Gabriela Duarte volta à TV na novela 'Orgulho e Paixão', inspirada na obra de Jane Austen

Gabriela Duarte volta à TV na novela 'Orgulho e Paixão', inspirada na obra de Jane Austen

Após temporada de dois anos nos EUA, a atriz vive a rígida Julieta, no novo folhetim das 6, que estreia nesta terça, 20, na Globo

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 06h01

Gabriela Duarte está de volta à TV. Depois de dois anos morando em Nova York, com o marido, o fotógrafo Jairo Goldflus, e os dois filhos, a atriz paulista de 43 anos se dedica novamente a uma novela inteira, o que ela não fazia desde Passione (2010). Sua mais recente aparição na televisão havia sido em A Lei do Amor, de 2016, fazendo participação especial na primeira fase da trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari. Agora, Gabriela integra o grande rol de personagens femininos da nova novela das 6, Orgulho e Paixão, de Marcos Bernstein, com direção artística de Fred Mayrink, que estreia nesta terça, 20, na Globo. 

Livremente inspirado na obra da escritora Jane Austen, de Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, só para citar alguns dos livros mais populares da autora inglesa – e que, inclusive, viraram filmes –, o folhetim de Bernstein se situa no Brasil do início do século 20. Gabriela interpreta Julieta Bittencourt, uma mulher rígida, que, sozinha, ergueu seu império e criou o filho, Camilo (Maurício Destri). 

“Naquele momento, ela se fez profissionalmente sozinha, embora as pessoas achem que ela herdou tudo do marido, porque é viúva. Existe uma crença da sociedade de que ela é a rainha do café por causa do marido, e o público vai descobrindo, ao longo desses primeiros capítulos, que não, que ela construiu o que tem com seu esforço”, conta Gabriela, ao Estado. “Então, é uma mulher que já tem uma força, que tem de brigar naquele tempo em que era tudo tão difícil para a mulher. E continua sendo, mas imagina naquela época, quando ela tinha de lutar contra o peso daquele patriarcado?”

Rígida, ama o filho, mas não consegue demonstrar seu carinho por ele. Para Gabriela, defensora de sua personagem, a amargura de Julieta tem origem em seu passado sofrido. Por isso, não a vê como vilã, diferentemente da sócia de Julieta, a dissimulada Susana (Alessandra Negrini). “Não acho que a Julieta seja vilã. Não é uma defesa minha da personagem, o público vai enxergar que ela tem seus motivos. Ela foi abusada moralmente, sexualmente, foi maltratada pela vida, foi vítima de um estupro (pelo marido), esse filho foi fruto de um estupro. Então, isso dá para ela um lugar da frieza.” 

A parceria de Julieta e Susana, aliás, promete movimentar a trama. “Assumidamente, a vilã é a Susana”, afirma. “A Susana, que é a grande aliada de Julieta, seria, por uma questão social da época, a dama de companhia – mulher viúva, naquela época, tinha que ter a companhia de outras mulheres. E Julieta viu nela uma aliada profissional, que não tem escrúpulos. Então, digo que Julieta bola tudo, faz tudo de forma legal, mas, o trabalho sujo, ela deixa para Susana.” Isso faz de Julieta, portanto, a cérebro dessa dupla? “É, talvez ela seja”, responde a atriz. “Mas, em nenhum momento, ela pede ou sugere que a Susana aja de determinada forma. O método que a Susana vai usar não é discutido por elas. Julieta só dá ordem.”

Gabriela, ao lado de Alessandra Negrini, faz parte da linha de frente das personagens femininas da história, da qual fazem parte também as cinco irmãs da família Benedito, a mãe delas, Ofélia (Vera Holtz), e a amiga do clã, Ema (Agatha Moreira). Por coincidência, ou não, atualmente, as mulheres estão numa corrente de sororidade, de união. “Não acho nem que seja uma coincidência, acho que é um tema superatual, uma novela feminina que fala de mulheres fortes, que estão começando a entender que podem ser donas de suas vidas”, avalia Gabriela. “Imagina hoje que a gente continua na luta. São conquistas que estão acontecendo diariamente. A gente passou a vida ouvindo que não podia. Talvez esteja na hora de entender que sim, que pode, não precisa depender de ninguém para conquistar o próprio sonho, seja ele do tamanho que for.” 

Mãe e filha. Gabriela conta que soube de Julieta quando estava se preparando para retornar ao Brasil após a temporada nos EUA – que, segundo ela, fez parte de um projeto pessoal deles, “de estreitar laços, um contando com o outro”. Ela já tinha morado nos EUA; o marido, em Israel. Mas foi a primeira fez deles nessa configuração familiar morando fora do Brasil. “A gente acha que isso para criança é muito rico. Plantar uma semente, para eles viveram uma realidade diferente. E deixar eles escolherem o que quiserem fazer, viver, ser.”

A família está de volta à rotina, em São Paulo, mas as gravações de Orgulho e Paixão ocorrem no Rio. É de lá que Gabriela fala ao Estado por telefone. Estava na casa da mãe, a atriz Regina Duarte, que se despediu de sua personagem, Madame Lucerne, da novela das 6 anterior, Tempo de Amar, que chegou ao final na segunda, 19. Agora, Regina passa o bastão para a filha no horário. “A gente convivia um pouco entre o início da minha novela e final da dela. Para mim, é um pouco triste, porque era uma oportunidade de a gente conviver mais do que a gente convive, no dia a dia. Agora ela está voltando para São Paulo”, lamenta. “Mas a vida da gente sempre foi assim.”

 

Admirador da obra da  escritora inglesa, autor Marcos Bernstein fala das personagens femininas de seu folhetim

Autor de Orgulho e Paixão, Marcos Bernstein diz que sempre admirou o universo da escritora Jane Austen. “As tramas, de um modo geral, não são tão complexas, como de um Alexandre Dumas. No caso dela, é muito por esse olhar para aquela época, para aquelas relações humanas; um olhar crítico, aguçado sobre essas convenções sociais, de como as mulheres lidavam com isso”, conta Bernstein. 

Era uma atmosfera que já estava em seu radar há muito tempo. “Achei que tinha muito a ver com esse perfil de novela das 6.” Mas as personagens de Austen não são transportadas de maneira literal para a telinha. Tanto que Orgulho e Paixão, que estreia nesta terça-feira, 20, na Globo, se passa no Brasil, em 1910, com figurinos e cenografia impecáveis. “Parte disso, e daí temos que criar o nosso universo, a nossa novela, num formato muito diferente das coisas que já foram feitas a partir dos livros dela”, explica o autor. “A gente trouxe para o País, para a época dos barões do café em São Paulo.”

Mesclando romance e comédia, a novela tem como ponto de partida central a família Benedito, liderada pela matriarca, Ofélia (Vera Holtz), que sonha em ver suas cinco filhas (bem) casadas: Elisabeta (Nathalia Dill), Mariana (Chandelly Braz), Jane (Pamela Tomé), Cecília (Ana Júlia Dorigon), e Lídia (Bruna Griphão). E, mesmo a contragosto do marido, Felisberto (Tato Gabus Mendes), Ofélia não mede esforços – e trapalhadas – para conseguir bons pretendentes para elas.

Mas nem todas elas sonham em se casar: caso de Elisabeta, dona de um temperamento forte – e de suas próprias opiniões. “Minha ideia não é transplantar as questões contemporâneas para o passado, mas, de alguma maneira, espelhá-las: a partir das questões da época em que a novela se passa, também discutir questões faladas hoje em dia”, diz ele. “(A Elisabeta) não é uma personagem oficialmente engajada, mas quer fazer as coisas que ela acha que tem direito de fazer, e a partir disso os conflitos vão surgir.”

Também integram o elenco Thiago Lacerda, como Darcy (por quem Elisabeta se apaixona); Tarcísio Meira, como Lorde Williamson; entre outros. Além de Ofélia, o lado cômico da novela é garantido também com Grace Gianoukas, como Petúlia, a governanta da vilã Susana (Alessandra Negrini). “Buscamos leveza em toda a novela, e tem humor, romance, momentos de choro, mas não daquele drama pesado. É da emoção, dos acontecimentos da vida.”

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