Lacey Terrell/ HBO
Lacey Terrell/ HBO

Julia Louis-Dreyfus fala sobre sua nova indicação para o Emmy e o fim da série 'Veep'

Sátira política da HBO chega ao fim depois de sete temporadas e a atriz pode conquistar mais um prêmio por sua atuação

Entrevista com

Julia Louis-Dreyfus

Nancy Coleman, The New York Times

05 de setembro de 2019 | 11h36

Veep, a aclamada sátira política da HBO, chega ao fim depois de sete temporadas. Mas com a indicação para o prêmio Emmy na categoria de melhor comédia e a sétima indicação de Julia Louis-Dreyfus pela sua interpretação de Selina Meyer, a série ainda tem muitas razões para comemorar.

Julia já foi premiada seis vezes como melhor atriz de comédia, no papel de vice-presidente (ou presidente, ou candidata, depende da temporada que você assistiu). E com oito Emmys no total, ela se equipara a Cloris Leacham, também premiado como ator.

Julia, em entrevista, falou sobre o fim de Veep, seu retorno à série depois de ser diagnosticada com câncer e a possibilidade de quebrar o recorde de premiação, que será realizado em 22 de setembro. Abaixo, trechos da entrevista:

Com esta chance de quebrar o recorde de Emmys conquistados por um ator – especialmente depois de sua volta à série após passar alguns anos difíceis, o que essa indicação significa para você?

Significa muito porque a série também foi importante para mim. Trabalhar nela durante os últimos oito anos foi uma parte preponderante da minha vida. E foi um trabalho incrivelmente duro, mas também fortalecedor, no qual eu realmente me concentrei quando estava me tratando. Adoro essa ligação com todo o pessoal e nossa tentativa de criar algo episódio após episódio. O fato de ser indicada ao Emmy por causa deste trabalho é um enorme prazer, realmente.

Como você se sentiu com o fim de Veep? E quanto ao fim de Selina?

Fiquei muito orgulhosa com a maneira como encerramos a série. Acho que todos os personagens também, todas as narrativas foram habilmente conduzidas pelo roteiro, e quanto ao ponto em que Selina terminou foi perfeito. Porque ela conseguiu o que queria, ou pensava.

À medida que a série se encaminhava para um encerramento, pensou alguma vez em parar?

Foi realmente uma fase dolorosa, não só para mim, mas para todos, porque formamos um grupo muito unido. Mas o momento me pareceu oportuno. Tenho de dizer particularmente que sentimos que chegava o momento de desconectar e estávamos trabalhando no último episódio e foi muito difícil. Foi penoso dizer adeus aos personagens. Mas o fato é que foi doloroso ainda mais para mim me conscientizar de que era a época certa para acabar.

Nesta última temporada houve alguns pontos de virada na história, situações muito análogas à realidade de Washington e observamos que isto ocorreu muito mais do que em temporadas anteriores. A intenção era ser uma espécie de soco de despedida em Washington?

A série sempre foi uma sátira política, portanto sempre foi um tapa na cultura da política desde o início. E ocorre que estamos numa época excepcionalmente desagregadora. O mundo de Washington não se assemelha ao mundo de Washington à época em que começamos essa série. E certamente foi um desafio fazer na série o que fizemos nos últimos dois anos, de um ponto de vista criativo. Mas tínhamos uma excelente estrutura de modo que nunca um partido foi identificado na série e isso certamente nos ajudou. Além disto, não só não identificamos partidos, mas nunca fomos além de mencionar Reagan na história política americana real. Fazíamos parte de um universo alternativo, o que também ajudou. Mas a série jamais foi concebida para ser uma paródia. Ela tinha a ver com sátira política em geral.

Às vezes Veep parecia estar tentando ver o quão longe conseguia instigar essa espiral niilista, com Selina administrando um escândalo político tenebroso atrás do outro. Mas no final, apesar de tudo, a vida seguia em frente e tudo acabava relativamente bem. Seriam lições que vocês gostariam que as pessoas apreendessem?

Não, a ideia da série não era enviar mensagens. O que queríamos era dar uma conclusão inteligente, e divertida. Certamente podia haver alguma moral da história inserida, mas não era o objetivo norteador.

Esta é a primeira vez num longo tempo que você não está trabalhando em uma série. Como se sente?

Continuo fazendo coisas relacionadas à série. Estou conversando neste momento com você a respeito, vamos ao Emmy, etc. Tenho em mãos outros projetos que estou estudando, por isso estou bastante ocupada. A propósito, tenho me encontrado com muitas pessoas do elenco e por muito tempo. Embora não estejamos trabalhando na série no momento, mantemos muito contato, o que é um enorme consolo. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

 

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