Sergei Bachlakov/Lifetime
Sergei Bachlakov/Lifetime

Filme 'Harry & Meghan' tem muito a dizer sobre as brigas da família real – e os perversos tabloides

'Harry & Meghan: Escaping the Palace' é uma produção do canal Lifetime

Emily Yahr, The Washington Post

09 de setembro de 2021 | 12h00

Em uma cena inicial do novo filme da Lifetime, Harry & Meghan: Escaping the Palace, os príncipes William e Harry discutem sobre o racismo que a esposa de Harry, a Duquesa Meghan, está sofrendo como uma mulher birracial nas mãos da imprensa britânica – e, às vezes, por parte de membros de sua própria família.

“A causa dos problemas não é a cor, é cultural”, William (Jordan Whalen) diz a Harry (Jordan Dean). “Meg é americana. Ela age muito mais como celebridade do que como membro da realeza, e parece não perceber a diferença”. Em certo momento, ele refere-se ao casal como “o cara mais consciente do mundo e sua noiva feminista”.

Embora seja uma das diversas passagens do filme em que William diminui a dor que Harry e Meghan (Sydney Morton) estão sentindo, os produtores executivos dizem que não estavam tentando transformar William e sua esposa, a Duquesa Catherine (Laura Mitchell) nos vilões da história. Quando Meghan diz a Catherine que se sente silenciada porque o palácio a proíbe de responder aos ataques dos tabloides, Catherine diz: "Como americana, você valoriza a liberdade e o individualismo acima de tudo. Aqui valorizamos a dignidade acima de tudo”.

“Se existe um vilão da história, eles são a imprensa e ‘A Firma’, que são realmente quem está por trás dos bastidores da família real”, disse a produtora executiva Merideth Finn, referindo-se ao apelido para o palácio enquanto instituição. “As pessoas nascidas nessa família estão em uma situação impossível. Eles realmente não têm escolhas… A intenção nunca foi que William parecesse um vilão, foi mais vê-lo como uma pessoa em uma espécie de conflito impossível”.

Escaping the Palace, que foi ao ar na segunda, 6, à noite, é o terceiro filme da Lifetime com Harry e Meghan como tema. O primeiro, em 2018,  foi focado em seu romance; a sequência, no ano seguinte, mostrou Meghan adaptando-se à vida no palácio. Este relata os acontecimentos que levaram o casal a “recuar” enquanto membros seniores da realeza, em janeiro de 2020, e mudarem para a América do Norte – assim como as consequências espinhosas.

O filme, cuidadoso em demonstrar que certos diálogos e personagens foram ficcionais, utilizou muitos incidentes da vida real: Finn e a produtora executiva Michele Weiss mantiveram um arquivo no Google com as inúmeras notícias sobre o casal. Elas começaram a trabalhar no roteiro muito antes do começo das filmagens no ano passado, passando por diversos rascunhos enquanto os eventos continuavam acontecendo, como por exemplo a bombástica entrevista para Oprah Winfrey em março.  

E sim, elas ficaram tão espantadas com as descobertas (os pensamentos suicidas de Meghan; um membro da família real se perguntando sobre o tom escuro da pele de seu filho Archie) como o restante das pessoas. “Acompanhamos a história tão de perto que nada nos chocava – mas foi chocante que eles, de fato, tenham dito tudo isso”, disse Weiss.

O público que ocasionalmente acompanha a realeza provavelmente reconhecerá as bases do filme, como a tensa relação entre William e Harry. Os que acompanham a realeza de perto vão lembrar-se de outros detalhes que entraram no roteiro, como Meghan sendo criticada por sua colaboração com a Vogue britânica (o assunto foi considerado muito “político”) e cometendo uma gafe aparentemente imperdoável ao utilizar muitos emojis em mensagens de texto.

Embora os diálogos e as cenas tenham sido fortemente ficcionalizados, o tema central do filme é aquele que todos que acompanham a saga essencialmente já sabem: o palácio quer ficar neutro a qualquer custo. Eles preferem ficar calados, mesmo diante da cobertura brutal da imprensa. Mas isso não funcionaria para Meghan e Harry, especialmente quando as histórias dos tabloides pioraram e a saúde mental do casal foi abalada – particularmente levando em conta o trágico destino da Princesa Diana, mãe de William e Harry.

“Harry tem certeza que sua mãe foi perseguida pelos paparazzi literalmente até a morte e ele não quer o mesmo para sua esposa,” disse Weiss. “Grande parte da imprensa culpou Meghan (pela mudança para os Estados Unidos) mas quando você realmente escuta o que eles estão dizendo, parece que Harry foi a força por trás disso por conta dessa preocupação”.

Finn e Weiss esperam que os espectadores entendam a natureza complexa da situação, enquanto enfatizam terem empatia por todos os envolvidos – até pelos secretários de imprensa da realeza que podem, ou não, terem sido responsáveis por alguns vazamentos para a mídia. Mas elas também querem que as pessoas reflitam sobre a realeza enquanto instituição.

“Estamos vivendo um momento em que as pessoas estão olhando com mais profundidade para qualquer tipo de construção parecida com um conto de fadas, então é uma boa hora para virar o conceito de cabeça para baixo”, Finn disse. “É uma discussão fascinante... algumas pessoas estão tão agarradas à ideia de como as coisas “deveriam ser” e devem ser, e outras estão lutando pela mudança.” /TRADUÇÃO DE LÍVIA BUELONI GONÇALVES

 

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