The CW via AP
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Javicia Leslie quer empoderar outras pessoas no papel de Batwoman

Ela é a primeira atriz negra a interpretar a super-heroína da franquia e será apresentada como integrante da comunidade LGBTQ

Entrevista com

Javicia Leslie

Jonathan Landrum Jr., AP

11 de janeiro de 2021 | 10h00

LOS ANGELES — Quando Javicia Leslie se mudou para Los Angeles, ela costumava parar no popular Sunset Boulevard para se inspirar com a sequência de outdoors de cinema e televisão. Aspirante a atriz, ela estacionava o carro debaixo dos outdoors de seus filmes favoritos para estudar antes de um teste de elenco.

Leslie fez disso uma rotina durante anos, na esperança de um dia se ver num daqueles grandes cartazes de Hollywood. Seu sonho se tornou realidade recentemente, quando a atriz de 33 anos – que trabalhou em Deus Me Adicionou, da CBS, e em The Family Business, de Carl Weber, na BET+ – viu sua imagem no uniforme vermelho e preto da Batwoman.

Leslie sucede a atriz Ruby Rose como a defensora mascarada na segunda temporada de Batwoman da CW, que estreia em 29 de janeiro, na HBO e HBO Go. Ela é a primeira atriz negra a interpretar a super-heroína da franquia e será apresentada como integrante da comunidade LGBTQ.

Em Batwoman, Leslie interpreta Ryan Wilder, que passou anos como traficante de drogas enganando a polícia de Gotham. Sua personagem tem habilidades de combate mortais, mas é uma pessoa compassiva que vive numa caminhonete com uma planta.

Numa entrevista recente, Leslie falou com a Associated Press sobre assumir o papel de nova Batwoman, sobre a importância de sua personagem ser lésbica e sobre a conversa que teve com sua mãe sobre sua própria orientação sexual. As respostas foram editadas por questões de brevidade e clareza.

O que a levou a se preparar para suas personagens estacionando debaixo dos outdoors?

Eu precisava dessas imagens para me lembrar de qual era o objetivo final e do que eu realmente queria. Era uma coisa que me motivava. Era divertido. Às vezes, eu estudava até adormecer. Tinha que acordar e dirigir de volta para casa. 

Então é uma coisa que você conseguiu com pensamento positivo?

Sinto que tudo que estou vivendo agora criei com minhas palavras. Desde o começo até o menor dos detalhes. Mesmo com a Batwoman, fiz uma entrevista em maio e eles me perguntaram qual seria o meu próximo papel, e eu disse: “Quero interpretar uma super-heroína”. No mês seguinte eu fiz o teste. Nem sabia que estavam procurando uma nova Batwoman. Então realmente acredito no poder das palavras.

O que significa para você ser a primeira super-heroína negra com papel de destaque na DC?

Sabe, sempre me lembro para mim mesma que meu propósito não é para mim. Meu objetivo é empoderar outras pessoas. Deus me trouxe aqui por uma razão, Ele me colocou nesta posição por uma razão. Por isso não tenho nada a temer, porque sei que ver uma super-heroína negra vai empoderar muita gente. Não é uma coisa que vemos com frequência. É muito épico. Eu cresci assistindo Batman, Mulher-Gato, Coringa e Pinguim. Agora, ver a negritude nesse universo parece muito inclusivo, muito empoderador.

Qual é a importância de a personagem ser lésbica?

É importante ter representação, de maneira geral. Os seguidores da DC representam todo mundo, seja em questão raça ou LGBTQ. Acho que a coisa de que mais gosto nessa série é que cada personagem é realmente uma ótima representação de tudo.

Antes de contar a sua mãe que você tinha conseguido o papel de Batwoman, você disse a ela que era bissexual. Como foi isso para você?

Nunca tive medo de falar com minha mãe sobre nada, a ponto de ter muitas coisas que não preciso nem falar: ela já entende, ela já sabe. Então, quando tivemos essa conversa, ele disse: “Eu sou sua mãe. Não há nada que você possa me dizer que eu já não saiba”. Minha mãe é minha melhor amiga. Me apoia muito.

Como sua personagem sobreviveu sendo uma sem-teto?

Pode parecer o fundo do poço para algumas pessoas, mas para ela foi o auge do que ela tinha atravessado. Até mesmo ter sua própria caminhonete e conseguir cuidar de si mesma significava muito para ela. Ela vinha de lares adotivos temporários, lares abusivos, onde as pessoas não cuidavam dela. A única pessoa que se importava com ela foi assassinada na frente dela. Acho que o que pode não significar nada para outras pessoas significa muito para ela. Ela se apega a isso e valoriza.

Como as circunstâncias moldam sua personagem?

Acho que, se ela tem algo meio sombrio, provavelmente é um pouco de vingança. Vingança contra as pessoas que mataram sua mãe. É o suficiente. Como você pode realmente lutar pelo bem se não consegue perdoar? Como você pode realmente estar do lado certo se a vingança te fortalece?

O que você quer que as pessoas aprendam com sua carreira até agora?

Muitas vezes eu poderia ter dito “isso é muito difícil” e ter dado meia volta. Mas você tem que continuar. Vivo com a ideia de que, se você persegue sua paixão, você vai encontrar seu propósito. Eu acredito que Deus nos dá paixões por uma razão... Você tem que encontrar seu propósito em alguma coisa e correr atrás até fazer acontecer. E aí você via ter sua ética de trabalho para te apoiar. / Tradução de Renato Prelorentzou 

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