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Histórias de um mundo tão distante

Canal Brasil exibe série sobre a relação entre música brasileira e exílio político

Patrícia Villalba, O Estado de S. Paulo

08 de fevereiro de 2011 | 09h00

A própria dúvida sobre como conduzir um documentário sobre os anos no exílio de quatro músicos - Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jorge Mautner e Jards Macalé - abre Canções do Exílio - A Labareda que Lambeu Tudo, filme do jornalista Geneton Moraes Neto que o Canal Brasil exibe como série, em três capítulos, de terça a quinta-feira desta semana, às 22 horas.

"Por que não chamar o Paulo César Peréio? Um vozeirão que parece feito de chumbo grosso e cristal de quartzo", escreve o diretor, em texto narrado no filme pelo ator. "Não consigo ler nada com naturalidade, ficaria parecendo um vice-prefeito de cidade do interior em discurso de inauguração de cacimba", admite o jornalista, no mesmo texto, pouco antes.

Depois de um prólogo que acaba num questionamento existencial do jornalista, Geneton faz uma "expedição ao baú". "Produzir memória é uma das coisas úteis que o jornalismo pode fazer", diz.

Em 1973, então com 17 anos, ele esperava Caetano Veloso com seu gravador no Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife. O músico havia voltado do exílio em Londres no ano anterior. A fita permanece intacta - e a voz de Caetano, aliás, parece não ter envelhecido nada. "Fiquei longe, parecia que eu tinha morrido. Eu não existia, era um fantasma", diz Caetano.

Desde os tempos de aprendiz de repórter do Diário de Pernambuco, Geneton entrevistou não só Caetano, mas Gil, Mautner e Macalé diversas vezes. Nos depoimentos mais novos, gravados no ano passado, os músicos voltam aos tempos do AI-5, das prisões e do afastamento involuntário do País.

Mas o documentário não é só sobre isso. No primeiro episódio da série há, por exemplo, um pout-pourri interessante (e até divertido), de frases de Caetano sobre a imprensa, colhidas entre 1980 e 2000. "Todos os radicais, que eu até admiro muito, devem me considerar um liberal babaca", disse ele em 1982. Em 1994, Geneton voltou ao assunto. "Em 82, você disse que era um liberal babaca. E agora, o que você é?", perguntou. E Caetano respondeu: "Pelo visto estou cada vez mais liberal e mais babaca."

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