Globo escala nativa da web para Copa do Twitter

Nascido na geração internet, ele instiga torcida virtual a dar pitaco e a produzir vídeos

Cristina Padiglione, de O Estado de S. Paulo

29 Maio 2010 | 16h00

Bastam 140 caracteres. Viva o twitter: e-mail inspira ‘teses de doutorado’, diz Tiago

 

Era vaga única na agenda de Tiago Leifert: quarta-feira, 16h30, e o moço da Copa na Globo vem ao nosso encontro no saguão do edifício plantado na sede da emissora em São Paulo, no Brooklin, mesmo bairro onde nasceu e mora. De calça jeans, blusa vermelha e tênis, nada de figurino especial para foto.

 

Escalado para ancorar o Central da Copa, programa que alinhavará todas as informações e comentários sobre o mundial da África do Sul dos estúdios da Globo no Rio, antes, depois e nos intervalos dos jogos, além de um balanço diário no Jornal da Globo, Tiago sai de casa com a mesma roupa que aparece na tela. A duas semanas do início do mundial, tem trabalhado até 14 horas por dia. "Nem videogame jogo mais", contou. A seguir, um resumo da nossa prosa com o rapaz que aboliu o teleprompter do Globo Esporte para fazer jus à informalidade que tanto encanta o espectador.

 

Por que o Central da Copa não será feito da África?

Tem a questão do fuso horário e da segurança, mas embora a Copa seja lá, a torcida vai estar aqui. A impressão que o Brasil vai causar ou não vai ser aqui. Teremos três jogos por dia na primeira fase, às 8h30, 11h e 15h30. O Lacombe (Luís Ernesto) faz o Central para os jogos das 8h30 e das 11, Eu faço o das 15h30 e o programa que vai entrar no Jornal da Globo. Nos dias de jogo do Brasil, esse programa cresce muito, ganha quase uma hora, com análises e todos os lances.

 

Vocês estudam a performance dos times, treinam a pronúncia dos nomes dos jogadores?

A gente costuma pedir ajuda para os consulados para entender e treinar todas as pronúncias. Ainda não fizemos isso, mas vamos fazer. Agora, sobre conhecer as outras seleções, o problema não é o grupo do Brasil. A diferença é saber bastante de Argélia X Eslovênia, por exemplo, porque vamos estar nos 64 jogos. Naquele pré-jogo de Argélia e Eslovênia, tenho de dizer: ‘você que está ligado na Globo, assista Argélia e Eslovênia...’ e achar coisas legais, que atraiam a atenção do público. Em jogo do Brasil isso é fácil.

 

Vocês são cobrados pela audiência a criticar o Dunga. Até que ponto podemos esperar uma visão crítica da Globo, principal detentora dos direitos de transmissão, à seleção?

No caso do Dunga, muita gente não gostou (da escalação). Eu, particularmente, achei que ele devia ter levado o cara do Santos, o Paulo Henrique. Pra mim foi o único erro dele. De resto, dá pra entender, é uma seleção boa, forte pra caramba. Só que a gente já falou, naquela semana, e já morreu. Senão a coisa fica chata, ranzinza. Já reclamamos, agora é torcer.

 

Há uma orientação para evitar críticas à seleção?

Nenhuma. Muito pelo contrário. A gente vai estar aqui e tem obrigação de refletir o que as pessoas estão falando de forma saudável. Se o povo estiver gostando, não tem porquê falar mal. Se não gostarem, temos que falar isso. Vai ter público no estúdio exatamente pra isso.

 

Como vai funcionar isso?

Cabem 60 pessoas no estúdio, a gente vai fazer uma amostragem legal, de mulheres, homens, crianças. Queremos muito o pessoal de faculdade, mas a ideia é ter comentaristas de qualquer profissão. Vamos chamar de ‘área técnica’.

 

Como a primeira Copa do twitter e o avanço no número de internautas afetará a cobertura?

Vamos receber muitos vídeos de YouTube, mas pouca coisa vai emplacar. O bom é que como nunca houve uma Copa com tanto acesso a informação, qualquer briga, assalto, desabamento a gente vai ver porque alguém vai gravar. Fora isso, teremos as ferramentas participativas, o twitter e o skype. O twitter é extremamente útil porque se você cria um e-mail, as pessoas se sentem obrigadas a escrever teses de doutorado e não dá tempo. No twitter, é só ‘gostei’, ‘não gostei’, ‘o melhor em campo foi tal’. O endereço já está criado: @centraldacopa.

 

E o que já é piada pronta para esta Copa?

Eu já tenho várias, mas não vou falar, senão vão roubar de mim. Se você olhar uniforme, escalação, ih, já acha um monte de coisas muito boas.

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