Alex Carvalho/Divulgação
Alex Carvalho/Divulgação

Glória Pires volta a ser má na novela 'Babilônia'

Figurino sensual e chique norteia índole de Beatriz, a grande vilã da nova trama das 9 da Globo

Entrevista com

Glória Pires

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

14 Março 2015 | 16h00

Com um guarda-roupa de fazer inveja à personagem de Adriana Esteves, Glória Pires estreia esta segunda, 16, sua sétima personagem em novela de Gilberto Braga, autor que lhe deu alguns dos papéis mais notáveis de sua carreira, a começar por Marisa, de Dancin’Days (1979), quando tinha 15 anos. A confiança no autor é tamanha, que quando ele a convidou para Babilônia, ela nem perguntou do que se tratava. “Topei na hora”, disse ao Estado. Beatriz, a criatura da vez, é a grande megera do novo folhetim das 9 na Globo. Ainda dentro do universo “Gilbertiano”, como ela diz, a última vez que despertou ódio na plateia foi como Maria de Fátima, em Vale Tudo (1989).

Bem-nascida e bem casada, Beatriz fica viúva e vai à falência, mas logo arruma outro bom casamento. Tem talento para engordar a conta bancária, sem pudores éticos. Babilônia é assinada por Gilberto, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, com direção de Dennis Carvalho.

Atores defendem seus personagens, mesmo quando são vilões. Você vê Beatriz como vilã?

Hoje em dia os autores fazem as personagens muito mais humanas. A vilania está muito ligada a uma ideia do mal que muitas vezes está presente no nosso dia a dia de formas pouco dramáticas, como os crimes de colarinho branco. Mas quem desvia dinheiro público para fins próprios é vilão. Então, a Beatriz acaba sendo uma vilã (risos). Não estou defendendo, de forma nenhuma, estou simplesmente fazendo. Ela é muito desencanada, não tem a coisa da culpa. Dentro disso, tenho encontrado nas cenas muito humor, muito deboche. Tá ficando uma personagem inusitada, nada óbvia, que sempre pode surpreender.

Os autores disseram que você faria uma ninfomaníaca pela primeira vez. Como é isso?

Acho que eles falam ninfo como forma de expressão, porque a ninfo não tem prazer e a Beatriz tem prazer, ela adora sexo, adora o ‘esporte’. A ninfo tem uma necessidade sem-fim, a Beatriz não se encaixa no que eu estudei sobre ninfo. Ela é dominadora, manipuladora, e tem no sexo uma válvula de escape.

O figurino da Beatriz tem sido muito elogiado. Você usaria aquele guarda-roupa no seu dia a dia?

São roupas muito lindas, chiques, elegantes, têm uma pegada sensual. Tem várias roupas que eu usaria, claro.

Adriana Esteves fica com as peças genéricas, honrando a personagem que inveja Beatriz, é isso?

É, e é interessante porque no figurino, fica muito clara essa distância, isso é bom pra relação das duas. Tô muito feliz com a novela. Os núcleos todos estão funcionando muito bem. 

Gilberto Braga é o autor mais presente no seu currículo. Há uma preferência?

Tem um encontro. Já é a segunda novela que o Gilberto me reserva sem eu saber o que é. A outra foi a Norma, de Insensato Coração. Como Daniel Filho: quando propôs Se Eu Fosse Você, ele falou: ‘Quero fazer um filme com você e o Tony Ramos e quero saber se você topa, mas não tenho o roteiro’. Falei ‘topo’. Mas aí tem a confiança de muitos anos, tem a vontade de trabalhar com aquela pessoa e a certeza de que ela não vai te botar numa roubada. 

Você consegue eleger um trio de personagens prediletas?

Maria Moura, as gêmeas Ruth e Raquel (Mulheres de Areia) e a Maria de Fátima (Vale Tudo). 

A índole de Beatriz é pior que a de Maria de Fátima?

São situações diferentes. A Fátima vende a casa em que a mãe morava. Era uma jovem, queria chegar a algum lugar, é diferente de uma pessoa madura. Ela não fazia isso pensando no mal da mãe. Eu sempre disse: a Fátima não é uma vilã, ela é amoral. Ela queria se dar bem, era inconsequente. O interessante das personagens gilbertianas é que elas são muito humanas. Acho que isso faz as pessoas se verem, se identificarem ou se comoverem. 

Você é a exceção à regra de que é no teatro que o ator aprende o ofício. Sua ausência dos palcos é escolha ou acaso?

Foi uma coisa que se definiu assim. Fiz uma peça infantil com um grupo de amigos quando eu tinha 16 anos, era uma delícia, mas as oportunidades na televisão vieram muito cedo e de uma forma muito intensa. Não me vejo fazendo novela e teatro. Se um dia acontecer essa minha incursão pelo teatro, teria que ser um momento perfeito, em que eu tenha tempo pra me dedicar. Não aconteceu, talvez aconteça, não sou uma pessoa fechada.

Você também foge da obsessão por intervenções plásticas. Isto não é revista de beleza, mas, vendo você aos 51 anos, não custa perguntar: qual é a receita?

(Risos) Eu me preocupo muito com a minha saúde. Boa saúde é o melhor remédio pra qualquer coisa: tem que fazer exames, ter uma rotina de exercícios e alimentação. Não tem milagre. A gente vive uma rotina de alto estresse. A minha médica ortomolecular diz: ‘Você tem um desgaste físico e mental como de um atleta’. Só estou tentando puxar o freio de mão da ladeira que segue abaixo. Quero curtir meus netos. Minhas filhas estão um pouco lentas nisso, mas tenho fé que este ano eu estreio na carreira de avó.

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