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Filme ‘Icebox’ mostra o drama de crianças detidas nos EUA

Para o diretor, o sueco Daniel Sawka, longa é sobre o ponto de vista humano, não político da situação

Pedro Rocha, Especial para O Estado de S. Paulo

03 de fevereiro de 2019 | 03h00

Na luta dos imigrantes latinos para entrar ilegalmente nos Estados Unidos, muitas crianças tentam atravessar sozinhas ou acabam se perdendo dos pais. O destino, muitas vezes, são abrigos mantidos pelo governo norte-americano. 

O drama dessas crianças é retratado fielmente em Icebox, da HBO. Dirigido pelo sueco Daniel Sawka, o filme traz o jovem Oscar (Anthony Gonzalez), de 12 anos, que precisa fugir de Honduras por estar sendo perseguido por uma gangue local. 

A família do garoto não tem condições de viajar com ele, e manda o garoto sozinho para a fronteira dos EUA. Do outro lado, há um tio esperando por ele. No caminho, Oscar fica para trás e é detido pela polícia de fronteira. É quando ele vai parar no abrigo especial para crianças, um ambiente quase carcerário e extremamente frio – de onde vem o título do filme, “caixa de gelo”. 

“Um dos problemas é que quase ninguém tem acesso a esses abrigos, nem os congressistas americanos”, relata Daniel, que fez o filme a partir de depoimentos que colheu de imigrantes. “Desde o início, tentamos ter acesso, mas nos disseram que não haveria chances.”

Inicialmente, Sawka começou a colher depoimentos ainda em 2014, quando iniciou a produção de um curta que serviu como seu trabalho de conclusão de curso da faculdade. Depois de pronto, o filme abriu as portas para uma parceria com a HBO, que se interessou em produzir um longa-metragem sobre o tema. 

A história de Oscar, de acordo com Sawka, não retrata nenhum personagem real específico, mas reúne um pouco dos vários depoimentos que ouviu. “Todo o filme é baseado em diferentes histórias, não apenas numa única pessoa. Foram ideias que surgiram ao ouvir sobre o que muitos desses imigrantes passaram”, relata. “Fiquei emocionado em ver como todos eram receptivos para falar sobre suas histórias, sou muito grato a todos que compartilharam suas experiências de vida.” 

Todo o filme é centrado no ponto de vista de Oscar, o que exigiu um intenso trabalho do jovem ator norte-americano Anthony Gonzalez, conhecido por ter emprestado sua voz para o protagonista da animação musical da Disney/Pixar Viva - A Vida é uma Festa (2017). “Ele é absolutamente fantástico, começamos a trabalhar juntos quando ele tinha 10 anos, hoje está com 14. Tem sido incrível vê-lo crescer como artista”, elogia. 

Para o cineasta, mesmo com a pouca idade, Gonzalez sempre se comportou como um ator experiente. “Ele é muito maduro como ator, se você pede para ele mostrar uma emoção, ele se entrega 100%”, afirma. “O vi como um ator profissional desde o início.”

Pelo fato de a história ser centrada no drama de uma criança, a esperança de Sawka é que o filme ultrapasse as barreiras das discussões políticas sobre o tema da imigração, sendo visto pelo lado humano. “Estamos numa situação muito difícil agora, as pessoas estão muito divididas e está difícil se comunicar num aspecto político”, acredita o cineasta. “Ajudar crianças em necessidade é algo básico. (O filme) é uma jornada que não é sobre estatísticas ou um ponto de vista político, e sim sobre o que muitas crianças passam.”

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