'Fiquei feliz por dar beijos na boca'

Ator festeja aceitação de seu mocinho em Duas Caras e prepara-se para novo seriado

Shaonny Takaiama, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2008 | 22h53

Lázaro Ramos é a típica pessoa inquieta. Enquanto se dedicava a dar vida ao Evilásio, da novela Duas Caras, gravou, nos intervalos do expediente para o folhetim, 22 episódios da terceira temporada do Espelho, programa de diversidade e cultura negra que apresenta e dirige para o Canal Brasil (segunda-feira, 21h30). Prestes a dar adeus a Evilásio, o ator faz ao Estado um balanço de seu mocinho e fala sobre as expectativas para a série Ó, Paí, Ó, derivada do filme, que começa a gravar em junho.Que balanço você faz nessa reta final de Duas Caras ?Foi uma novela que levantou muitas questões. Fiquei feliz por tratar desses assuntos e também por fazer um herói romântico, que eu nunca tinha exercitado, por poder dar uns beijos na boca e falar ?eu te amo?. Pela primeira vez numa novela eu tive uma família completa. Isso foi muito bacana.O Evilásio passeou por um tema polêmico...Sim, e com o Juvenal também. Falar sobre o poder e que tipo de líder nós queremos, acho que a batalha com o Juvenal se tratava disso. Ao contrário do Foguinho, que era bastante dúbio, o Evilásio é um mocinho unilateral. Seu personagem não te frustra nesse sentido?Não. Eu via um outro lado nele. O Evilásio demorou muito tempo ali na aba daquele padrinho. Ele mostrou um pouco de machismo também. Não é um personagem extremado, mas não é absolutamente maniqueísta. Pra mim, como ator, que sempre fiz personagens anti-heróis, fazer um personagem honesto foi um exercício ótimo. Nas últimas novelas, o que o público estava valorizando? Era a Bia Falcão, o Foguinho, a Bebel e o Olavo. Esse personagem conseguiu o afeto do público mesmo sendo honesto.Se todos os personagens nessa novela têm uma segunda cara, qual é a outra face do Evilásio?Acho que para um herói romântico, o Evilásio às vezes é muito cabeça dura. E essa também é uma qualidade dele, porque ele é firme nos seus princípios.Quando você recebeu a sinopse, esperava que o Evilásio pudesse ter uma grande mudança ?Olha, sabe que não? Quando entrei eu disse: ?O exercício é esse. É fazer um cara que é honesto, é o herói romântico e é apaixonado?. Entrei nessa viagem aí e não tive outra expectativa. Às vezes tem cenas em que digo: ?Gente, olha isso que esse cara tá falando, será que ele não tem dúvida disso??Como foi a mudança de Foguinho para Evilásio ?Foi boa, porque, às vezes, é ruim ficar fazendo um mesmo tipo de papel. Foi um privilégio logo após o Foguinho investirem em mim em um personagem que não era cômico nem anti-herói.Ao longo da novela, como foi a manifestação do público em relação ao Evilásio ?No começo, o que me surpreendeu foram as pessoas me dizendo: ?Nossa, que gato!? Porque o Foguinho era uma bagaceira, né? Aquele cara com aquele bigode horroroso e de repente eu tô aqui, sem camisa, negro gato. Aí eu saía na rua e o pessoal: ?Que abdome!? (risos). E depois as reações eram sempre assim: ?Fica com a Júlia, vocês formam um casal lindo!? E o casal deu tão certo no início que não se separou mais.

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