Globo investe em programas musicais para o de fim de ano

Globo investe em programas musicais para o de fim de ano

Luiz Gleiser, diretor das atrações, dá detalhes da nova temporada do 'Sai do Chão' e do especial de Roberto Carlos

João Fernando, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2014 | 03h00

 Se as reservas de água estão para acabar em dezembro, vai haver excesso de música na programação de TV. Este ano, em que a dramaturgia amargou baixos índices de audiência, a Globo resolveu investir em atrações musicais na reta final de 2014. Uma das apostas é a nova temporada do Sai do Chão, prevista para o dia 21, que desta vez terá um dia dedicado à MPB, em meio aos ritmos mais populares que dominaram a edição anterior, encabeçada por figuras pops, como Anitta, Paula Fernandes e Naldo Benny. Agora, a cantora Maria Rita estará à frente de um dos episódios.

“O mundo não é só tecla SAP, de sertanejo, axé e pagode”, brinca o diretor Luiz Gleiser, responsável pelos principais programas musicais da emissora. Ele explica que a ideia do Sai do Chão é fazer os cantores se misturarem com colegas de outros estilos. “O conceito básico é mostrar o artista de maneira diferenciada”, conta o carioca, que juntou Maria Rita com Marcelo D2, Fundo de Quintal e Demônios da Garoa.


Entre as estrelas de cada edição desta temporada estão Michel Teló, na estreia, Alexandre Pires e a dupla Victor & Léo. O repertório é definido pelos artistas, que se veem pela primeira vez no palco do estúdio. As apresentações serão intercaladas com entrevistas e imagens de bastidores. “E temos o indutor de sonhos, uma pessoa que se aproxima e conversa com o cantor, mas não aparece. No final, é como se o artista estivesse falando com o telespectador.”

Cabeça das temporadas recentes do Som Brasil, Gleiser, de 64 anos, vê a importância da retomada de atrações 100% musicais. “A gente teve de lutar para recuperar esse espaço na TV”, disse ao Estado

O diretor tem uma teoria sobre o tratamento da música em programas de TV. “Existe música proprietária e não proprietária. Se o sujeito está lançando CD, vai ter uma música de trabalho para tentar exibir para o maior espectro possível em canais aberto e fechados. Depois de um tempo, aquela música vira um commodity. Aquela interpretação daquela música, todo mundo já viu. Essa é a não proprietária”, define. 

Ele conta ter mudado de ideia quando lançou o reality musical Fama (2002). Percebi que conseguia colocar no sábado à tarde músicas que não tocavam há 30 anos na TV, como Romaria e Roda Viva. A garotada aprendia e cantava”, relembra. “Era uma criação proprietária. Você via o cara aprendendo a interpretar aquela música.” 

A partir daí retomou o Som Brasil. “O programa era como lavanderia chinesa, tinha uma fachada. Havia um grande nome da música e três lançamentos. Foram quase 200 cantores de grupos que nunca tinham feito TV. A música é commodity, o sucesso tem de ser ‘comoditizado’ e ser acessível às massas. O diferencial é um biscoito fino que você também pode oferecer às massas.”

Ainda este mês, , no dia 14, será exibido o Sintonize, gravado em Goiânia, em que cantores sertanejos novos e experientes soltam a voz em hits do gênero. “Você constrói o repertório nos sucesso no sing along, aquela bolinha que vai acompanhando a letra. Hoje, pergunto para minha equipe qual o coeficiente de ‘singalongabilidade’ da música’. Se o público não souber cantar junto, complica”, revela. 

Luiz Gleiser vai dirigir o especial de Roberto Carlos, no ar dia 23, que manterá a estrutura dos anos anteriores. “Frank Sinatra era assim. É parte da lógica. Ele vai abrir com Emoções e terminar com Jesus Cristo. Isso tem dado certo. Tem coisa que é melhor não mudar, as pessoas precisam se reconhecer. Isso é necessário em toda obra de arte.”

Este ano, o Rei cantará em idiomas como espanhol e hebraico e vai dividir o microfone com Alcione, Alexandre Nero, Sophie Charlotte e fazer um número de dança com Glória Maria. O foco será na carreira internacional de Roberto, com imagens atuais e de arquivo, como o festival de San Remo de 1968, onde ele foi campeão. “Vamos começar por Nova York e terminar na Urca.”

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