'Homeland' triunfa em Emmy com boa dose de realidade

"Homeland" desbancou "Mad Men" e ganhou, na noite de domingo, o prêmio de melhor série dramática do Primetime Emmy, que nesta edição favoreceu a política e as tensões do século 21 em detrimento de programas de época.

JILL SERJEANT, Reuters

24 de setembro de 2012 | 09h10

"Modern Family", série da ABC sobre as caóticas vidas de três casais aparentados e seus filhos, ganhou o prêmio de melhor série cômica pelo terceiro ano, e também os prêmios de direção e de coadjuvantes (para Eric Stonestreet e Julie Bowen).

"Estou rezando para que todo mundo não enjoe de nós", brincou o produtor executivo Steve Levitan.

"Homeland", thriller psicológico sobre um herói da guerra do Iraque que volta aos EUA após ser arregimentado pela Al Qaeda, ganhou o prêmio de melhor série dramática após apenas uma temporada sendo exibido no canal a cabo Showtime.

A série levou também os troféus de melhor roteiro e de melhores atores (os protagonistas Claire Danes e Damian Lewis), além de dois prêmios técnicos.

"Homeland", apontado como um dos programas favoritos do presidente Barack Obama, acabou com o reinado de "Mad Men", sobre publicitários da década de 1960, que ficou de mãos vazias. Foi o maior fracasso na história do Emmy, já que a série tinha 17 indicações.

"Homeland" derrotou também "Downton Abbey", sobre aristocratas e seus criados numa casa de campo inglesa, e "Game of Thrones", fantasia medieval da HBO. Esse foi o primeiro ano em que todos os indicados a melhor série dramática estavam na TV paga.

Danes, que interpreta uma agente bipolar da CIA num jogo de gato-e-rato contra Lewis, disse acreditar que "Homeland" tenha tido sucesso de público e crítica por não ser moralista nem ostensivamente política. Segundo ela, o fato de ser visto por Obama "fala sobre a relevância do programa, e lhe dá uma enorme validação".

A segunda temporada começa em 30 de setembro, num episódio que aborda um fictício --mas não impossível, na vida real-- ataque israelense a instalações nucleares do Irã.

A política é o tema também de outro programa muito premiado na noite, "Game Change", sobre a candidatura da republicana Sarah Palin a vice-presidente em 2008, que levou os troféus de melhor minissérie, roteiro, direção e atriz (Julianne Moore).

Julia Louis-Dreyfus, de "Veep" --série que também tem um viés político-- levou o prêmio de melhor atriz cômica. Jon Cryer, de "Two and a Half Men", surpreendeu na categoria de ator cômico.

Louis C.K. levou o prêmio de roteiro por seu programa "Louie", e de direção por seu especial de comédia stand-up.

Kevin Costner, estreante em TV, foi premiado pela minissérie histórica "Hatfields & McCoys". "The Amazing Race" foi escolhido o melhor reality show, e Tom Bergeron, de "Dancing with the Stars", foi o melhor apresentador de reality.

(Reportagem adicional de Lisa Richwine e Piya Sinha-Roy)

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