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Globo descarta metas de audiência

Diretor-geral da emissora cria fóruns de reflexão para incentivar criatividade e ‘arriscar’, a fim de valorizar o conteúdo

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2014 | 13h10

Ciente de que a TV paga está crescendo e que a Globo tem reduzido sua fatia porcentual no bolo televisivo, Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da emissora há um ano e quatro meses, disse que não vai estabelecer metas de audiência para a programação que vem aí.

“A consistência do produto é o ponto de partida, um programa tem que ter relevância, tem que ser interessante.” Segundo esse raciocínio, a audiência é uma consequência, não uma meta. “É como você ser técnico de um time de futebol e dizer que quer que ele ganhe de 4 a 2 do adversário: isso não funciona. Se o time jogar bem, provavelmente será vencedor. Um conteúdo forte garante a audiência”, acredita, sem descartar a competitividade de cada produto. Mas, “o desejo de audiência não pode ser meta”, insistiu, mesmo considerando que o custo do espaço comercial seja determinado a partir dos números no Ibope.

Ontem, um dia após apresentar a nova programação da Globo, com a realização do show Vem Aí, exibido ontem à noite, Schroder recebeu um pequeno grupo de jornalistas na sede da emissora. Antes de responder a qualquer pergunta, enfatizou a importância da nova logomarca da casa, cuja criação, assinada por Hans Donner, pode ser considerada um primeiro passo nas comemorações do cinquentenário do canal, efeméride a ser comemorada em 2015 e que motivará calendário especial.

O novo símbolo entra no ar oficialmente domingo, no Fantástico, e implica a troca das canoplas de microfones de mais de 650 equipes de reportagem, assim como as marcas estampadas nos carros de reportagem.

Ao ressaltar que sua gestão vem valorizando a criatividade, acima da importância dada à audiência, sem receio de arriscar novas ideias, Schroder pergunta a uma jornalista à mesa: “Por exemplo, a novela das 6 (Meu Pedacinho de Chão), você acha que vai ter audiência?” Ao que ela diz: “Sinceramente? Acho que não.” Ele não se acanha. Reforça que o investimento em um novo conceito é importante para o horário. “Fazemos pesquisas constantes para perceber a adequação da grade à demanda do público em cada horário”, diz. A inversão de horário entre a Sessão da Tarde e o Vale a Pena ver de Novo, emendou, é resultado de um trabalho de pesquisas. “Temos de ter a percepção do que o público quer.”

Disposto a incentivar um ambiente criativo, o diretor criou fóruns de reflexão em cinco segmentos: séries, novelas, humor, variedades (auditório) e novos formatos. Os times se reúnem semanalmente para discutir novas tendências e o que parece estar funcionando ou não. O momento vivido pela emissora, que na semana que vem lança um programa de humor onde será capaz de rir de si mesma, passa por essas rodas. O time que compõe o fórum de humor, aliás, é formado por Fábio Porchat, Guel Arraes, Cláudio Manoel, Maurício Farias, Marcelo Adnet, Bruno Mazzeo, Cláudio Paiva e Jorge Fernando. Só o grupo de novelas ainda não começou a funcionar.

A decisão de quebrar velhos tabus não se esgota no beijo gay que selou o final da última novela das 9. Em Tá no Ar: A TV na TV, que estreia na próxima quinta, a emissora volta a satirizar comerciais, por exemplo, algo que não fazia desde o TV Pirata. “Queremos incentivar um ambiente criativo, abrir nosso portfólio, surpreender o público.”

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