MASTERPIECE / PBS via AP
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Hugh Laurie embarca em uma turbulenta jornada política em 'Roadkill' da PBS

Ator, que interpretou um médico na série 'House', dá vida a um personagem muito diferente de seus últimos projetos para a TV

Lynn Elber, AP

29 de outubro de 2020 | 19h06

LOS ANGELES - Nas telas, Hugh Laurie tem sido por vezes irascível (House), vilão (O Gerente Noturno) e um deleite cômico (Jeeves & Wooster). Em uma conversa sobre seu último projeto para a PBS, Roadkill, ele provou ser igualmente versátil.



Laurie foi atencioso e charmosamente irônico e autodepreciativo, inclusive em relação às expectativas para a cidra de maçã que ele tentou produzir enquanto estava preso em casa em Londres por conta da pandemia. "Repugnante", prevê ele.

Roadkill (que estreia no próximo domingo, 1º de novembro, na PBS) é um espetáculo digno para o ator. No drama de quatro partes do escritor e produtor David Hare, Laurie interpreta Peter Laurence, um político britânico conservador com intenso desejo de viver tudo que a vida tem para oferecer.

Esta última característica o coloca em um mundo de problemas, assim como sua abordagem pouco ortodoxa à política defendida por seu partido. Hare tem dito que o drama foi parcialmente inspirado pelo que ele chamou de "falta de vergonha" do século 21, com os políticos entre os notáveis delinquentes.

Em uma entrevista para a Associated Press, Laurie fala de seu personagem em Roadkill, do trabalho como House e o que ele está fazendo durante a pandemia. As respostas foram editadas por questões de comprimento e clareza.


 


 

De acordo com Hare, seu personagem em 'Roadkill' não é baseado em uma figura política específica. Isso reflete a maneira como você se apropriou do papel?

Sim. Tentei pisar nas fendas, por assim dizer, e não me baseei realmente em ninguém da atual cena política britânica ou em qualquer outra cena política. Eu concordo absolutamente com a defesa feroz de David Hare da ideia de que um dramaturgo pode simplesmente contar histórias. Quando você olha para Netflix, Amazon ou Apple agora, quase tudo começa com "baseado em uma história real", como se não fôssemos mais capazes de dar conta do conceito de ficção. David é inflexível quanto ao seu poder de contar uma história e que esses são apenas personagens fictícios. Essas são criações de sua própria imaginação e, em menor medida, suponho que da minha também.


 

Seu personagem é basicamente um canalha, embora envolvente. Essa é uma descrição justa?

Ele é um canalha, mas há algo atraente nele. Eu acho que sua energia e sua vitalidade são atraentes. Seu otimismo, sua capacidade de olhar para o futuro e imaginar que o futuro será um lugar melhor do que o presente. Isso está se tornando uma habilidade cada vez mais rara atualmente.


 

Peter é apresentado como politicamente bem-sucedido, com uma vida pessoal complicada pela qual ele não se desculpa. Isso fez do papel   ainda mais interessante?

Sem dúvida. Fui atraído pela possibilidade de passar parte do meu dia livre de todos os pesos de chumbo frequentes que todos nós carregamos conosco, em termos de culpa ou arrependimento ou oportunidades perdidas, e dar vida a um homem que realmente não tem quase nenhum desses sentimentos, que mal olha para trás e para o que fez. Acho que uma das coisas que David queria tanto escrever era sobre a morte das noções de desgraça, vergonha e escândalo, que parecem quase não deter mais as pessoas. Parece que passamos para uma era em que nem tudo está perdoado, mas também não se espera muito. É discutível se isso é saudável ou não. Sinceramente, não sei a resposta.


 

Você estrelou 'House' por oito temporadas e também séries de curta duração, incluindo 'Roadkill' e 'O Gerente Noturno'. Você prefere continuar com um mesmo projeto e personagem ou seguir em frente?

Eu devo dizer que House é uma das coisas mais sensacionais que já fiz. Eu nunca senti, e certamente não acho que os roteiristas jamais sentiram, que eles ficariam sem ter o que fazer com aquele personagem. Bem, até o ponto quando eles fizeram e fizeram, e pararam. Fiz o papel por mais tempo do que levaria para realmente me tornar um médico de verdade, o que é bastante desagradável de se pensar. No entanto, como regra geral, coisas novas são obviamente estimulantes e desafiadoras. E é sempre bom permanecer desafiado.


 

Como você tem passado seu tempo durante a paralisação forçada devido à pandemia?

Eu não tenho que manter 20 pessoas empregadas e não tenho que pagar o aluguel de um restaurante ou fábrica ou qualquer coisa, então tenho muita sorte em relação a isso. Tenho trabalhado com carpintaria, toco muito piano. Tentei soldar por pontos e ontem tentei fazer cidra pela primeira vez. Foi muito emocionante estar realmente prensando uma colheita de maçãs e esperar conseguir um pouco de cidra depois disso. Tenho certeza de que será repugnante, intragável.


TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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