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Impulsionado por Oprah, Dr. Oz é o médico da América

Médico da televisão fala ao Estado sobre a nova temporada de seu programa

Tonica Chagas - Especial para o Estado - Nova York, O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2014 | 03h00

Numa das primeiras participações do cirurgião cardíaco Mehmet Oz no programa dela, em 2004, Oprah Winfrey, dona do talk show mais popular da história da televisão americana, o chamou de “o médico da América”. O codinome pegou e, hoje, o doutor Oz lidera índices de audiência na quinta temporada do próprio programa, que já acumula cinco estatuetas do Emmy e é o conselheiro de saúde mais célebre do mundo.

Capaz de explicar questões médicas de maneira que quase todo mundo pode entender, ele mesmo compara o objetivo do seu programa à prática de curandeiros em aldeias de séculos atrás: curar. Assistido por um público majoritariamente feminino em canais de TV de 118 países (no Brasil, inclui a nova programação do Fox Life, e terá este ano episódios selecionados das temporadas 3 e 4 do Dr. Oz Show), ele segue a trilha de Oprah, a madrinha poderosa, expandindo sua presença e influência via mídia eletrônica, impressa e digital.

Há um mês, pelo blog.doctoroz.com, ele abriu a campanha de assinaturas para sua revista The Good Life, que chega aos leitores em fevereiro, e lançou o AskMD (Pergunte ao Médico, em tradução aproximada), um aplicativo gratuito para sistema IOS. Em resumo, o AskMD é um formulário que, com base em tecnologia de reconhecimento de padrões, define possíveis causas de sintomas e pode indicar médicos e hospitais.

Os mais de 150 milhões de links para “doctor Oz” no Google é uma medida para a presença dele na mídia. O programa no qual o cardiologista aborda assuntos de saúde que vão do câncer a manchas nas unhas gerou o website com clipes dos episódios produzidos para a TV, uma lista enciclopédica de tópicos que incluem tratamentos baseados unicamente em alimentos, boletim informativo e sugestões de livros. Ele mesmo é autor de sete, todos campeões de vendas. A isso ainda se acrescentam a participação dele em outros programas de televisão e rádio, batalhões de seguidores em redes sociais e multidões que comparecem às clínicas públicas e gratuitas que ele faz.

Antes de ser o “médico da América”, o filho de turcos Mehmet Oz já havia construído uma honrosa carreira na mesma profissão que o pai e o sogro. Formado em 1982 pela Harvard University, há mais de 20 anos o cirurgião especializado em transplante de coração é vice-diretor e professor do Departamento de Cirurgia do New York-Presbyterian Hospital, centro médico de referência internacional afiliado à Columbia University. Treinado em Paris pelo inventor das primeiras válvulas cardíacas artificiais e criador do coração artificial autônomo, Alain Carpentier, Oz tem a patente de uma válvula aórtica que pode ser implantada pela virilha, sem necessidade de abrir o coração, e de uma solução para preservar o tecido dos órgãos.

Ele credita a segunda carreira a sua mulher, Liza, que é produtora de TV e cinema. Em 2003, ela o colocou na série Second Opinion, programa de medicina feito para leigos pelo Discovery Channel. Oprah Winfrey foi uma das convidadas para discutir seus problemas de controle de peso naquele programa, retribuiu o convite e o levou para mais de 80 participações no programa dela. Provado que o médico era um grande sucesso, em 2009 Oprah produziu um programa exclusivo para ele.

Oz não se importa com a alcunha de filhote da Oprah e segue os passos empresariais da mentora bilionária imprimindo o sobrenome nas diversas ramificações do seu show na TV. Mas ele diz não ter nenhum tino para negócios. “Confio em pessoas mais inteligentes do que eu nessa área. Acho que sou um bom entertainer, posso fazer as coisas serem divertidas”, diz ele. “Eu poderia ganhar mais dinheiro do que ganho fazendo o que faço se vendesse produtos, mas isso iria minar minha relação com o telespectador.”

Lições de um curandeiro da aldeia global

Considerando a série de atividades que o senhor tem, é de se imaginar que tenha clones…

Tenho muitos clones porque tenho muitos colaboradores. Trabalhando com o doutor Alain Carpentier, aprendi que você pode ser “mágico” e ninguém entender o que está fazendo, ou pode ensinar as pessoas e conseguir que elas façam melhor que você. Meu talento sempre foi ensinar e em televisão é a mesma coisa.

Numa entrevista à revista ‘The New Yorker’, o senhor disse que não quer barreiras entre a medicina e o paciente, comparando o objetivo do seu programa ao que faziam os curandeiros nas aldeias dos nossos ancestrais. O senhor é um curandeiro nessa aldeia global chamada televisão?

Sim, pois o objetivo do programa é curar, criar conforto entre quem está em casa e eu, como se vivêssemos na mesma aldeia.

Com as possibilidades da tecnologia de informação, o curandeiro pode ser digital?

Sim, e por isso estou muito entusiasmado com a telefonia celular e o aplicativo AskMD. Uma pessoa comum tem uma dor de cabeça e se pergunta se não seria um tumor cerebral. A possibilidade de ter a resposta no seu bolso é parte desse cuidado, dessa experiência.

Esta facilidade de acesso a informações médicas não cria mais hipocondríacos?

Ao contrário. O que nos amedronta é o que não entendemos.

Falar sobre questões de saúde em geral na TV compensaria a falta de médicos ou a falta de programas de saúde para a população?

Sim. Aqui há o mesmo problema que no Brasil: pacientes demais para o número de médicos. Não se ganha a batalha em hospitais e sim nas casas das pessoas. Se sabem o que fazer, elas não vão ao hospital. 

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