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Historiadores pedem para ter imagem retirada da série 'Guia Politicamente Incorreto', do History

Nomes como Lira Neto e Laurentino Gomes afirmaram que não haviam sido informados sobre o conteúdo do programa

Pedro Rocha, Especial para o Estado

23 Outubro 2017 | 15h16

A série documental Guia Politicamente Incorreto estrou no último sábado, 22, causando polêmica no canal brasileiro History. Baseado no livro de Leandro Narloch, o programa, em tom de humor, tem como objetivo "lança um novo olhar sobre fatos históricos do Brasil", a partir de entrevistas com especialistas sobre os principais acontecimentos do País ao longo dos séculos. 

Alguns historiadores entrevistados, porém, alegam que não foram informados sobre o conteúdo final, quando gravaram suas participações para o programa. Lira Neto foi um deles. "No dia 2 de fevereiro deste ano, uma equipe do History Channel veio em minha casa", disse Neto em publicação no Facebook. "Entrevistou-me para o que seria, segundo me informaram, genericamente, 'uma série sobre a história do Brasil'."

Só às vésperas da estreia, o historiador descobriu do que se tratava o programa, que levanta discussões sobre os acontecimentos históricos do País utilizando diferentes opiniões e humor, com apresentação do youtuber Felipe Castanhari. "O sentimento é de que fui ludibriado", desabafou Neto. "Ninguém me informou antes, durante ou logo após a entrevista qual era a inspiração do programa."

Após o depoimento de Lira Neto, outros historiadores relataram ter passado pela mesma situação, como Laurentino Gomes, Lilia Schwarcz, Mary Del Priore e Isabel Lustosa, além do jornalista Thales Guaracy. 

O autor do livro que inspirou a série, Leandro Narloch, também se pronunciou sobre o caso nas redes sociais. "Entendo a queixa dos entrevistados e concordo com o pedido", afirmou. "Quem participa precisa saber do que está participando. O entrevistado tem todo o direito de saber com quem está conversando e qual o objetivo da entrevista - não só para decidir se aceita falar, mas para moderar suas opiniões."

Narloch, porém, elogiou a produção do programa, que decidiu ampliar o debate do seu livro. "Desde o começo, o History tomou a ótima decisão de ouvir gente com convicções políticas diferentes das minhas e incluir declarações que até contrariavam o que eu afirmo no livro. Adorei essa ideia."

Laurentino Gomes, pelo Twitter, afirmou que as explicações de Narloch o deixaram "satisfeito". "Acho que não houve má fé dele e do canal History", relatou. "Só amadorismo e ingenuidade da produtora."

Em uma nova publicação no Facebook, Lira Neto afirmou que foi procurado pelo diretor da série, Matheus Ruas, da produtora Fly, que conduziu a reportagem. "Falei com o diretor/entrevistador da série, Matheus Ruas, que enfim reconheceu o erro ético", escreveu na rede social. "E, para remediar a barbaridade, comprometeu-se a retirar minha participação dos episódios, bem como eliminar qualquer menção a meu nome no material de divulgação."

Em nota, o canal History afirmou que "a tolerância e o diálogo devem prevalecer" e que remover as entrevistas com os especialistas iria "empobrecer o debate e o equilíbrio que o canal busca com a série". O canal afirmou ao Caderno 2 que está em contato com a produtora Studio Fly e, assim que decisões oficiais forem tomadas, irá se manifestar. Confira a nota do canal na íntegra:

"A série inclui opiniões diferentes, algumas que contrariam as afirmações do livro. O HISTORY conseguiu criar um programa jovem, relevante, com mais de sessenta historiadores e jornalistas com argumentos e visões divergentes. O HISTORY acredita que a tolerância e o diálogo devem prevalecer. Cortar alguns dos entrevistados certamente empobreceria o debate e o equilíbrio que o canal busca com a série. Todos os entrevistados assinaram a autorização de uso de imagem. Ainda assim, o HISTORY está esclarecendo a situação com a produtora Studio Fly e se manifestará oportunamente.”

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