Divulgação
Divulgação

Helena da nova novela não é tão boa moça

Protagonista de ‘Em Família’ também tem momentos em que parece vilã

João Fernando, O Estado de S. Paulo

02 de fevereiro de 2014 | 03h00

Após meses do chororô interminável da Paloma de Amor à Vida, as lágrimas vão continuar a rolar na nova novela das 9 da Globo, Em Família, que estreia na segunda. Apesar de precisar de um lencinho a tiracolo, a protagonista não vai apenas sofrer com as maldades alheias. A última Helena do autor Manoel Carlos também vai deixar os outros com os olhos vermelhos.

“Acho que as Helenas, assim como qualquer outra personagem do Maneco, são humanas. Ele trata do nosso dia a dia. Como a gente tem a visão de mocinha que sempre faz o bem, o Maneco muda um pouco isso. Ela é apenas uma mulher comum, que é capaz de tomar atitudes muito erradas, mas é de coração bom. É humano”, avalia Bruna Marquezine, que interpreta a personagem na segunda fase da nova trama.

Em Família marca a despedida das protagonistas com o mesmo nome, história que começou em Baila Comigo. Desta vez, ela terá três caras diferentes. Na primeira fase, no início dos anos 1980, que dura apenas um capítulo, quem encarna a jovem é Julia Dalavia. Em seguida, em uma segunda etapa ambientada no fim da mesma década, é a vez de Bruna Marquezine, que na terceira interpreta Luiza, filha de Helena. Nos dias atuais, o rosto da personagem é de Julia Lemmertz.

O enredo começa na fictícia cidade de Esperança, em Goiás, Estado onde a emissora teve dificuldade para alavancar a audiência. Lá, Helena desenvolve uma paixão por seu primo Laerte. Mesmo com a tensão familiar que o romance provoca, a situação fica ruim para valer quando Virgílio, amigo do playboy, também se apaixona por ela.

Em meio à disputa pelo coração da moça, Laerte tem uma briga física com Virgílio e, depois de um acidente, acredita ter matado o amigo. Ele, então, tenta se livrar do corpo quando está prestes a se casar com a amada. No altar, porém, a polícia chega e o leva. Na sequência, o jovem segue para uma temporada na Europa. A trama salta para décadas mais tarde, em que Helena aparece casada com Virgílio, então vivido por Humberto Martins. Quando tudo parece tranquilo. Laerte, que a partir daí passa a ser interpretado por Gabriel Braga Nunes, retorna ao Brasil.

"Quando Helena sabe que ele vai voltar, tudo vem à tona. Ela tem ódio e um amor não consumado. Ficou uma coisa mal resolvida”, conta Julia Lemmertz. É nesse momento que um outro lado da protagonista, que tentar esconder o passado da filha, aparece e os conflitos surgem. Numa cena, gravada há duas semanas, Luiza mexe em uma caixa de memórias da mãe e provoca sua ira. A briga foi tão intensa que as atrizes demoraram para conter os ânimos após a câmera parar de rodar.

“Foi uma cena violenta. Às vezes, a coisa pega, mas temos de nos recuperar para fazer a cena seguinte. No final, a gente se abraçou e se reconciliou”, relembra Julia, que tentou criar uma relação com Bruna antes de a novela começar. “Quando a gente podia, ficava junto. Saiu para almoçar, para tomar sorvete. Era necessário esse convívio. Falo para todo mundo que me sinto a filha dela”, derrete-se a jovem atriz.

Bruna, inclusive, passou a frequentar a casa de Julia. “Meu filho, Miguel, de 13 anos, adorou. Ele acha a Bruna linda, ficou animadíssimo, tirou onda com os amigos. Ela não me pede conselhos, mas eu a trato como se fosse minha filha. A gente tem muita confiança uma na outra. Ela é uma graça, superdedicada”, diz a veterana.

Quando não está vivendo os dramas em casa, Helena exercerá a função de leiloeira em um negócio familiar. Antes de ser escalada para o papel, Julia só havia ido a eventos beneficentes. Para entrar no clima, ela frequentou leilões reais. “Achei interessante. Fiz ótimas aquisições. Comprei gravuras do (Rubens) Gerchman, Siron Franco e uma bandeira do Hélio Oiticica, que dei de presente para o Alexandre (Borges, marido). São coisas que estão escondidas e não têm preço de galeria de arte”, ensina. A atriz jura não ter perdido o controle. “Quando queria algo, batalhava. Mas você tem de saber a hora de parar.”

Tradição em novelas de Manoel Carlos, o bairro do Leblon, na zona sul do Rio, vai ambientar grande parte das ações. Por conta das obras de preparação para os Jogos Olímpicos, que tomaram as ruas da capital fluminense, o local foi reproduzido em uma cidade cenográfica do Projac. “Mas ele é diferente, as ruas estão misturadas”, entrega Julia, que costuma circular de bicicleta pelo bairro real.

Em meio às horas de trabalho, a atriz conta que, por estar no lugar que lembra o Leblon, sente mais falta. “Queria que a padaria fosse de verdade, que houvesse a loja de tortas.”

A intérprete de Luiza começou na TV em Mulheres Apaixonadas (2003), também escrita por Manoel Carlos. Na trama em questão, deu vida a Salete, uma criança que tinha premonições sobre a morte da mãe, vítima de um tiro em plena rua, no Leblon. Com nove novelas no currículo, a atriz revela ainda sentir insegurança na produção do autor que a lançou. “Claro. Por que não sentiria? Independentemente de anos de trabalho, a gente se sente inseguro. Eu sou muito crítica. A cada trabalho, a gente vai aprendendo mais”, contou em conversa com o Estado por telefone.

Apesar de ter deixado a imagem de menina dos outros papéis para trás, desde que apareceu inúmeras vezes de roupas curtas em Salve Jorge (2013), a jovem de 18 anos afirma se sentir uma garota. “Eu não sou mulherão, para com isso. Eu não acredito que me vendam assim. Tem muita gente que me vê assim. Não é a visão que tenho de mim mesma”, defende ela, anunciada como beldade em comerciais. A atriz ganhou status de estrela ao engatar um romance com o jogador Neymar. “Vida de celebridade? Ai, meu Deus. É uma consequência do meu trabalho estar exposta.”

Por conta do namorado ilustre, Bruna passou a ser alvo dos paparazzi. Entretanto, garante não se incomodar. “Tenho de viver a vida, não? Não adianta me preocupar com fotógrafo ou com o que vão dizer. Isso é uma coisa que aprendi. E não acontece só comigo, mas com todo mundo que está nessa profissão. É uma coisa com que estou aprendendo a lidar. Para mim, também é uma novidade.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.