HBO via AP
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Final de ‘Game of Thrones’ valoriza trama, mas deixa sensação de falta

Longe no volumoso imaginário e um tanto breve em diálogos. despedida da série acaba dividindo opiniões

Hank Sutever  , WASHINGTON POST

20 de maio de 2019 | 21h52

Menos um final e mais como uma liquidação na qual outros 10% foram retirados de um estoque já reduzido de expectativas, a série Game of Thrones, da HBO, foi embora com um final nobre e talvez anticlimático no domingo, 19. Foi tudo que ninguém queria, mas ainda assim foi uma coisa e tanto: narrativamente simétrica e suficientemente pungente. Foi longe no volumoso imaginário e um tanto breve em diálogos. E, salvo pela morte de Daenerys, a Rainha Dragão (esfaqueada no coração por seu amante/sobrinho, Jon Snow), e a ascensão de Bran sem derramamento de sangue para governar Westeros, o final teve um menor número de personagens principais mortos do que alguns espectadores poderiam desejar. Foi um confronto final que acabou num grande suspiro.

Como a maior parte dessa oitava e última temporada, foi como se os criadores David Benioff e D.B. Weiss tivessem finalmente se rendido ao tamanho da história que eles se propuseram a contar em 2011. Navegando com bravura, mas cegamente após o material organizado para eles nos romances de fantasia de George R.R. Martin, os últimos seis episódios reconheceram principalmente que Game of Thrones talvez jamais venha a ser inteiramente silenciado – a não ser pelo autor dos livros. É provável que você já esteja ciente da insatisfação com a conclusão. São muitas as queixas e análises e há também petição exigindo (exigindo!) que a oitava temporada seja anulada e refeita. De certa forma, GoT tornou-se tão popular que fez com que alguns de seus espectadores parecessem fora de contato com a própria vida.

Isso só pode acontecer quando amamos um pouco demais nossa cultura popular, cruzando uma linha de investimento pessoal, esquecendo quando um programa de TV é apenas isso. Estou feliz por algum herói não identificado ter deixado um copo de café no episódio de 5 de maio. Aquele copo lembrou-nos que um programa de TV, por mais atraente que seja, é um trabalho que alguém é contratado para fazer, para que uma assinatura da HBO possa ser vendida. 

Mas afinal, como tudo terminou? O que se esperava: Daenerys, outrora tão amada e pela qual se torcia – a ponto de os fãs de TV no mundo real começarem a dar seu nome a meninas em sua homenagem, acabou sendo uma tirana. Depois que seu último dragão cuspidor de fogo tostasse a população de King’s Landing no genocídio da semana passada, ela começou a jorrar seus planos ideologicamente sombrios para Westeros. Jon precisou matá-la, e ele o fez. Seu enlutado dragão voou carregando seu corpo em suas garras.

Os senhores e damas restantes que governam os sete reinos de Westeros se reuniram para decidir o que viria a seguir: Um novo rei? Uma nova rainha? Talvez o povo pudesse eleger seu próprio líder, sugeriu Samwell Tarly. Poupado da execução por trair Daenerys, cabia a Tyrion Lannister – a alma e a consciência da série – sugerir que o adolescente paraplégico Bran Stark, que vê e sabe todas as coisas, graças ao fato de ser o Corvo de Três Olhos, se tornasse o novo rei.

Por ter assassinado a Rainha Dragão e fazer um enorme favor a todos, Jon foi “castigado” por ser enviado para o distante norte, para mais uma vez servir com a Patrulha da Noite. Sansa Stark anunciou que governaria Winterfell como sua nação, fazendo de Westeros uma terra de 6 reinos em vez de 7. E Arya Stark, que matou o Rei da Noite no 3.º (e melhor) episódio desta temporada, decidiu se tornar exploradora e velejar para o oeste, em um território inexplorado. 

Mas o verdadeiro fim veio no início do episódio de domingo, quando Tyrion alertou o conselho sobre a escolha de seu novo líder, bem como sobre a escolha de seu futuro. “O que une as pessoas?” Tyrion perguntou. “Exércitos? Ouro?” Nada disso. “Histórias”, continuou ele. “Não há nada no mundo mais poderoso que uma boa história. Nada pode parar isso. Nenhum inimigo pode derrotá-la.”

Histórias significam mais do que qualquer outra coisa. É por isso que ficamos viciados nelas. Foi assim que Game of Thrones ficou fora de controle, mas também foi assim que deslizou de volta à Terra. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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