'Gosto da vida que está na cara'

Passinhos indianos? Não, Laksmi é quem faz a nora dançar miudinho na novela

Keila Jimenez, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2009 | 23h27

Foram quase três meses de estudo da cultura indiana, e nem uma só gota do Gangis ao seus pés. Laura Cardoso não estava no time de atores que atravessou o mundo para gravar a trama das 9 da Globo na Índia, mas, are baba, não existe uma indiana mais temida do que ela. Laksmi Ananda é originalmente uma peste. Não há um só dia em que não perturbe as mulheres da casa, em especial, sua nora Indira (Eliane Giardini). Cobra Naja, como é chamada pelas rivais, Laksmi traz Laura Cardoso ao posto de sogra megera da vez. Opa! Pleonasmo? Não. Tudo em Laura passa longe da redundância.

    

Imaginava que sua personagem seria tão odiada?

Dentro da cultura indiana, Laksmi está certíssima. Essa sogra deve ter sofrido pressão da sogra dela. É uma coisa milenar deles...Vai de sogra para sogra, eu infernizo minha nora, e minha nora inferniza a nora dela... (risos)

Sabia que sogras indianas eram assim?

Tivemos aulas sobre a cultura indiana e foi falado muito sobre essa relação de sogras e noras. Achei que ela seria uma mulher rígida e até chata, mas não tanto (risos).

O público já está reclamando de você nas ruas?

Todo mundo fala que sou uma peste (risos). Mas, na verdade, não sou só eu a Naja da casa. Todas lá são cobras. Elas disputam o poder da casa entre elas, só que sai sempre ganhando a cobra mais velha (risos).

E fazia tempo que você não fazia uma megera...

Sabe que não me lembrava disso. Fazia muito tempo mesmo...

Você gosta das vilãs?

Gosto do meu trabalho. As pessoas é que gostam das vilãs. Quando fiz Mulheres de Areia,o público gostava mais da gêmea louca...Acho que precisamos ir para a psicologia para entender por que tanto nos encantamos pelos vilões.

A crítica diz que as novelas de Glória Perez têm textos muito mastigados. O que acha disso?

A Glória é uma autora que se aprofunda no texto, não perde a oportunidade de esclarecer ao público o que está querendo passar. As pessoas falam: "Ah, é mastigado demais..." Tem de ser mastigado. Trata-se de novela... Ora, falam também que ela exagera na ficção. Gente, é ficção, tem licenças poéticas, tem sonhos, encanto. Nosso compromisso com a realidade é outro, senão vira documentário...

Você fez aulas dança?

Todo o elenco fez, mas não deu para virar um exímia dançarina (risos). Alguns aprenderam mais, outros menos (risos). O importante é que a gente se diverte nas cenas de dança... Muito.

Laksmi vai piorar com a chegada da nova nora, a Juliana Paes?

Ela está ansiosa com a chegada da Maya, mas, no fundo, quer mesmo é mais uma nora para atormentar.

Além da dança, os figurinos da novela chamam muito a atenção, não é?

São esplendorosos. Pena que eu não possa me enfeitar muito, as viúvas não se enfeitam. Mas, o indiano em geral tem uma coisa com a vaidade. Eles gostam de joias. Querem pulseiras, colares, ouro... Fico impressionada com o antagonismo dessa relação do indiano com a vaidade e a riqueza.

Por quê?

Ao mesmo tempo que eles são espiritualistas, são materialistas. Querem muito ouro, dinheiro, enfeites. Não tem sentido toda essa vaidade.

Falando em vaidade, é verdade que você nunca faria plástica, nem colocaria botox?

É sim. Não tenho nada contra, mas plástica não faz minha cabeça. Gosto da minha cara, das minhas rugas, da vida que está na minha cara. Não mudaria ela. Tudo o que vivi está escrito lá.

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