Denise Andrade/Estadão
Denise Andrade/Estadão

Indefinição no cronograma faz Globo perder retorno de Wagner Moura

Ator estava escalado para série 'Dois Irmãos', que estreia em 2015

Gabriel Perline, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2014 | 03h00

BOGOTÁ - Há um certo ar nostálgico quando o nome de Wagner Moura paira na mente. Ator visceral, premiado nacionalmente com suas dedicadas performances na TV e no cinema, é o nome brasileiro em alta na concorrida – e almejada – indústria de Hollywood. E que, aos poucos, se distancia do polo nacional, aproveitando as boas oportunidades artísticas que o circuito gringo lhe propõe.

E essa tal nostalgia se torna evidente até mesmo entre nós, da imprensa, que aproveitamos os lampejos de Moura em solo nacional para tentar extrair a afirmativa que nem o próprio ator consegue prever: quando voltará para ‘casa’? Pergunta inocente, que carrega certa cobrança de presença, como se ele tivesse a obrigação de voltar a estampar o rosto na nossa televisão por nove ou dez meses consecutivos. Tudo para ter por perto ‘o cara’ que Hollywood cobiça. Bobagem a nossa.


Wagner esteve no Rio de Janeiro na última semana. Reencontrou a mulher, os filhos, aproveitou para registrar seu voto no domingo passado e também conversou com a imprensa sobre Trash – A Esperança Vem do Lixo, filme dirigido pelo britânico Stephen Daldry, no qual faz uma ponta com poucas cenas, que acabam se multiplicando em meio aos flashbacks apresentados na história. Papel pequeno para quem um dia quebrou o recorde de público do cinema nacional na pele do controverso Capitão Nascimento, da franquia Tropa de Elite. Mas suficiente para diminuir nossa carência por sua arte.

“Cara, se pintar um trabalho maneiro no Brasil, eu faço na hora”, disse o ator ao Estado em recente encontro em Bogotá (Colômbia), cidade onde vive desde julho. “O Felipe Hirsch foi contratado pela Globo e ele já me chamou para fazer algo. Tendo um projeto bom, estou dentro”, garante.

No caloroso país que um dia foi dominado pelo traficante Pablo Escobar é onde o ator permanecerá até março de 2015. Contratado pela Netflix, há um mês ele grava a série Narcos, dirigida pelo amigo brasileiro José Padilha, ainda sem previsão de estreia na plataforma de streaming, interpretando justamente o Robin Hood colombiano, que gerenciou um dos maiores esquemas de comércio de drogas do mundo. “Cheguei meses antes para estudar espanhol, pois este é o idioma da série”, explicou.

Para acatar à convocação de Padilha, Wagner precisou interromper um ‘namoro’ que se iniciou em 2011 com o diretor Luiz Fernando de Carvalho. Quando convidado para protagonizar a série Dois Irmãos, inspirada na obra homônima de Milton Hatoum, Moura garantiu sua presença. A trama, inicialmente, seria gravada em 2012, mas foi engavetada. No ano seguinte, o projeto foi resgatado, mas logo interrompido, reprogramado para 2014. Neste ano, a Globo bateu o martelo: 2015. “Queria muito fazer. Eu ficava esperando e teve uma hora que precisei tocar a minha vida”, comentou. Para seu lugar, a emissora escalou seu curinga, Cauã Reymond.

E quando diz “tocar a vida”, inclui sua estreia como diretor, montando a cinebiografia do guerrilheiro e poeta brasileiro Carlos Marighella. Trabalho ao qual se dedicará somente em 2016. “Atuo há uns 20 anos e não escolho trabalho pensando em projeção. Penso em qualidade”, avisa. Televisão no Brasil, por hora, não há espaço em sua agenda. “Hoje em dia, há formatos (de novelas) mais curtos, que são bem interessantes. Havendo um bom papel, eu ficarei amarradão em fazer”, diz.

Política. Imerso no universo de Escobar, Wagner sustenta sua opinião em relação ao comércio legal de drogas e acredita que a criminalidade pode diminuir caso o governo reveja a questão. “Droga é um problema de saúde, não de segurança. Para mim, tudo deveria ser legalizado. Não sei como, mas deveria”, comenta. “Quando digo isso, me chamam de maconheiro. Mas a questão é simples: a quantidade de pessoas que morrem pelo vício é assustadora”.

De olho no cenário atual, ele não se vê muito otimista com os rumos que a política nacional volta a trilhar. “Senti falta das manifestações nas eleições. Não da manifestação em si, na rua, mas na maneira com que as pessoas votaram. Mais uma vez uma eleição que termina com PT e PSDB no segundo turno não dá impressão de que alguma coisa está mudando”.

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