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'Jane the Virgin' brinca com clichês das telenovelas

Primeira temporada da série, que representa a cultura de 55 milhões de latinos nos EUA, estreia nesta quinta

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

19 de novembro de 2015 | 03h00

LOS ANGELES - Uma virgem grávida de 23 anos é uma das melhores personagens da televisão americana hoje. Não, a protagonista de Jane the Virgin, cuja primeira temporada estreia nesta quinta, 19, às 22h30, no canal Lifetime, não é nenhuma santa. De origem latina, mas nascida nos Estados Unidos, Jane (Gina Rodriguez) fez uma promessa à avó (Ivonne Coll) quando criança de esperar o momento certo para perder sua virgindade, mas acaba sendo inseminada artificialmente por engano.

A trama é maluca como nas melhores telenovelas – Jane the Virgin é uma livre adaptação da venezuelana Juana la Virgen. Mas a série, a primeira do canal CW a concorrer a um Globo de Ouro e a vencer um, de melhor atriz de comédia ou musical para Gina Rodriguez, brinca com o formato tão querido na televisão latino-americana, sem deixar de tocar em assuntos sérios como aborto, maternidade, carreira, imigração.

“Quando soube da ideia, pensei que ia ser uma loucura escrever”, disse a produtora executiva Jennie Snyder Urman, em entrevista em Los Angeles. “Mas aí fui dar uma caminhada no fim de semana e tudo começou a virar um pequeno conto de fadas sobre destino. Fiquei interessada em fazer um conceito absurdo funcionar.” Um dos trunfos é a presença de um narrador (Anthony Mendez), que faz comentários divertidos sobre os momentos cômicos e dramáticos.

Jane the Virgin, que tem música do argentino Gustavo Santaolalla (Babel, Diários de Motocicleta), abraça os clichês do gênero, com triângulos amorosos – entre Jane, o namorado Michael (Brett Dier) e o dono do esperma Rafael (Justin Baldoni) –, vilãs como Petra (Yael Grobglas), ex de Rafael, e sua mãe Magda (Priscilla Barnes), e o segredo sobre o pai da protagonista. Mas a série alterna as reviravoltas com momentos de real emoção, com a ajuda de personagens bem construídos e tridimensionais. Não debocha das telenovelas, que Jane assiste com sua avó Alba e sua mãe, Xiomara (Andrea Navedo). Todas são especialmente fãs do astro Rogelio de la Vega, vivido pelo mexicano, filho de brasileira, Jaime Camil. “Acho que a série tem um tom bem diferente das telenovelas, mas presta uma homenagem de maneira respeitosa”, disse o ator, que transforma o egocêntrico Rogelio em adorável.

Poucas vezes a cultura de boa parte dos 55 milhões de latinos e seus descendentes nos Estados Unidos foi tão bem representada – eles ainda aparecem em menor número em comparação com outras minorias, como negros e asiáticos. Gina Rodriguez é uma das raras protagonistas de origem hispânica na TV americana.

“Está havendo um grande progresso na televisão em relação à diversidade”, afirmou a atriz. “Claro que sempre dá para melhorar.” Ela mesma teve de romper algumas barreiras. “Sempre me falavam que eu jamais faria uma personagem principal, que não era bonita nem magra o suficiente.” Mas também se recusou a aceitar qualquer papel e chegou a declinar alguns trabalhos que reforçavam estereótipos latinos. “Para mim, a arte é poderosa. Tentamos criar uma vida real, com a qual outras pessoas podem se identificar, tendo uma catarse, sentindo-se bem ou talvez tomando uma nova decisão”, disse Gina, que fundou uma organização para ajudar descendentes em seus estudos e está produzindo um documentário sobre a presença latina nos EUA. “Interpretar uma personagem que é apenas mais um ser humano era o que eu queria fazer. Felizmente, Jane apareceu e me permitiu voar.”

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