Danny Moloshok/REUTERS
Danny Moloshok/REUTERS

Jennifer Beals vive médica entre a fé e o ceticismo em 'Proof'

Atriz interpreta personagem em busca de provas de vida após a morte na nova série que vai ao ar aos domingos na TNT

Cindy Pearlman, The New York Times

26 Julho 2015 | 10h00

“Não existe uma pergunta tão universalmente feita como esta: o que acontece quando morremos?”, disse Jennifer Beals. Eram 10 horas da manhã e ela conversava ao telefone no seu camarim no set de Proof, nova série da TNT. Não é o tipo de assunto que normalmente surge durante um bate-papo dentro de um camarim e logo de manhã, mas neste caso particular era difícil evitar.

“A questão é a seguinte. Logo que você passa a explorar o assunto começa a pensar sobre o que é importante quando se está vivo. Esta é a parte fascinante e, por isso, não acho que indagar sobre a morte é uma pergunta mórbida. Na verdade é muito libertador”, afirma.

Criada por Rob Bragin, Proof, que vai ao ar aos domingos, às 21 horas, na TNT, tem no elenco Jennifer Beals como a Dra. Carolyn Tyler, uma brilhante cirurgiã em busca de provas reais de vida após a morte. Uma busca pessoal e profissional: ainda se recuperando da morte do filho adolescente, do divórcio do Dr. Len Barliss (David Sutcliffe, de Cracked, Private Practice) e o distanciamento da filha Sophie (Annie Thurman), ela encontra Ivan Turing (Matthew Modine) um inventor bilionário com um câncer raro. Ele a contrata para investigar casos de reencarnação e experiências de quase morte, esperando descobrir que a morte não é o fim.

Jennifer Beals ficou fascinada com o enredo sobre o confronto entre ciência e ficção científica. “A mulher que interpreto é uma cirurgiã que persiste na ideia de que não existe vida após a morte”, diz a atriz. “É uma pessoa pragmática, está ali, vendo as pessoas morrerem. Tem conhecimento de ciências exatas e quer quantificar e medir tudo. Se não consegue medir, não acredita. Ela realmente necessita de provas e está disposta a encontrá-las.”

A morte do filho deixou-a numa forte depressão. “Ela está enfrentando uma fase profundamente dolorosa emocionalmente e pessoal em sua vida. Exatamente no momento em que trabalha para curar as próprias feridas pessoais vê-se lançada nesta investigação sobre a vida após a morte, o que abre todo um mundo à sua frente.

“A série combina mistério, ceticismo e fé. Espero que provoque discussões sobre o tema, porque todo mundo terá de chegar à própria conclusão.

Jennifer não precisou buscar provas de que, hoje, os melhores papéis para as mulheres estão na televisão. Na década passada, ela trabalhou principalmente na TV, em papéis regulares em The L Word (2004 a 2009), Lie to Me (2009 a 2010), The Chicago Code (2011) e The Mob Doctor (2012-2013).

“Não prevalece mais aquela sensação de que, passada uma determinada idade, você não consegue mais ser a queridinha na TV”, afirma a atriz de 51 anos. “Acho que as mulheres com mais de 40 mostram uma estabilidade extraordinária e são muito versáteis. Temos sabedoria e estamos aqui para compartilhá-la”, ressalta.

Normalmente, Jennifer interpreta mulheres fortes, confiantes, que à primeira vista, obviamente, não podem ser contestadas. “Gosto da complexidade das personagens femininas fortes. Quando alguém se mostra muito forte, normalmente existe algo mais profundo que pode ser abalado. Muitas pessoas que se mostram fortes não são o que aparentam ser. Acho isso interessante”, avalia.

Jennifer cresceu em Chicago, filha de um professor de escola elementar e de uma proprietária de um armazém. Trabalhou em diversas peças no ginásio na escola Francis W. Parker e trabalhou como lanterninha voluntária no prestigiado Steppenwolf Theatre. Estreou no cinema em My Bodyguard (1980) num papel sem crédito, rodado em Windy City.

“Trabalhei também como modelo na seção de moda do jornal. Era uma garota do Sul com grandes sonhos de ser atriz.”

Sua grande oportunidade surgiu como Alex Owens, um misto de operária e bailarina com grandes ambições em Flashdance – Em Ritmo de Embalo (1983). Conseguiu o papel no primeiro ano de faculdade em Yale e retornou para lá para concluir seu curso de literatura americana antes de se envolver totalmente com Hollywood, onde trabalhou em filmes como O Diabo Veste Azul, de 1995, Questão de Sensibilidade, de 1996, Aniversário de Casamento, de 2001, e O Livro de Eli, de 2010.

Jennifer é casada com o empresário canadense Ken Dixon e, no seu tempo livre, é uma fotógrafa perfeita que trabalha sob o nome de Jennifer Dixon. Tem uma filha de 9 anos. 

A atriz é também triatleta e a ginástica ocupa grande parte do seu tempo livre. “Adoro nadar e correr. São exercícios que você consegue fazer em qualquer lugar, que funcionam quando sua vida é muito agitada”, explica também a atriz.

“Adoro comer o mais saudável possível e o que é bom para meu corpo e mente. Mas se algum dia estou ansiando por um filé, eu como. Recentemente, fui à Itália e não me neguei nada. Compensei depois nas minhas corridas”, recorda.

O que deixou somente uma pergunta a ser feita, aquela que Jennifer afirma ser a mais universal de todas. Qual sua ideia do que vem após a morte? “Acho que seria terrivelmente egocêntrico presumir que sei alguma coisa. Tenho fé e penso no que pode acontecer. Acho que a fé nos oferece diretrizes, a ciência também, mas enquanto não soubermos realmente, não podemos falar nada.”

Ela riu. “Talvez seja bom continuar perguntando. Acho que esse questionamento mantém a vida vibrante”, acrescenta.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO


Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.