Hablas portuñol?

Com uma produção nada tabajara, mas com elenco duvidoso, vem aí Donas de Casa Desesperadas

Etienne Jacintho, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2007 | 01h44

Um dia atípico na capital argentina. A neve caía sobre a cidade deixando a paisagem branca. Desde 1918 não nevava por lá e, enquanto a população fazia festa, a equipe de Donas de Casa Desesperadas mudava o esquema de filmagem. Externas, nem pensar! O cenário que a Disney montou em Pilar, cidade da Grande Buenos Aires, para reproduzir a Wisteria Lane de Desperate Housewives, estava coberto de neve. E fazer o público acreditar que aquela rua típica do subúrbio americano exista de fato no Brasil já é difícil; com neve, fica impossível! A saída foi rodar cenas no interior das casas. Solução para a equipe e uma tortura para os atores. Afinal, não é apenas o cenário que tem de convencer os brasileiros. O figurino também é essencial. Franciely Freduzeski é quem mais sofre com seus decotes na pele de Gabriela. Mas é hora de tirar o casaco, o cobertor e as luvas. Ação! Essa é uma visão recorrente nos bastidores. Aguardando o sinal do roteirista e co-diretor Marcelo Santiago, Teresa Seiblitz e Viétia Zangrandi pulam para aquecer o corpo e aguardam ansiosamente o corte para buscar suas bolsas de água quente. Já Isadora Ribeiro tenta enganar a figurinista: coloca meias sob o escarpin. Levou um puxão de orelha! Quem disse que não sacariam o ultraje? As gravações de Donas de Casa são de enrolar a língua. De um lado, brasileiros tentam falar espanhol; de outro, argentinos tentam entender portunhol. Fábio Barreto comanda a direção no estúdio da Pol-Ka - produtora argentina -, em Buenos Aires, e Santiago dirige as cenas em Pilar. Cada um conta com assistentes de direção argentinos - bom para dirigir os atores do elenco secundário que também hablam espanhol. Figurinistas e maquiadores são portenhos, assim como o gosto deles. Ou seja, apesar de o figurino ser parecido com o da série original, o tempero latino está lá nas cores, nos babados, nas estampas e na maquiagem exagerada. As atrizes tentam conter a fúria dos pincéis, dos batons e do laquê... O tom rosa do batom de algumas personagens dói nos olhos. E o babado na blusa de Lucélia Santos é de chorar! Mas a essência de Desperate está lá. O texto é o mesmo e a vontade da equipe de fazer a série com gosto tropical pode ser um erro, uma vez que Desperate é pura fantasia com personagens caricatos. Não se vê Desperate com os olhos de quem vê novela. E não se encara um remake de Desperate como um de novela, pois a Disney exige que o roteiro e até diálogos originais sejam respeitados. Pequenas modificações são aceitas. Já as atrizes divergem no jeito de trabalhar. Isadora Ribeiro não quis ver Nicolette Sheridan interpretar Edie para não copiar. Já Viétia Zangrandi fez questão de imitar a Bree de Marcia Cross. "Ela faz o papel perfeitamente bem", justificou a atriz, com toda a razão. Não é cópia mesmo? Então que seja bem-feita!

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