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'Game of Thrones': diretor explica como fez 70 cavalos parecerem 3 mil em 'Batalha dos Bastardos'

Miguel Sapochnik, que começou a trabalhar em ‘Game of Thrones’ na 5ª temporada, fala sobre seus desafios

Entrevista com

Miguel Sapochnik

Jeremy Egner, THE NEW YORK TIMES

03 de setembro de 2016 | 16h00

O diretor britânico Miguel Sapochnik só começou a trabalhar em Game of Thrones na quinta temporada, mas desde a época dirigiu vários dos melhores episódios da série. Que incluem Hardhome, com o ataque dos zumbis, na quinta temporada, e os dois últimos episódios da temporada final que redefiniram a série e combinaram cenas épicas com momentos indeléveis. 

The Battle of the Bastards, penúltimo episódio da sexta temporada, tem um eletrizante ataque de dragões e um excitante choque militar. Conhecedor de batalhas históricas e também de filmes como Ran, de Akira Kurosawa, a sequência foi bem complicada de filmar. Mas valeu o esforço. O episódio deu a Sapochnik sua primeira indicação para o Emmy.

Ele não dirige nenhum episódio da próxima temporada. “Estou descansando um pouco, mas espero retornar”, disse ele, em Vancouver, onde trabalha em Altered Carbon, série de ficção científica da Netflix. Abaixo trechos da entrevista.

Você entrou na série na 5ª temporada. Qual a pior coisa quando se dirige uma série com um roteiro e estilo já estabelecidos?

Quando cheguei, quis saber qual era a fórmula no caso. Havia um enfoque tradicional e outro muito realista, embora se trate de uma fantasia. Faz parte da função do roteirista apresentar um mundo com elementos fantásticos, mas não fazendo disso uma grande questão. 

Como assim?

Você não poderia realizar Hardhome sem uma câmera portátil. Não tínhamos tempo para gravar uma série dessa magnitude sem ter a liberdade de circular com uma câmera e ter uma certa flexibilidade e, também, do ponto de vista criativo, contribuir para dar uma sensação de caos. 

Você disse que foi a coisa mais logisticamente complicada em que já trabalhou. Por quê?

Havia um aspecto simples, mas bem complicado, que era o fato de nossa iluminação ser a luz do sol. Assim, a direção em que você filma pela manhã é oposta à tarde e tivemos de mudar o horário para nos adaptarmos. Às vezes, começamos pelo fim de uma sequência. 

Acha que esses desafios sempre melhoram o resultado final?

Pelo menos 50% das vezes, sim. O exemplo que sempre lembro é a sequência em que Jon Snow é atacado pela própria tropa e tem aquele momento em que ele morre e ressuscita. Chovia muito e a o local ficou inundado, com lama. Para concluir a sequência, tive que mudar o roteiro e gravar em outro lugar. Acabou sendo um momento muito pessoal para Jon Snow no meio de todo aquele caos. 

Qual foi a coisa mais difícil que lhe pediram para descrever?

Ter 3 mil cavalos se trombando, especialmente quando descobrimos que os cavalos não podiam se tocar. É ilegal, é uma norma de proteção dos animais. Assim, o que tentaríamos fazer não era permitido. E tínhamos somente 70 cavalos.

Qual foi a solução?

Havia uma pessoa no enquadramento e então o cavaleiro puxa o cavalo, o que significa que o animal cai e deita de lado. Mais tarde, digitalmente, sobrepusemos outros cavalos e fizemos com que parecesse igual ao que tinha ocorrido com o cavalo ao vivo. Duas pessoas enrolavam uma corda nas duas pernas da frente do animal, que caía sem dificuldade numa base de palha macia. Mas cavalos são inteligentes e depois de um tempo não colaboraram mais.

Com o que foi mais difícil lidar: cavalos ou dragões?

Felizmente, não havia dragões ali. No set, o dragão é basicamente um mastro verde de 4 m, que depois é transformado digitalmente no animal. Todo mundo adora cavalos, mas já vimos algum antes, então não é assim tão emocionante.

Que cena o deixou mais satisfeito?

Gostei de filmar Emilia Clarke e Peter Dinklage no fim de Winds of Winter. A sensação foi de que conseguimos fazer algo que era visual, mas também uma cena muito íntima entre duas pessoas.

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