Julinho do Carmo
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Geisy Arruda quer estrear em programa de TV ao lado de namorado

'Rosa Choque' é o nome do piloto que a ex-aluna da Uniban prepara em produtora independente em Fortaleza

Carolina Stanisci, Estadão.edu

17 de janeiro de 2011 | 18h58

Geisy Arruda, de 21 anos, quer voltar à cena com a cor que a tornou famosa. Ela acaba de chegar de Fortaleza, onde gravou o piloto de um programa de TV, Rosa Choque, em uma produtora independente. A ideia é que vá ao ar pela afiliada da Record na cidade, mas nada ainda está decidido. “Foi tudo feito por mim: os quadros, os roteiros”, afirma. No programa, ela terá a companhia do namorado que conheceu num programa de TV, o humorista Aluisio Junior.

A ex-estudante de Turismo da Uniban viu sua vida mudar radicalmente no ano passado. Famosa após o assédio violento de centenas de estudantes da universidade em outubro de 2009, Geisy (não necessariamente nessa ordem) fez cirurgia plástica, posou nua, lançou uma biografia, Vestida para Causar, participou do reality show A Fazenda, fez curso de teatro, participou de muitos programas de variedade – e conseguiu comprar um apartamento de cobertura para os pais, em Santo André.

Geisy, enfim, virou notícia, e seu nome a todo momento está nos Trending Topics (TTs) do Twitter, onde ela tem muitos perfis falsos. “Eram mais de 30 quando escrevi o livro”, lembra seu biógrafo, o jornalista Fabiano Rampazzo.

 

Em um almoço no restaurante Famiglia Mancini, na Rua Avanhandava, endereço escolhido pela sua praticidade – ela mora em uma quitinete na rua –, ela revela à Reportagem que já pensou em fazer política, para “ajudar todo mundo”. Disse também que nunca mais vai pisar no programa de TV Super Pop, por ter sido destratada pela apresentadora, Luciana Gimenez. “Ela ficou me perguntando se eu iria posar nua, eu disse que não sabia. Ela ficou insistindo, queria saber como eu pagaria o meu cabeleireiro, as unhas.”

 

Sobre o episódio da Uniban, Geisy pondera: “O meu objetivo, que era as pessoas discutirem o meu caso, eu consegui”. Para quem não lembra o que aconteceu: ela chegou à universidade no dia 22 de outubro trajando um mini vestido rosa, centenas de alunos a assediaram e xingaram, e ela teve de sair do local escoltada pela PM; em seguida, a faculdade a expulsou e a readmitiu. Geisy abandonou o curso e conta que, em parte, o trauma passou. Ela ganhou em primeira instância uma ação de indenização contra a instituição.

 

No seu perfil real do Twitter, @geisyarrudareal, a moça deixa um recado: “Sou Geisy Arruda, fui humilhada, passei por uma série de problemas e consegui dar a voltar por cima e mostrar meu valor. O retrato da mulher brasileira”.

 

Leia os principais trechos da entrevista abaixo e veja o vídeo com a entrevista com o biógrafo de Geisy, Fabiano Rampazzo.

 

 

Semana passada tentei falar com você, mas não consegui. Você estava viajando?

Estava em Fortaleza, gravando o piloto do meu programa de TV.

 

Que programa?

O Rosa Choque. Se Deus quiser entra no ar ainda este semestre, pela afiliada da Record lá.

 

Como será o programa?

Não posso ainda falar muito. É tipo humor, tem uns quadros engraçados. Foi tudo feito por mim, o roteiro, os quadros.

 

Você dá muito autógrafo na rua?

Muito, muita gente. Principalmente crianças, elas adoram (quando Geisy está saindo do restaurante, uma senhora a chama e a apresenta a toda a família). Uma vez paguei um taxista com uma Sexy autografada.

 

Parece que você faz muito sucesso com os gays e com algumas mulheres também...

É, meu melhor amigo, o Dudu, é gay. Meus cabeleireiros, o pessoal todo é gay. Às vezes eles fazem o cabelo e a maquiagem e dormem lá em casa.

A mídia te maltratou em alguns momentos. Como você reagiu?

Aprendi a apanhar e ficar quieta. É difícil eu deixar uma notinha me abalar. Se sai uma nota negativa sobre mim, mando para a imprensa duas positivas. É o que os jornalistas querem, né? Só prometi, e jurei em rede nacional, que não piso mais no programa da Luciana Gimenez (Super Pop). Quando fui lá, ela ficava me perguntando se eu iria posar nua, eu disse que não sabia. Ela ficou insistindo, queria saber como eu pagaria o cabeleireiro, as unhas. Fiquei meio quieta lá.

A descrição do que aconteceu na Uniban, no livro, é mais forte do que apareceu por aí na imprensa. Você sente alguma mágoa, hoje, com a universidade que te expulsou?

Sinto que houve justiça, até certo ponto (para ela a indenização de R$ 40 mil foi insuficiente, por isso recorreu). Consegui meu objetivo, que as pessoas discutissem meu caso. Eu estava na fazenda (reality da TV Record A Fazenda) quando ganhei. A gente recorreu. Mas é bom o fato de eu ganhar a primeira batalha.

Você chegou a fazer um curso de teatro. Pensa em voltar a estudar?

Parei por causa de A Fazenda. Depois vejo isso.

Logo depois do episódio da Uniban, você fingia ser sua irmã, Jennifer, uma espécie de assessora de imprensa. Já pensou em cursar Jornalismo?

Já, só que no momento não vou conseguir me doar. O jornalismo foi muito importante pra mim. Os jornalistas me fizeram. Se estou onde estou, é graças a vocês.

Você é muito vaidosa. Dava para manter a vaidade quando participou de A Fazenda?

Acordava às 6h para fazer a pele. Precisava fazer a pele. Fazia chapinha também.

E política, já te passou pela cabeça se candidatar?

Já. Já fui procurada por uns partidos. Mas não quero fazer nada agora, não. É uma porta para abrir mais para frente. Quero ajudar as pessoas, até porque eu virei referência de bullying no País.

 

Ajudar quem?

Ué, todo mundo, né? Quero ajudar todo mundo.

 

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Atualizada às 12h06.

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