Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Inspirada em 'Noites de Cabíria', Regiane Alves vive Marli em 'Cidade Proibida'

Atriz fala sobre a importância de sua personagem, a prostituta que ajuda o detetive Zózimo, na série da TV Globo

Eliana Silva de Souza, Impresso

07 de novembro de 2017 | 06h00

Em uma nova fase em sua vida, Regiane Alves, que deu um tempo na carreira para aprimorar seu papel de mãe, ganhou um presente para alegrá-la ainda mais, a personagem Marli, uma charmosa prostituta da série Cidade Proibida. Escrita por Mauro Wilson e com direção artística de Maurício Farias, a produção vai ao ar às terças-feiras, na Globo, após a novela das 21h.

Ambientada no Rio de Janeiro dos anos 1950, conta as aventuras do detetive particular Zózimo, interpretado por Vladimir Brichta. Sempre investigando os mais diversos segredos, em sua maioria traições conjugais, ele conta com a ajuda de três colaboradores, o Bonitão (José Loreto), o Paranhos (Ailton Graça) e a prostituta Marli, uma mulher bonita, cheia de amor pelo ‘chefe’ das missões, e à frente de seu tempo.

“Eu estou muito apaixonada pela Marli, ela é a única mulher desses quatro personagens principais, sempre ativa, falante”, conta Regiane, “a gente diz que ela já era uma feminista para essa época, pois trabalha, tem os casos dela, e, ao mesmo tempo, acredita no amor”. Esse amor que a atriz fala é em relação a Zózimo, algo um tanto distante da sonhadora Marli.

Mas ela é, acima de tudo, uma mulher forte. “A forma como ele coloca (o diretor) a personagem, uma prostituta meio heroína nessa história, afinal muitas vezes ela consegue ajudar o Zózimo a solucionar os casos, é genial”, comemora a atriz, que afirma ainda que essa é “uma forma de posicionar uma mulher ali no meio dos homens, mas de forma bem valorizada”.

Para chegar ao ponto com sua personagem, teve de contar com algumas dicas, usar de seu conhecimento sobre outras obras, não só ela, claro. “Foram feitas várias referências de filmes, para mim, lógico, Noites de Cabíria, que é aquela personagem que é apaixonada, que acredita no amor, mas é um prostituta”, conta Regiane. E, por ser uma obra com o pé no estilo noir, “Chinatown é uma grande referência pra gente, Los Angeles, Cidade Proibida, Hitchcock”, explica.

Mas o estudo para compor sua Marli foi além disso. “Foram várias as minhas inspirações, como a Gabriela Leite, da Daspu, eu li o livro dela, a história dela”, conta a atriz que relata ainda um encontro muito especial. “Eu tive um encontro muito especial com a Lucy Barreto, que é uma prostituta do Belém do Pará, nós ficamos horas conversando, pois ela trabalhou nessa época do final do anos 1950 e começo dos 1960”, diz Regiane. “Ela contou o que era o bordel, o glamour da época, como era a prostituição e a função da prostituta na sociedade, quanto era importante, pois ela levava e trazia informações para os políticos locais”, explica.

Regiane enfatiza que tudo serviu não somente para compor a personagem, mas contribuiu para mostrar para ela mesma “a importância de você não ter pré-conceito em relação a ninguém, a nenhuma profissão”, conta ela afirmando que “para mim foi muito interessante eu me colocar fazendo uma prostituta numa série, você tem de se colocar nesse submundo”.

“Tivemos também um encontro com a Daniela Carmona, que faz preparação corporal, e com a Katia Achcar, psicanalista, que trabalha bem a base desse personagem e me ajudou muito”, afirma Regiane, que diz achar importante se estudar, entender as atitudes dos outros. “A Marli tem uma situação ali que é o fato de esse homem, o Zózimo, desprezá-la, mas ela não desiste dele nunca, ela não vai embora nunca. Acho que só um pouco de psicanálise para tentar entender o por quê de ela ter essa reação.”

Em meio a essas questões, Regiane ressalta sua satisfação em ver a repercussão de sua personagem pelas redes sociais. “Às vezes assisto aos capítulos pelo twitter para ver os comentários, é muito engraçado, me divirto com os comentários, é muito bom ver como gostam da Marli, de suas frases, está até virando meme”, conta. A atriz se mostra bem satisfeita com seu momento. “Uma personagem deliciosa de ser feita. A vida dela é difícil mas ela tem muita esperança. Acho que o Zózimo e a Marli contam uma história de amor, afinal ela é uma mulher que acredita no amor e eu acho que será assim até pelo menos essa temporada, ela quer mesmo é ser amada”, enfatiza.

Por ser uma série de época, com traços de noir, os figurinos e iluminação ganham destaque especial. E Regiane fala sobre esses detalhes, que considera fundamentais. “A fotografia é belíssima, que tem a assinatura do Uli (Burtin), que está conosco em todos os sets”, conta. Com relação aos figurinos, a atriz agradece o cuidado que a equipe ganha nesse quesito. “O figurinista Antonio Medeiros me ajudou muito com a Marli, a gente pode observar, por exemplo, já na reta final, ela usa cintura mais marcada, saia mais justa, até o joelho, marcando o início dos anos 1970. Ele quis dar essa cor para ela. E tem o corte de cabelo, bem curto, algo que não era normal, batom sempre vermelho. Tudo extremamente pensado”, diz.

Aos 39 anos, dois filhos pequenos, um de 3 anos e outro de 2, Regiane retornou à TV ano passado, quando fez uma participação na novela A Lei do Amor, de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, vivendo a personagem Beth, que foi assassinada pela Magnólia (Vera Holtz). Mas antes disso, a atriz já estava no batente com a peça Para Tão Longo Amor, também de Maria Adelaide, que foi indicada para o Prêmio Shell, na qual contracenava com Leopoldo Pacheco, e também foi produtora. E ainda é sócia de um restaurante.

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