Jules e Jim. Ou: ainda bem que eles tentaram

Jules, austríaco, conhece Jim, francês, na feérica Paris do início do século 20. Têm temperamentos opostos: Jules (Oskar Werner) é mais reservado, contido. Jim (Henri Serre) é galante, sedutor. Desenvolvem uma amizade rara, acima dos interesses, do cinismo e da ironia. Uma amizade pura. Uma noite, conhecem Catherine (Jeanne Moreau), por quem se apaixonam. Problema: Catherine não se contenta com a noção clássica da representação do amor. Ela quer muito mais do que a existência social oferece. Constituem um grande triângulo afetivo, no qual as regras (o sexo, o carinho, a amizade) são fixadas por Catherine e sua "agenda" psicológica. Ela casa com Jules, mas depois o troca por outros e, finalmente, por Jim. Jules aceita tudo de forma sincera - a ele, só interessa que ela permaneça em seu raio de ação. Mas há um momento em que um dos integrantes do triângulo resolve insurgir-se contra as regras de Catherine. Embora a ame, Jim foge de seu refúgio e vai embora para Paris. Jules e Jim (1962) é uma obra de gênio de François Truffaut. Construído com uma textura de película muda, o filme, na emergência de uma nova era, procura saber que tipo de novo mundo pode existir para as relações humanas. Há um momento em que Jim reencontra Catherine, depois de deixá-la, e diz que ela tentou "inventar o amor". De fato, ela tentou. E fracassou. Mas o filme de Truffaut ficou como a lembrança de uma bela tentativa.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2007 | 23h07

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