ESTEVAM AVELLAR/DIVULGAÇÃO
ESTEVAM AVELLAR/DIVULGAÇÃO

Imaginação é o limite da nova série da Globo ‘Supermax’

Estreia na terça, 20, a minissérie transgênero da Globo; 11 dos 12 capítulos estão liberados para assinantes no Globo Play

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

18 de setembro de 2016 | 05h00

Em Gramado, usando o quadro do festival, a Globo já exibira uma espécie de trailer estendido de Supermax, seguido de uma coletiva com os escritores (e roteiristas) Marçal Aquino e Fernando Bonassi. Foram imagens impressionantes, e que imediatamente criaram expectativa no imaginário de quem as viu. A minissérie de terror da Globo tem força. Aquino acha reducionismo dizer que é de terror. Para ele, é “transgênero”. Mistura ficção científica, terror, romance, suspense, etc. Nesta semana, a Globo exibiu em São Paulo o primeiro capítulo numa sessão para a imprensa. A expectativa aumentou.

Produzida no núcleo de José Alvarenga Jr., que é seu diretor-geral, Supermax estreia na terça, 20, às 23h20. A minissérie de 12 capítulos será exibida sempre nesse dia da semana (e horário) até 13 de dezembro. A boa nova é que você não precisa mais esperar. Assinantes da Globo Play já podem ver a minissérie, mas não completa. A Globo oferece, desde sexta, 16, 11 capítulos de Supermax. Para assistir ao último, com o desfecho, não tem jeito – você terá de esperar por 13/12. Numa entrevista por telefone, Alvarenga mostra-se animado. “É uma aposta muito grande da gente, e as primeiras reações estão sendo positivas. Teve gente que me enviou e-mail hoje dizendo que já está no terceiro ou quarto capítulo, e adorando.”

Se você for esperar pela terça, o primeiro capítulo terá a estranha sensação de que um déjà vu está sendo subvertido. Supermax começa como um reality show, com direito a Pedro Bial e tudo. Ele apresenta os candidatos. Ao mesmo tempo que a sensação é ‘já vi isso’, o contraponto é – “Ops, que está ocorrendo?” Porque o cenário é diferente – uma prisão de segurança máxima encravada na floresta amazônica – e os homens e mulheres que estarão concorrendo ao maior prêmio da TV brasileira (R$ 2 milhões, Bial anuncia) na verdade estão em busca de outra coisa. Todos cometeram um crime, e essa será sua segunda chance, a possibilidade de perdão e reintegração social, ou não.

O começo é de blockbuster – a grande floresta numa tomada a perder de vista, os helicópteros que avançam e a imensa penitenciária de três andares no meio do verde. Você verá isso e até vai pensar como é grandioso, mas então se prepare. Aquilo não é a floresta amazônica. É uma construção computadorizada que utiliza cenas de diversas florestas, inclusive a Amazônia. A grande prisão, na verdade, foi construída “num canto do Projac”, a central de produção da Globo, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Bem de acordo com o que Aquino e Bonassi disseram em Gramado e Alvarenga reitera na entrevista abaixo – a imaginação era o limite do grupo criador de Supermax. É a terceira parceria de Alvarenga com Aquino e Bonassi, após Força-Tarefa e O Caçador.

E aqui não há como fugir da pausa – em Força-Tarefa, Alvarenga deu seu primeiro papel na Globo a Domingos Montagner. “Cara, isso foi uma tragédia. Domingos era um grande sujeito, um grande profissional, um cara bacana. Estamos aqui trabalhando, mas muito mal com essa história toda.” Supermax nasceu de um desejo “da gente” – Alvarenga inclui Aquino e Bonassi – de criar uma dramaturgia sem protagonista. Tudo veio daí. Doze personagens numa experiência de confinamento. Onde? “Numa penitenciária de segurança máxima.” Mas as prisões separam seus internos por gêneros, e a ideia era misturar homens e mulheres. Um reality show, então. Pedro Bial, o homem do BBB.

Foram três meses de piração à primeira pergunta – por que uma grande emissora abandona 12 pessoas num lugar ermo? A busca por uma resposta convincente abriu o que era, basicamente, uma aventura de três. À medida que iam surgindo propostas – fantástico, terror –, Alvarenga, Aquino e Bonassi sentiram necessidade de incorporar especialistas. E foram chamados Juliana Rojas, Bráulio Mantovani, Raphael Draccon, Dennison Ramalho, Carolina Kotscho, Raphael Montes. À medida que iam propondo as situações e agregando ‘criaturas’, surgiu a outra grande pergunta – que criaturas seriam essas? Como e por quê? Em Gramado, Marçal Aquino já dissera – “Nada fica sem resposta. Tudo tem justificativa.”

Nunca houve uma terceira pergunta – mas será que vai dar? A ‘gente’ vai conseguir fazer? O bom de um projeto como esse, Aquino já havia dito em Gramado, era ter a estrutura ‘mainstream’ da Globo para viabilizar o que a imaginação do grupo criara. Diretores como José Eduardo Belmonte e Alvarenga. Todo o resto foi consequência. O elenco, que mistura estrelas Mariana Ximenes e Cléo Pires com nomes talvez menos conhecidos do público, mas com experiência comprovada em teatro e cinema (Erom Cordeiro, Rui Ricardo Diaz, que foi Lula no filme de Fábio Barreto, Maria Clara Spinelli, etc.). Todos passaram por uma preparação de seis semanas. Prepararam-se para o quê? Leia abaixo o que diz Alvarenga, mas fique com essa indicação. “Você viu o primeiro capítulo, que apresenta os personagens. O 2 já é pauleira. Supermax é sobre o sofrimento – físico, psicológico. Não vai ser fácil.”

ENTREVISTA - José Alvarenga Jr., diretor

‘O tema é o sofrimento. E estou com filme novo, sobre Éder Jofre’

Na televisão e no cinema, José Alvarenga Jr. não tem errado uma – Força-Tarefa, O Caçador, O Divã. Mas ele reconhece Supermax como seu maior desafio.

O que havia de tão atraente numa ficção com 12 personagens?

É o efeito multiplicador para a dramaturgia. Você não tem um protagonista. Têm 12, e interagindo. Tem a mistura de gêneros. Tudo isso potencializa um programa inovador e intenso. As primeiras reações no Globo Play são muito positivas, mas ainda precisam ser avaliadas para que, em uma semana, a gente já tenha um perfil do nosso público.

Os efeitos são impressionantes, de ponta. Era o objetivo?

Os efeitos aqui não nasceram primeiro. Não pensamos nas cenas para servir aos efeitos, mas o contrário. Todo esse imenso grupo de autores que criou Supermax, e o crédito é coletivo, teve sempre carta-branca. Vamos lá. A imaginação é nosso limite. 

A minissérie vai ter uma versão hispânica. Como surgiu?

Daniel Burman (o diretor argentino), quando soube do projeto, ficou entusiasmado. Ele participou do processo e dizia que nunca tinha visto nada parecido. O ego de todo mundo não entrava na sala de roteiristas. Já vi uma parte do Supermax dele. É muito boa, mas puxa para o thriller e o suspense, não para o fantástico e o sobrenatural, como a nossa.

Qual é o tema de Supermax para você?

É o sofrimento. Um personagem é esfolado, outro perde a perna. Até onde vão essas pessoas? É tudo muito real.

E o cinema, como anda?

Estou com novo filme, Dez Segundos. É sobre Éder Jofre. Nasceu com Thomas Stavros, que queria fazer o papel e pesquisou muito. Como ator ele não conseguiu viabilizar a produção, mas tinha um roteiro incrível. Estou montando, para estrear no ano que vem.

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