Divulgação
Divulgação
Imagem Cristina Padiglione
Colunista
Cristina Padiglione
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Heloísa Périssé promete fugir do lugar comum em nova série

Atriz e roteirista de 'Segunda Dama' promete sair do esperado na clássica troca entre gêmeas

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

09 de maio de 2014 | 22h31

Gêmeas que trocam de papéis não é propriamente um argumento novo. Ao contrário, é puro clichê. Até Ruth e Raquel brincaram disso em Mulheres de Areia, só para ficar no plano televisivo nacional. A diferença, agora, é que não há a boa e a má, e sim a rica e a pobre. A narrativa é de série, e não de folhetim. E um mistério no passado de ambas há de provar que os clichês podem muito bem fugir do lugar comum - ou assim prometem as autoras de Segunda Dama, nova série da Globo, com Heloísa Périssé, que estreia dia 15, às 23h, na vaga de Doce de Mãe.

A própria Heloísa, tratada pelos colegas de profissão como "Lolô", é uma das roteiristas do programa, criado por Paula Amaral e Isabel Muniz, escritoras do time de Cheias de Charme, novela de dois anos atrás, e da atual Geração Brasil. O enredo vai naturalmente para a comédia e, com Heloísa, nem poderia ser diferente. "Uma vez a minha tia morreu e eu precisava tomar um avião para ir ao enterro, em São Paulo", ela lembra. "Quando cheguei ao balcão e disse: ‘me dá uma passagem, minha tia morreu’, o cara caiu na gargalhada. Então, eu devo mesmo ser engraçada, porque posso dizer a coisa mais simples, que vai pra comédia", diz.

Segunda Dama tem também um teor dramático a se revezar com o riso em questão de segundos. Esse é o ponto que leva o trio de autoras - Heloísa, Paula e Isabel - a citar o cineasta Pedro Almodóvar e o seriado Desperate Housewives como fortes influências de Segunda Dama durante a nossa conversa, em uma sala do Projac, no Rio.

"Como em Desperate Housewives, ou nos filmes do Almodóvar, a série tem isso: você ri numa cena, chora na outra e logo depois fica com medo. São várias sensações em um episódio", conta Isabel.

No papel das gêmeas, Heloísa fará, na verdade, quatro tipos: Analu, a rica, Marali, a pobre, e cada uma delas se desdobrando no papel da outra. Ah, sim, faz ainda as duas irmãs aos 20 anos, em cenas de flashback. "Achei que já tivesse trabalhado (muito) na vida, até fazer Segunda Dama", suspira Heloísa. Foram cinco meses de trabalho intenso entre gravações em estúdios e externas como Marechal Hermes e o Piscinão de Ramos, onde Marali, moradora do subúrbio, ganha a vida como ambulante.

"E é um elenco enxuto, tudo muito concentrado", reforçam Paula e Isabel. "Quando eu ia a uma reunião, brincavam que a reunião já contava com 70% do elenco", emenda Heloísa.

O cast se completa com Dan Stulbach, marido de Analu e vítima de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Laura Cardoso, sogra de Analu, Hélio de la Peña ("a cereja do bolo", avalia Heloísa), como traficante encantado por Marali, Elizângela, a confidente de Marali e autora do diagnóstico que atribui à amiga um "dedo podre para homem", Zezeh Barbosa, uma das empregadas de Analu, e João Pedro Zappa, seu filho, além de Fábio Lago, um curinga em cena.

O mistério do enredo, dividido em nove episódios, está nos motivos que levaram as duas a se separarem, quando tinham 9 anos de idade. Nos anos seguintes, por muito tempo, as duas mal se falavam. Desde a infância, era Analu quem dava as cartas. Agora, é de novo ela, insatisfeita com sua vida, quem sugere a troca de papel com a outra.

"A pobre leva a sério, acha realmente que ela tem que encarnar a rica, viver como a rica, mas a rica tem um outro objetivo, que aos poucos vai sendo mostrado", adianta Heloísa.

Analu é taciturna. Marali, solar. "Eu me sentia jogando carta sozinha: torcia por esse de cá, mudava de lugar e torcia pelo de lá. Fiz questão de compor as duas de uma forma diferenciada", fala Heloísa.

A diferença de signos do zodíaco, fato que a atriz criou para defender personalidades tão distintas no mesmo set, justifica a distância entre os temperamentos. "A mais velha é Analu, de Escorpião. Quando a Marali nasceu, minutos depois, o signo virou para Sagitário. Uma tem todas as características de escorpião, mais calada, mais sexual, enquanto a Marali já é sagitário, ela é solar e tem a sabedoria do terceiro signo do fogo - áries é fogo de palha, leão é a paixão e o sagitário já é aquele fogo mais brando."

Leonina e mãe de duas meninas - uma geminiana e outra leonina, como ela - Heloísa entende do assunto.

A maquiagem e o figurino de Analu e Marali também ajudaram um bocado na construção das gêmeas, e a própria equipe da série, ao vê-la entrar no estúdio como Marali, já reagia com uma simpatia que Analu não despertava no set.

Assim como as séries americanas, a ideia é encerrar cada episódio em si, sempre deixando um gancho para o capítulo seguinte. E se a troca de papéis entre gêmeas é um hit na dramaturgia mundial, o clichê é muito bem-vindo. "Meu pai sempre me disse: ‘minha filha, ninguém ama o desconhecido’", constata Heloísa.

Tudo o que sabemos sobre:
Heloísa Périssé

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.