Divulgação
Divulgação
Imagem Cristina Padiglione
Colunista
Cristina Padiglione
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Globo começa a licenciar projetos para TV paga

Estrelada pelo ator Edson Celulari, série 'O Animal', para o canal GNT, inaugura modelo de produção

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2014 | 21h13

Contratado pela TV Globo, Edson Celulari começa a gravar agora O Animal, série de TV para outro canal, o GNT, da Globosat. Mais adiante, Leandra Leal, também atriz da casa, poderá ter sua primeira experiência na direção de TV no set de A Idade Perigosa, outra série para o GNT.

Aos olhos do telespectador, em geral, pode até parecer que Globo, Globosat e Globo Filmes estão todos sob o mesmo teto, mas não é assim. Braços das Organizações Globo, cada um administra seu quintal, seus egos e funcionários. A abertura do banco de elenco da TV Globo, principal vitrine do grupo, a outras plataformas da família – vide TV paga, cinema e web – é iniciativa recente que só agora começa a sair do papel.

Lançado no ano passado pelo novo diretor-geral da TV Globo, Carlos Henrique Schroder, o plano de derrubar paredes entre TV aberta, TV fechada, cinema e web, aproveitando os talentos que fazem a fama da empresa, foi confiado a Guilherme Bokel, que acumula 35 anos de Globo e boa experiência nas coproduções da casa no exterior. O objetivo é aproveitar em outras mídias, sempre em parceria com produtoras independentes, as ideias que acabam perdendo a vez na concorrida grade da emissora aberta.

A princípio, houve quem suspeitasse que a Globo quisesse ocupar um espaço que tem se ampliado para a produção independente brasileira, aquecida pela demanda de programas nacionais na TV paga, graças às cotas exigidas pela Lei 12.485. É como se todos então tivessem de se submeter ao crivo da Globo.

“Ficou esse mal estar no início, eu sei, mas visitei muitas produtoras pra explicar que eles não são obrigados a trazer o projeto pra cá”, disse Bokel ao Estado, em entrevista em seu gabinete na TV Globo, no Leblon. “Não somos um filtro. Somos parceiros. A TV Globo tem uma quantidade enorme de criadores, entre autores, atores e diretores, que querem espaço para suas ideias. Esse é um dos objetivos do projeto: dar a eles uma oportunidade de experimentar fora da grade da TV Globo, que é finita nos seus horários e na forma de programas, uma vez que é uma televisão aberta e tem que atender a um público familiar.”

Ao abrir novas fronteiras de criação, a direção da emissora espera estimular seus artistas e evitar que o engavetamento de projetos leve gente boa para outros canais ou mesmo para uma zona de conforto que conspira contra a inovação.

Segundo Bokel, o GShow, novo site de entretenimento da Globo na web, tem sido alvo de cobiça para web séries e projetos de todos os autores jovens da casa. Os títulos que lhe chegam são sempre discutidos em fóruns com Mônica Albuquerque, responsável pela avaliação de futuras produções da Globo, Manoel Martins, diretor de entretenimento da casa, e Schroder, o diretor-geral. Caso o grupo chegue à conclusão de que o título deve permanecer na tela da Globo, ele não sai de casa.

“Não levo nada para os canais Globosat sem ter passado por uma prévia aqui na TV Globo. A gente fez um arranjo em que a DAA (Departamento de Acompanhamento Artístico) funciona como se fosse uma rotunda, onde os projetos ficam circulando, e aí sai pra pista da Globosat, da GloboFilmes ou do Gshow. Vão saindo de acordo com a necessidade de cada canal.”

O sistema vale só para a área de entretenimento e não inclui o uso dos estúdios da Globo. “A capacidade do Projac já está no limite para a televisão aberta”, diz Bokel, que já conversou com mais de 20 produtoras.

O Animal, a primeira série licenciada pela TV Globo para o GNT – e “licenciamento” é o termo usado nessa prática – já estava na gaveta da Globo há algum tempo e foi criada por Paulo Nascimento quando ele estava sob contrato da casa. Agora, Nascimento assina também a direção, como sócio da produtora gaúcha Accorde Filmes, a quem caberá o salário do elenco. Além de Celulari, a produção conta com Cristiana Oliveira, José Vitor Castiel e mais 100 atores. O título remete à teriantropia, doença do protagonista, que se comporta como animais que imagina ser. Toda a produção será rodada em Minas do Camuquã (RS), próximo ao Uruguai.

Já o projeto que aguarda por Leandra Leal, também destinado ao GNT, tem a própria atriz como coautora e versa sobre quatro casais de adolescentes. A Globo colocará sempre um diretor seu para acompanhar o desenvolvimento dos programas, embora a produção seja sempre de fora. Até consolidar o novo sistema, pelos três primeiros anos do sistema, a emissora pretende dispensar o uso de dinheiro público via leis de incentivo.

O mercado está aquecido pela legislação, mas há uma queixa latente pela falta de histórias e roteiristas. “A grande carência é de profissional de criação, não é de produção. Aí está o gargalo desse negócio”, completa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.