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‘House of Cards’ se engaja sem Kevin Spacey

Na última temporada, série levanta bandeira contra o machismo na política ao pôr Claire como presidente

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

25 Novembro 2018 | 06h00

A sexta e última temporada de House of Cards levanta uma bandeira contra o machismo na política ao colocar Claire Underwood (Robin Wright) como a primeira presidente da história dos Estados Unidos. 

A opção do roteiro foi uma clara resposta ao terremoto causado pelas acusações de assédio sexual contra o ator Kevin Spacey, o premiado protagonista da série que alavancou a plataforma Netflix

Quando o caso veio à tona, em novembro do ano passado, as filmagens estavam adiantadas. Spacey foi sumariamente demitido e as cenas gravadas jogadas fora. 

Foi diante do vazio e da pressão dos prazos que se optou pelo caminho quase militante de vislumbrar as dificuldades, preconceitos e reações à ascensão de uma mulher na Casa Branca. 

A ideia parecia ousada, mas frustrou as expectativas da plataforma. 

A massa indignada que aplaudiu a demissão de Spacey ignorou a bem-intencionada iniciativa da Netflix. 

Já os fãs (que restaram) da série e críticos foram duros com o desfecho da história. 

Claire definitivamente deixou muito a desejar a Hillary Clinton, a mulher que mais perto chegou da presidência dos Estados Unidos. A repercussão de House of Cards 6 foi praticamente nula. 

Sem Spacey, Robin Wright se viu sozinha diante do gigantesco desafio de dar um fim digno a uma série que marcou época. 

Um sinal do desgaste, porém, foi a decisão de reduzir de 13 para 8 episódios. 

Na trama, Claire chega aos 100 dias de mandato cercada de problemas, conspirações e ameaças. 

A presidente cerca-se de mulheres em seu gabinete, mas não consegue evitar o cerco do mundo corporativo e a desconfiança do mundo político. 

Dois irmãos de uma poderosa família norte-americana com interesses obscuros arraigados na presidência ganham protagonismo como os “vilões”. 

O quarto poder da imprensa também está presente, como nas temporadas anteriores. Dessa vez, entretanto, o jornalismo surge em meio a um debate promissor, mas mal explorado: a crise dos meios de comunicação a aquisição de jornais e emissoras por conglomerados com múltiplos interesses. 

Uma opinião recorrente de quem teve paciência para chegar até o final é que foi difícil entender o que se passou em House of Cards 6

A produção também abandonou de vez a liturgia do cargo que marcou época nas primeiras temporadas. 

Foi flagrante também a dificuldade de seguir em frente sem o ator que era a alma da série. Tudo pareceu meio improvisado. 

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