Grupo Os Melhores do Mundo estreia série de humor em que Brasil é vendido para China

Grupo Os Melhores do Mundo estreia série de humor em que Brasil é vendido para China

'Planeta B' estreia nesta segunda, 10, no Multishow, com a companhia de comédia, da qual faz parte o humorista Welder Rodrigues, o Jajá do antigo 'Zorra Total' e do quadro 'Jardim Urgente', do 'Tá no Ar'

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2017 | 05h00

Sucesso nos palcos pelo Brasil, o grupo de teatro Os Melhores do Mundo estreia no canal Multishow, nesta segunda, 10, às 22h30, a série humorística Planeta B. Nascida na cena cultural de Brasília há duas décadas, a companhia de comédia já teve outras experiências na televisão, mas esse projeto é o primeiro que leva a assinatura da trupe, incluindo o roteiro, a cargo de dois de seus integrantes, Jovane Nunes e Victor Leal. O grupo é formado ainda por Adriana Nunes, Ricardo Pipo, Adriano Siri e Welder Rodrigues. Com direção de César Rodrigues, o elenco traz Esther Dias e a cantora Manu Gavassi, que faz participação especial. 

Welder Rodrigues e Adriana Nunes ficaram conhecidos na TV como Jajá e Juju entre 2006 e 2009, no extinto Zorra Total, na Globo. Atualmente, Welder é destaque no humorístico Zorra e no programa Tá No Ar, ambos também na emissora. Agora, em Planeta B, todos do grupo estarão diante das câmeras. Mesclando sátira política e ficção científica, a série, com 24 episódios e gravada em 4K, se passa no ano de 2089. Nesse cenário, o presidente Olavo Jatobá, um dos personagens de Welder, numa jogada política, vende o Brasil para a China. “A maior potência do mundo hoje é a China”, justifica Welder Rodrigues, ao Estado. Assim, os brasileiros precisam desocupar o País. E, enquanto toda a população improvisa um acampamento nos Lençóis Maranhenses, a primeira Missão Espacial Brasileira, a bordo da nave Arara 1, sai em busca de um planeta a ser habitado. 

Apesar de apostar todas as fichas no humor, o texto da série poderá levar o espectador a fazer paralelos com a atual situação política brasileira. “O projeto é do ano passado, mas várias piadas já bateram, porque está difícil a realidade”, diz Welder Rodrigues. “A gente de Os Melhores do Mundo nunca quis ser um grupo panfletário. O objetivo 1 sempre foi o riso. Hoje, a gente é tachado de humor inteligente, mas não é o caso. A gente quer fazer rir, mas, como a gente fala de situações cotidianas, a gente fala de política, da falta de política. Mas nunca foi regra querer fazer humor político”, completa o ator e humorista.

Mas, quando o texto surgiu, o País já passava por uma turbulência forte, certo? “Essa turbulência vem desde depois que o (Fernando) Collor foi eleito. A gente tem altos e baixos, mas a gente é um país bebê. Nossa democracia é muito jovem, a gente está aprendendo a fazer democracia”, responde Welder.

Portunhol. Além de interpretar o presidente Jatobá – descrito como “muito popular, consegue sempre reverter as denúncias em mentiras dos invejosos e ser cada dia mais querido” –, o humorista brasiliense, de 47 anos, faz o humanoide Sebastiborg, que integra a tripulação da nave. “Todo mundo faz dois personagens, na Terra e na nave. Tem momentos em que a gente interpreta com a gente mesmo. Na nave, faço o Sebastianborg. A gente pegou os estereótipos de nave. Sou meio robô, meio humano, falo portunhol – era uma placa japonesa, mas eles compraram uma falsificada para ficar mais barato”, descreve ele. 

Ainda na história, Ricardo Pipo se divide entre o deputado Tetéu, líder da oposição e inimigo de Jatobá, e Wesley, piloto da nave que tem síndrome do pânico. Adriana Nunes fica entre a primeira-dama Jussara, que nem sempre apoia o marido, e a engenheira da nave, Paola, única competente na tripulação. Victor Leal é o juiz Nascimento, autoridade judicial e também policial, e Luan, o médico da nave, especializado em dermatologia. Já Jovane Nunes vive tanto o bispo Cafuringa, autoridade religiosa – sua religião vem do futebol –, como o capitão Neymar, estereótipo do comandante durão.

Foram três meses de gravação, de segunda a sábado, de manhã à noite. Welder conta que durante esse período o grupo só se dedicou à série. “Foi nossa primeira pausa de 3 meses em 22 anos.” Eles estão de volta à estrada, apresentando-se em todo o País. “A gente usa nosso repertório, tem 20 peças. O que a gente mais faz é Sexo – A Comédia, Notícias Populares, Hermanoteu na Terra de Godah e Tira – Codinome: Perigo.”

Welder adianta que a trupe do Tá no Ar, da qual ele faz parte também, grava nova temporada a partir de outubro. E um dos destaques do programa, Jardim Urgente, no qual ele faz o apresentador Jorge Bevilacqua, que odeia crianças – e usa o bordão ‘Foca em mim!’ –, estará de volta. O humorista arrisca uma teoria sobre o sucesso do quadro. “Estou ali falando mal da criança. Todo mundo passa o dia elogiando ela. Quando vem o cara falando ao contrário, você vira o palhaço, porque é o erro”, analisa. “Ali a criança se sente mais inserida, porque ela é a piada. O humor é o erro, é o errado, a gente ri do nosso erro. Pode ser isso.”

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