DAVID GIESBRECHT /NETFLIX
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'House of Cards' volta em 5ª temporada sob medo, espionagem e ameaça extremista

'House of Cards' retorna para a sua quinta temporada, com os 13 episódios à disposição no serviço de TV por streaming Netflix a partir do próximo dia 30

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2017 | 06h00

George Orwell detestaria saber que talvez estivesse tão certo sobre o futuro da humanidade. Errou o ano, contudo. Não é 1984, como indicava o título do seu livro, mas 2017.

Na ficção – e na realidade? –, é assim, com o assustador crescimento da entidade conhecida como O Grande Irmão na literatura do inglês, que House of Cards retorna para a sua quinta temporada, com os 13 episódios à disposição no serviço de TV por streaming Netflix a partir do próximo dia 30. 

A vigilância total é a resposta mais fácil e rápida para o medo. Medo do outro, do vizinho, do sujeito ao lado na calçada, do colega de trabalho. A quarta temporada do drama político protagonizado por Kevin Spacey e Robin Wright chegou ao fim com a execução de um civil norte-americano televisionada para o mundo, ao vivo. Mais um abalo sísmico na campanha de Frank Underwood (Spacey) na tentativa de ser eleito legitimamente como presidente. 

Em tempos de Donald Trump, Estado Islâmico e do caso de Edward Snowden, o antigo agente da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) responsável por denunciar um esquema de espionagem global por parte do seu país, House of Cards segue no audacioso caminho de se mostrar mais atual do que nunca. E vai ao encontro da obra de Orwell nesse curioso trajeto. 

Com a morte do civil pelas mãos de agentes de militância radical islâmica, Frank e Claire (Wright) tomam atitudes desesperadas para recompor a sensação de segurança para a população norte-americana. O extremismo é combatido com outro na série, em um anúncio televisionado pela Casa Branca. Nele, Claire Underwood, que na temporada anterior estava se tornando uma antagonista à causa de Frank, clama pela vigilância. Pede para que todos os norte-americanos relatem qualquer atividade que lhes parecesse estranha, na casa ao lado, na rua onde vivem. É tal qual a narrativa de Orwell, quando a sociedade da fictícia Oceania era dominada por um governo totalitário e pela vigilância. 

No catálogo de séries originais da Netflix, House of Cards perdeu força e importância diante da crescente chegada de novos lançamentos. Aproximar-se da realidade, mesmo que antes não fosse tão distante assim, é a arma do estúdio para não deixar o público escapar por entre seus dedos – tal qual as medidas extremas tomadas por Frank para permanecer na cadeira de presidente.

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