Francisco Bosco e Heloísa Starling estreiam o programa ‘Filosofia e Música’

Francisco Bosco e Heloísa Starling estreiam o programa ‘Filosofia e Música’

A partir desta sexta, 14, atração exibida no canal Arte 1 revela os bastidores das canções; Lenine, Tom Zé, Marina Lima e Nando Reis são os convidados

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2018 | 03h00

A partir desta sexta, 14, vamos ter ideia do que alguns músicos pensaram ao compor determinadas obras. Essas revelações serão feitas pelo filósofo Francisco Bosco e pela historiadora Heloísa Starling, que comandam a série Filosofia e Música, que estreia às 19h no Canal Arte 1. Nesta primeira temporada, que terá quatro episódios, os convidados são Lenine, Tom Zé, Marina Lima e Nando Reis, que cantam e falam de suas composições. Para elucidar melhor o formato do programa, Francisco Bosco respondeu a algumas questões.

Como é essa busca pela relação das músicas/letras com os pensamentos de algum filósofo?

Foi mais precisamente um trabalho de identificar, nas canções, questões filosóficas, isto é, temas que foram discutidos pela tradição filosófica. Em alguns casos foi bem simples, porque a obra do cancionista gira muito em torno daquele problema. Como no caso das canções de Marina Lima com seu parceiro (e irmão) filósofo Antonio Cicero, onde aparece sempre o tema do sentido da época moderna. Ou no caso de Tom Zé, um autodenominado “anticancionista”, mas cuja canção talvez mais popular versa sobre a felicidade (Vai).

As letras analisadas fazem reflexão sobre temas diversos, têm algo em comum entre elas? 

Não, trata-se de quatro obras muito distintas entre si. Nando Reis escreve muito sobre o amor, as relações pessoais (como em All Star, sobre a sua amizade com Cassia Eller), em registro mais íntimo. Marina Lima conta com os versos concisos, elegantes, a um tempo profundos e superficiais, de Antonio Cicero. Já Tom Zé tem aquele humor e inventividade extraordinários. Lenine trabalha com diversos parceiros, as letras com frequência são caudalosas e muito ricas.

Como foi ouvir dos autores as explicações sobre as músicas?

Na verdade, não penso que um autor possa “explicar” sua música. Uma canção, como qualquer obra, é uma máquina de signos independentemente das intenções e da guarda do autor. (Isso explica, diga-se de passagem, por que um autor poderia perfeitamente tirar nota baixa numa prova sobre interpretação de uma obra sua.) O que fizemos no programa foi conversar sobre temas que consideramos interessantes (o medo, a amizade, a modernidade, a inspiração, a felicidade, o humor), mostrar um pouco como esses temas foram tratados por grandes filósofos, e revelar o que esses compositores (Marina, Tom Zé, Nando Reis e Lenine) pensam sobre esses temas.

Como é feita essa análise? Vocês partem de onde: da letra, do papo como músico?

Esse trabalho foi feito por mim e pela historiadora Heloísa Starling, que concebeu o projeto e é debatedora em todos os programas. Heloísa desde o início tinha alguns temas que queria explorar, e pesquisou os compositores que tratavam deles. Eu fiz o percurso contrário: ouvi as obras e identifiquei nelas outros temas que propus tratarmos.

Parece que o programa suscita um bom papo. Conseguiram aprofundar os temas?

Eu gosto da sua definição de “bom papo”. É uma conversa, na minha opinião, interessante, mas sem ser enfadonha. O programa segue o espírito de “gaia ciência” da canção popular brasileira, como a definiu José Miguel Wisnik: buscamos um equilíbrio entre leveza e densidade. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.