito até a última gota e assistir à reação da Record, que mais uma vez adiou a estreia de sua novela, 'Escrava Mãe', para fugir do confronto com o grande hit do momento na Globo. 

O público mal terá chance de sentir falta de Juliana. No ar pelo canal Viva com a reprise de Laços de Família – novela de Manoel Carlos, de 2000, que promoveu sua estreia na TV –, ela também volta ao circuito de cinema a partir do dia 9, com a estreia de 'A Despedida'. De Marcelo Galvão, o filme foi premiado com quatro Kikitos no Festival de Gramado, incluindo o de melhor atriz para ela. Depois de participar do lançamento, planeja alguns dias de férias com os filhos, Pedro, de 5 anos, e Antônio, de 3. 

Na volta, retorna ao set de cinema, agora para ser a nova Dona Flor de Jorge Amado, com seus dois maridos: Marcelo Faria e Leandro Hassum. A direção é de Pedro Vasconcelos. Como quem foi Gabriela no remake da Globo, Juliana não se mostra nem um pouco abalada pelas inevitáveis comparações com Sônia Braga. E antes que o ano acabe, ela volta aos Estúdios Globo para os primeiros trabalhos de preparação de elenco rumo à próxima novela de Glória Perez, na faixa das 9, em 2017. 

Juliana também está em 'Dois Irmãos', série já gravada e ainda inédita, sob direção de Luiz Fernando Carvalho, da obra de Milton Hatoum, que pode ir ao ar em janeiro. E foi nesse ritmo, entre uma cena e outra no acelerado ritmo de gravações de 'Totalmente Demais', que a atriz parou para conversar com o 'Estado' por telefone.

Você sai da novela e já volta ao cinema?

A gente vai lançar A Despedida, do Marcelo Galvão, bastante premiado. Ganhei o Kikito em Gramado, o Nelson Xavier também. O filme passou por festivais antes de entrar em cartaz. Estreia dia 9 de junho. Depois vou rodar Dona Flor e Seus Dois Maridos, com o Marcelo Faria e o (Leandro) Hassum. Quem dirige é o Pedro Vasconcelos. Tem toda uma geração que não conhece Dona Flor. 

E vai, de novo, encarar as comparações com Sônia Braga?

Acho que já vou estar cascuda para encarar as comparações (risos). Em Gabriela, com todas as comparações, eu fui muito feliz, sabia? Foi uma novela vitoriosa dentro de casa, uma homenagem que deu certo. Eu tive chance de trocar com a Sônia, foi muito positivo, fui muito feliz, eu e o Humberto (Martins, que viveu Nacib). Ainda não falei com a Sônia sobre a Flor, mas vou tentar ouvi-la. Quem tá na chuva é pra se molhar. Topou fazer? As comparações vão vir, claro. Quando tem comentários pertinentes, tem que ouvir, não dá para ouvir todo mundo, mas a gente tem que escolher nossas brigas. Em Gabriela eu tive o aval: ‘faz a sua Gabriela’. Óbvio que eu estava emaranhada nas minhas lembranças, mas era o meu corpo fazendo, não tem como não fazer algo diferente. Juro que fui feliz no trabalho e lido com isso numa boa. Minha vaidade não chega a esse ponto, de achar que não posso ser comparada, eu me coloco muito no lugar do público, de quem está assistindo, e também me cobro, mas não me maltrato.

A que você atribui o sucesso da novela que está acabando?

Acho que Totalmente Demais começou já com uma inovação, que foi o capítulo zero (na internet). E eu credito o sucesso muito aos autores, porque desde o começo eles vieram com esse desejo de mostrar personagens em transformação, de ter características humanas, independentemente de serem do bem ou do mal. Jonata (Felipe Simas) e Elisa (Marina Ruy Barbosa) tinham seus defeitos e suas virtudes, e a própria Carolina e o Artur (Fábio Assunção) também tinham suas virtudes e seu lado negro da força. O não maniqueísmo, de um jeito moderno de escrever, entende que o público que assiste às telenovelas também mudou, entende a complexidade dos personagens. A nossa preparação também foi muito boa. Foram três meses, o que fez com que o elenco ficasse muito coeso, não só nas intenções dos personagens, mas nos caminhos que a gente queria seguir. A gente previu um romance mais rosa pra Elisa e Jonata e uma sexualidade mais aflorada para Carol e Artur. Buscamos tipos de relacionamentos diferentes.

Essa preparação na Globo tem ganhado fôlego. O quanto isso mudou desde ‘Laços de Família’, quando você estreou?

Isso começou a aflorar, não só no elenco da Globo, de maneira geral, mas também nos diretores, que começaram a perceber que um elenco integrado fica mais participativo, mais engajado. Nosso feedback não é só como fantoches que estão dando um texto, mas que já sabem como vai reverberar determinada fala, determinado par, determinada trajetória de personagem. Todo esse feedback da nossa experiência começou a ser mais ouvido. Em Laços de Família, eu era muito novata, tinha acabado de me formar em Publicidade, não tinha formação acadêmica de teatro, tudo o que eu tinha era minha espontaneidade, mas não tinha qualquer experiência com câmera, posicionamento de luz, como fazer uma fala, um arco de uma cena. Eu tinha um preparador particular, ele me preparava e eu vinha bater bola com os outros atores. Não havia reunião com todo o elenco, agora tem começado a acontecer esses encontros, a gente, mesmo sem texto definitivo, filma umas cenas e vê como imprimem, a gente começa a jogar antes de o jogo começar, é nossa concentração. 

O que motivou essa mudança?

Quando comecei a fazer os trabalhos com o Luiz Fernando Carvalho, que tem um outro processo de preparação, senti que eu podia ser mais ouvida. Em Meu Pedacinho de Chão, novela mais curta, que exigiu um processo de preparação intensíssimo, tinha um desenho de corpo diferente, a gente se movimentava como bonecos. Com o Luiz Fernando, pude ter certeza de que a preparação é fundamental. Eu brinco que o melhor da festa é esperar por ela e a preparação é a espera pela festa, me deixa mais segura, mais confiante, gosto de elaborar, de ficar experimentando, e acho que esse jeito dele de preparar acabou contaminando, de maneira positiva, todas as produções da Globo.

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