'Há mudanças precipitadas'

Em entrevista, Irene Ravache diz que 'é contra intervenções bruscas nas novelas'

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2007 | 11h45

Loreta, personagem de Irene Ravache em Eterna Magia é um caso clássico de bipolaridade em novelas. Começou a trama como uma mulher amarga e intratável, depois que o marido, Joaquim (Osmar Prado), a trocou por Regina (Giulia Gam). De tão rancorosa, chegou a jogar uma maldição em Regina que, logo depois, morreu no parto. Mas, ao longo da história, Loreta ficou irreconhecível de tão boazinha e amável. Acabou conseguindo que o ex-marido lhe pedisse perdão e, de quebra, teve final feliz com um novo amor.Estava prevista a mudança de Loreta ou ela sofreu rejeição do público?O público entendia as razões dela e até justificava sua maldade. Mas desde o início eu sabia que ela iria se redimir. Na vida real, as pessoas mudam tanto assim?Tem gente que não se agüenta mais, mas não sabe como mudar, ou tem vergonha. A Loreta amoleceu o coração com a ajuda de Joyce (Marcella Valente), que perguntava: "Mas a senhora nunca errou?" Me agarrei nessa frase para a compor a personagem.Mudanças bruscas prejudicam um papel?Não se o ator é experiente, porque faz parte do jogo da TV. Mas quem idealiza as mudanças tem de ser cauteloso.Há precipitação?Algumas vezes sim. Veja, não sou contra mudança do personagem, nem isso me assusta. Quantas vezes um roteiro de cinema ou uma peça de teatro são modificados? Mas nesses casos, tudo é feito por quem está desde o início no processo de criação.O que acontece na TV?Um grupo de discussão, sem a participação dos atores, se reúne e decide o rumo da novela, baseado em audiência, aceitação do público, etc. Às vezes, basta apenas um pouco mais de tempo para que o público se acostume com a trama. Como acha que deveria ser?Sei que a TV e o patrocinador precisam da avaliação do grupo de discussão. Mas mudanças também causam estranheza no telespectador. Só se faz boa mudança se houver profundo conhecimento do trabalho do ator e uma boa análise. Mas se mudarem só porque alguém disse "não gosto do personagem", eu discordo.

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