HBO/ NYT
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Helen Mirren interpreta imperatriz russa em nova minissérie da HBO

Aos 74 anos, ela também diz que Catarina só é lembrada por sua ‘depravação sexual’, o que considera uma reputação ‘injusta’

Julia Jacobs, The New York Times

19 de novembro de 2019 | 07h00

No primeiro episódio da minissérie da HBO, Catarina, a Grande, a imperatriz da Rússia está debruçada em sua escrivaninha descrevendo suas ambições políticas enquanto seu amante ciumento olha num espelho de mão se preparando para um baile de máscaras no palácio travestido de mulher. “Sinto que algo mudou entre nós”, diz ele, usando um vestido dourado, a maquiagem ainda pela metade. Catherine (Helen Mirren) usa um terno masculino com um chapéu de três pontas que a faz parecer uma revolucionária americana. Ela se levanta da cadeira, vai na direção do seu companheiro, e em algumas frases sucintas, coloca um fim no romance. “Você quer algo que não posso lhe dar. Você quer poder”, diz ela.

O amante, o conde Orlov, que a ajudou a tramar o golpe que derrubou o marido de Catarina, Pedro III, acha que está na hora de eles se casarem e ele assumir um papel mais poderoso no governo dela. Mas Catarina vê um exército de homens em torno dela tramando para se apropriar da sua autoridade, o que ela não tem nenhuma intenção de ceder. “Eles a subestimam completamente”, disse Helen Mirren. “A partir daquele momento ela sabe que tem de controlar os aristocratas à sua volta. E ela o faz, sendo mais astuta do que eles.

A vida de Catarina, a Grande, sempre foi tema de dramas cinematográficos. Mas no passado os cineastas se centralizaram na história da vida dela – como governou um império durante três décadas e meia. No entanto, a minissérie da HBO, em quatro episódios, que será reprisada a partir do dia 25, tem por foco a imperatriz no auge do seu poder. A série retrata Catarina durante o seu reinado de 34 anos, à medida que ela vai evoluindo de uma usurpadora idealista, vulnerável se desfazendo dos inimigos de todos os lados e se torna a autocrata tirânica que não sonha mais com a liberalização do país. No centro da história está o seu turbulento romance com Grigory Potemkin, o homem que, para os historiadores, foi o grande amor da vida dela.

“Esta parte da história é mais interessante do que a da jovem na corte tentando encontrar o seu caminho”, disse Nigel Williams, que escreveu o roteiro da série. “É sobre uma mulher incrivelmente poderosa e que exerce esse poder com muito tato e finesse”. Segundo Williams, a opção de focar em Catarina em seus últimos anos foi motivada em parte pelo desejo de colocar Helen Mirren no papel. Aos 74 anos ela tem uma enorme experiência em representar uma monarca. Ela conquistou um Oscar em 2007 pela sua interpretação da rainha Elizabeth II em A Rainha e antes havia feito a minissérie britânica Elizabeth I, que conquistou vários Emmys.

Helen Mirren também tem vínculos familiares profundos com a Rússia – no sentido de que é mais russa do que a própria Catarina, que nasceu de uma família aristocrata alemã, com o nome de Sophia von Anhalt-Zerbst.

O pai de Mirren nasceu na Rússia e seu avô foi coronel do Exército russo durante a guerra russo-japonesa. Na Primeira Guerra Mundial ele foi convidado a viajar para a Grã-Bretanha numa missão diplomática e a revolução russa de 1917 o impediu de voltar ao seu país. “A razão pela qual eu existo na Grã-Bretanha foi porque ele foi enviado pelo czar para fazer um acordo armamentista com o governo britânico e basicamente afastado do país pela revolução”. Catarina, que governou de 1762 até 1796, comandou a expansão territorial do império e o reconhecimento do seu país como poder global. A série da HBO menciona alguns dos eventos notáveis do seu reinado, mas a única coisa que muitas pessoas sabem sobre Catarina é a sua “depravação sexual”, disse Helen Mirren, uma reputação que considera injusta e misógina. Os contemporâneos de Catarina gostavam não só de fazer intrigas sobre a vida sexual da imperatriz, mas também fabricavam histórias grosseiras a respeito, incluindo uma lenda falsa sobre um encontro final, fatal, com um cavalo. 

Na medida que a série avança pelas décadas, Catarina entra na fase dos 60 anos e começa a refletir sobre o significado da sua vida. Ela começou seu reino energizada pela ambição de libertar milhões de servos russos e no final desistiu desses ideais liberais para expandir seu império. Ela tem acessos de tirania e se torna hipersensível aos perigos que a cercam. De acordo com o diretor da série, Philip Martin, que dirigiu alguns episódios de The Crown para a Netflix, disse que quis explorar na tela como Catarina se tornou uma figura emblemática que era e como, no final da sua vida, enfrentou as escolhas que havia feito. “Tem a ver com as consequências e o custo de se aferrar ao poder. É uma jornada vendo essa mulher mudar com o tempo e estar com ela no final, tentando imaginar o que tudo significou”. 

(Tradução de Tereza Martino)



 

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