'Já levei muito 'não''

PERDEU: Globo chegou a recusá-lo como apresentador

Alline Dauroiz, de O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2010 | 16h00

 

De garoto propaganda a integrante do grupo Dominó; de ator de novelas a apresentador de programas, Rodrigo Faro começou na carreira aos 6 anos e, hoje, aos 36, pode dizer que já fez de tudo nessa vida. Foram 12 novelas, 4 minisséries e 3 programas, 2 filmes e 3 discos lançados, além de mais de 5oo campanhas publicitárias. Além da imagem de pai de família (é casado há 13 anos com a modelo Vera Viel, com quem tem duas filhas, de 5 e 2 anos), tem fama de boa-praça nas produções por onde passou, tanto que é um dos poucos com portas abertas para voltar à Globo.

 

Embora a Record e Faro neguem, o Estado tomou conhecimento de que a Fremantle, detentora do formato Ídolos, reality show musical apresentado por ele, chegou a cogitar uma redução nas performances feitas pelo moço. A alegação, sem fundamento, é que o sucesso individual do apresentador poderia ofuscar a receita do programa. A seguir, Faro tenta explicar sua fama.

 

Não acha que começou a trabalhar muito cedo?

 

Foi até uma necessidade para ajudar minha família. Meu pai se separou da minha mãe, professora, quando eu tinha 9 anos e morreu quando eu tinha 13. Ganhei responsabilidade cedo, mas tinha vida de criança normal. Se minhas filhas quisessem fazer o mesmo, seria como minha mãe: só continua se não tiver nota vermelha e se trouxer diploma. Não aprendi a apresentar agora. Estudei, me formei em 1990 pela USP, em Rádio e TV.

 

Demorou para ‘estourar’?

 

Ir para a Globo, com 22 anos, foi um estouro para mim. Hoje vejo o sucesso sem pirar. Tive essa piração quando fui para a Globo, de achar que sou o cara. Depois você vê que isso não é importante, que tem de acordar cedo e ralar. E sei que se dou 12 pontos de audiência, amanhã tenho que dar 20. E se um dia voltar a dar 8, a casa cai.

 

Já levou muito não?

 

Muito! Uma vez, fiz audição para um musical e o diretor disse: ‘Cara, se você gosta de canto, vai pra aquele ali e fica ali olhando pra parede.’ Também já levei muito não em testes de teatro, comerciais e até da Globo. Pensava: ‘Ah é? Você vai ver.’

 

Você chegou a gravar um piloto do Fama, na Globo, e a Angélica ficou com a vaga. Para virar apresentador, faltava alguma coisa em você ou na Globo?

 

Não sei. Faz muito tempo isso. Talvez eu não estivesse mesmo preparado. Mas fui escolhido, eles gostaram, e quando chegou na alta cúpula, fui barrado. Eles só me queriam como ator lá. E também gravei dois discos e não tive muito apoio como cantor. Isso foi frustrante.

 

Pretende ir para o domingo?

 

Seria um risco grande e criaria um problema de quem colocar no sábado. Lógico que domingo é o sonho de todo apresentador, mas quero crescer como comunicador, ganhar público que ligue a TV para me ver.

 

No meio artístico, você tem fama de bonzinho. Quando você perde a linha?

 

Trato bem as pessoas, digo não com educação. Você nunca vai me ver dando ataque de estrelismo, sendo grosso. Acho que isso traz a fama de boa praça. Não gosto de palavrão, falo às vezes com a minha mulher, mas na frente das crianças, jamais. Quando elas estão bagunçando, não estouro. Só olho no olho e mudo o tom da conversa.

 

Qual seu defeito, então, se nem xingar você xinga?

 

Claro que eu xingo. Sou um pouco egocêntrico, egoísta, inseguro, dono da razão (no meu casamento), mão de vaca. Se bem que a coisa do egocentrismo melhora com a chegada dos filhos, porque você vira servo.

 

Você já disse em entrevistas que a TV precisa de renovação, mas os quadros do seu programa não são novidade. Que tipo de renovação você proporciona?

 

As dancinhas não deixam de ser inovação - não lembro de nenhum apresentador maluco topar fazer isso. Mas acho importante trazer para a TV o contexto de internet, da interatividade. Num programa gravado, isso é difícil. E meu programa é longo para ser ao vivo.

 

Seu contrato vai até 2017. Não é muito tempo?

 

É uma segurança para mim. Minha preocupação agora não é ganhar mais. Hoje ganho 15 vezes mais do que quando estava na Globo, meu cachê em publicidade aumentou 200%. Tenho muita lenha pra queimar.

 

Nas outras versões de Ídolos, o apresentador não tem tanto destaque. Como será sua participação na temporada deste ano, agora que você está bombando?

 

A característica do Ídolos no Brasil é ter esse apresentador que se envolve, se emociona, paga mico. E é minha marca como comunicador. Quando vejo uma eliminação, é como se fosse eu. Passei por isso. Acabo pondo isso para fora, sem a autorização. Mas é bom, porque é um reality. Não sou um apresentador montado.

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