Marcio de Souza/Divulgação
Marcio de Souza/Divulgação

Forno, fogão e confusão

Mais do que meras coadjuvantes, domésticas como a Cida, de Viver a Vida, incendeiam as novelas

Patrícia Villalba,

13 Fevereiro 2010 | 16h00

Ascensão social é isso: numa novela, empregada doméstica; na outra, patroa e, com sorte, estrela nacional. Engraçadas como a Sheila (Priscila Marinho) de Caminho das Índias, fofoqueiras feito a Célia (Fabiana Carla) de Mulheres Apaixonadas ou mesmo maquiavélicas como a Juliana (Marília Pêra) de O Primo Basílio, as domésticas da ficção são garantia de sucesso.

 

"Muitas personagens de humor deram às empregadas uma característica deliciosa", observa o autor de Poder Paralelo (Record), Lauro César Munis, ressaltando que o papel, claro, precisa ir além do entra-e-sai silencioso. "A empregada protótipo fica à mercê de todos os personagens, tentando passar com os olhos alguma inquietação, algum sinal que leve o espectador a pensar: ela sabe todos os segredos."

 

Tiago Santiago, que prepara o remake de Uma Rosa Com Amor, com estreia prevista para 1º de março no SBT, conta que a novela está recheada de personagens desse tipo, mulheres batalhadoras, divertidas e safas. A intenção é que as domésticas sejam protagonistas, não coadjuvantes. "As domésticas são sempre tão fascinantes, que costumo dizer que escrevo pensando nelas", diz.

 

Empregada doméstica é carta versátil na manga de qualquer autor. Mas Manoel Carlos, mais do que isso, parece ter um pó de pirlimpimpim para jogar nas empregadas de suas novelas - é só ver a projeção que a Ritinha de Laços de Família deu a Juliana Paes.

 

Desconhecida até outro dia, Thaíssa Carvalho já sente o peso de ser uma "empregada do Maneco". Bastou uma chantagem e uma piscadela para a Cida de Viver a Vida ficar famosa, depois de flagrar o patrão, Gustavo (Marcello Airoldi) beijando Malu (Camila Morgado), a prima da patroa. "Na rua, as pessoas dizem ‘você está tirando pouca coisa dele, boba, pede logo uma casa’", diverte-se a atriz ao Estado. "Na minha cabeça, a Cida é uma atriz. Ela faz aquele jogo com o Gustavo porque sabe que vai funcionar, interpreta o sexy da forma mais clichê do mundo."

 

Cida segue a linha das "empregadas bonitonas", mas tem ainda um tempero divertido. Oportunidade e tanto para Thaíssa que vinha batalhando por um papel até no restaurante do Projac, da Globo. "Fiz faculdade de nutrição para me garantir. Na hora de fazer estágio, consegui uma vaga no restaurante da emissora", conta a atriz. "Lá, fiz contatos e fiquei sabendo dos testes. Participei de Alma Gêmea e cheguei a pintar o cabelo para ser a empregada da Maya em Caminho das Índias, mas acabou não dando certo. A gente recebe muito mais não do que sim."

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