National Geographic
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Geoffrey Rush vive Albert Einstein em nova série 'Genius'

Série da National Geographic começa neste domingo, 23

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2017 | 03h00

Olhe aí a foto e diga se Geoffrey Rush não ficou igualzinho a Albert Einstein na série da National Geographic que começa neste domingo, 23. Genius conta a história do físico alemão (1879/1955) em dez capítulos. Numa ‘conference call’, entrevista por telefone com jornalistas do Brasil, Argentina, Colômbia e México, Rush disse que talvez tenha sido o mais difícil papel de sua luminosa carreira. Citou Schopenhauer – “Talento é aquilo que pouca gente tem, ou alcança. Gênio é o que nem se vê, só se sabe que existe.” E Einstein era um.

Quando criança e pré-adolescente, Rush disse que queria ser astrônomo. Eram os anos da corrida espacial. “Tinha minha coleção de How and Why (Como e Por que?), sabia tudo de planetas e estrelas. Cheguei a fazer matemática avançada, física e um pouco de química pensando nessa carreira, mas aí descobri o centro de arte dramática da escola e tudo mudou.” Mesmo assim, ele admite que sempre se interessou por ciência – e permanece um leitor voraz de National Geographic (e riu ao dizer que não era propaganda). O papel lhe foi proposto primeiro como filme, mas depois de idas e vindas o produtor – Ron Howard – decidiu que um longa, mesmo muito longo, não daria conta da vida e das ideias de Einstein. O filme virou série que agora vai estrear no Brasil.

É muito boa, acurada – e Geoffrey Rush está, mais uma vez, extraordinário. Sim, ele viu A Teoria do Amor, de Fred Schepisi, com Meg Ryan e Tim Robbins. Walter Matthau fazia o tio da protagonista, justamente Einstein. Era meio lunático. “Deliciosamente lunático”, diz Rush, que conhece bem o filme, mas não o viu como preparação para o papel. Concorda que o fato de ser uma comédia romântica autorizava a liberdade de tom da direção. Mas conta que um amigo que estudou em Princeton lhe contava histórias divertidas sobre Einstein. “Ele era capaz de ir dar aula de pijama, ou vestindo o sapato da mulher. Chegou a ir uma vez de colar.” Essas excentricidades – e as complicações familiares – humanizaram muito o personagem para ele. 

“Como todo mundo, tinha uma ideia vaga sobre ele. O cara seriíssimo que posou naquela foto mostrando a língua, o gênio que desenvolveu a teoria da relatividade, um dos pilares da física moderna com a mecânica quântica.” Suas pesquisas, e o roteiro, foram revelando um personagem muito mais complexo, e rico. “Einstein foi boêmio na juventude e se rebelou contra o militarismo germânico. Fez oposição a (Adolf) Hitler e conseguiu retirar importantes cientistas da Alemanha nazista. E nada disso impediu que se acomodasse numa vidinha burguesa nos EUA. Só não foi mais feliz porque tinha problemas no casamento, com a mulher e os filhos. A série tenta dar conta de tudo, e eu diria que consegue.”

Justamente a questão científica – Rush seria capaz de nos ministrar uma master class sobre as ideias revolucionárias de Einstein? “Are you kidding? Está brincando comigo? O que estudei alargou, um pouco, o campo do meu conhecimento, mas o mais importante é que me deu convicção para dizer os diálogos com propriedade. Eu não preciso ter o cérebro de Einstein, mas o público tem de acreditar que sim. E quando eu sustento suas ideias na tela, tem de acreditar em mim.” Einstein foi uma celebridade muito popular em seu tempo. “Era chamado popularmente de pai da bomba (atômica), embora não fizesse parte do restrito clube que elaborou o Projeto Manhattan. E isso foi um grande problema para ele, que era um humanista e um pacifista, e teve de conviver com toda a máquina de destruição que sua amada ciência ajudou a desenvolver.”

Rush, de 65 anos – fará 66 em julho –, é um dos raros atores que ostenta a tríplice coroa da interpretação. Ganhou o Oscar, o Emmy e o Tony. E também um monte de Baftas e Globos de Ouro. Fundou a Academia Australiana de Cinema e, em 2012, foi eleito ‘australiano do ano’. Interpretou diversos personagens reais – o pianista David Helfgott (em Shine/Brilhante), Trotsky (Frida), o terapeuta de linguagem e voz Lionel Logue (O Discurso do Rei), Peter Sellers. Acrescenta agora Albert Einstein à sua galeria vencedora. De volta ao começo. Como Rush conseguiu ficar igualzinho a seu biografado? “A maquiagem ajuda, e eu trabalhei muito com o setor de figurino, para que a excentricidade dele ficasse sutil.” No início, a tarefa parecia gigantesca, assustadora. “Foi prazerosa.” Além de Genius, na TV paga, Rush vem aí no novo Piratas do Caribe, A Vingança de Salazar, nos cinemas. E...? “Sorry, mas Mr. Rush só responde a perguntas sobre a série”, corta a assessora.

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