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Humor da ‘Escolinha do Professor Raimundo’ ganha nova temporada

Caixa traz a turma de 1993, que teve novos personagens como Maninha Marrom, vivida por Grace Gianoukas

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

12 de maio de 2014 | 18h58

A primeira turma surgiu em 1952, criada por Haroldo Barbosa, mas foi sob a batuta de Chico Anysio que a Escolinha do Professor Raimundo se tornou um sucesso nacional. Exibido pela TV Globo, começou como um quadro do programa semanal de Chico, mas causou tanto impacto que logo ganhou um horário próprio. A ponto de os melhores momentos serem lançados em DVD - e o quarto volume chega agora às lojas, trazendo cenas da temporada de 1993, lançamento da Globo Marcas.

Neste ano também houve mudança na sala de aula e apresentação de novos personagens: a Maninha Marrom (Grace Gianoukas) e Dona Santinha (Nádia Maria), que se juntaram aos colegas professor Raimundo, Salim Muchiba, Boneco, Cacilda, Dona Bela, seu Peru, entre outros.

"Quando fui convidada, na primeira reunião, eles me ofereceram uma personagem que gostava de apanhar do marido, e eu, com todo respeito, pela equipe e pelo programa declinei do convite", conta Grace, comediante que ganhou notoriedade pelas apresentações do Terça Insana, reunião semanal de humoristas. "Na segunda reunião, eles me ofereceram uma personagem que era uma jornalista sensacionalista e sem escrúpulos, capaz de qualquer coisa por uma manchete que vendesse jornal. Aceitei na hora, sem pestanejar, era uma grande oportunidade de criticar a imprensa marrom."

Grace lembra que se inspirou no jornalismo que distorce fatos, muitas vezes optando pela calúnia ou inverdades. "Ao final, desinformam e deseducam o público, prestando um desserviço à sociedade", comenta. "Vide o caso extremo desta dona de casa do Guarujá que foi acusada injustamente de praticar magia negra e linchada - não havia nenhum caso de criança desaparecida na região e nenhuma denúncia na polícia que embasasse a notícia mentirosa, publicada em um site da internet."

Conhecida por um humor refinado, Grace conta que, à medida que convivia com comediantes mais populares, também descobriu novas formas de fazer rir. "Eu não estava acostumada a rir de temas como a orientação sexual das pessoas. Nunca achei graça nisso", comenta. "À medida que fui me familiarizando com o trabalho na Escolinha, percebi que esse tipo de piada popular que lida com essa falsa moralidade do brasileiro e que tira sarro de gays, de infidelidade, dos nossos antepassados portugueses, negros e índios, na verdade era apenas um chamariz para poder discutir assuntos muito mais pertinentes como, por exemplo, a educação no Brasil, a incompetência do Estado, os desmandos da política."

Para isso, serviu como aprendizado a convivência com veteranos como Walter D’Ávila, José de Vasconcelos, Zezé Macedo, Lúcio Mauro, Rogério Cardoso, Francisco Milani e, Orlando Drummond, entre outros. "Além de serem pessoas incríveis, excepcionalmente talentosos, têm um papel importantíssimo na história do teatro brasileiro e no fortalecimento da nossa própria profissão."

Grace relembra ainda os momentos vividos ao lado de Chico Anysio. "Ele era um ator único, inteligentíssimo, cercado por uma equipe de redatores também única", conta. "Chico tinha uma capacidade de construção de diferentes tipos, extraordinária. A voz, a respiração, a maneira de se movimentar mudavam completamente de uma personagem para outra, uma capacidade muito rara. Neste sentido, eu o coloco no mesmo patamar de grandes atores como Peter Sellers, Meryl Streep, Philip Seymour Hofmann. Um grande mestre que é referência para qualquer um que queira fazer comédia no Brasil."

ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO

Direção: Cininha de Paula

Distribuição: Globo Marcas (208 min., R$ 42,90)

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