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Filme ‘Compartilhar’ analisa reação das redes a casos de abuso sexual

Em 'Compartilhar', que estreia na segunda, 5, na HBO, a roteirista e diretora Pippa Bianco reflete sobre a reação das pessoas na internet diante da violência sofrida pela personagem Mandy

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

02 de agosto de 2019 | 03h00

Cannes - A vida de um adolescente nunca foi fácil. Mas os teens de hoje, criados com redes sociais e câmeras nos celulares, enfrentam desafios que outras gerações não tiveram. O filme Compartilhar, premiado em Sundance, que estreia na HBO na segunda, 5, às 22h, fala disso. Mandy (Rhianne Barreto) é alertada sobre um vídeo circulando na internet em que está inconsciente, com a calça meio abaixada. Ser filmada nessa situação já seria devastador, mas, para piorar, ela não se lembra do que aconteceu. 

A roteirista e diretora Pippa Bianco tinha feito um curta sobre o tema quatro anos atrás. “Na época, acharam que o filme não era crível, que estava exagerando”, lembrou Bianco em entrevista ao Estado durante o Festival de Cannes. “Mas agora estamos cansados de ouvir sobre esses casos.”

O que Compartilhar faz é reverter a expectativa sobre a reação de Mandy ao acontecido. Ela não sai buscando justiça. Só quer saber a verdade. Seu desapontamento é que nenhuma das pessoas presentes, seus amigos, está disposta a ajudá-la. “Todos acham que só há um jeito de reagir a um abuso”, disse Bianco. “Que a pessoa tem de ir à polícia, tornar-se ativista, e que a comunidade tem direito a essa resposta de quem sofreu o abuso e, se não acontece, a pessoa é julgada por isso.”

Seu interesse em como consumimos imagens de violência explícita começou anos atrás. “No Facebook, você vai topar com alguma imagem dessas. Mas qual a utilidade de consumir essas imagens?”, questionou Bianco. Ao filmar, ela teve esse cuidado. O vídeo, por exemplo, mostra apenas o necessário para o espectador entender o drama de Mandy. 

“Quando se trata de violência, especialmente sexual, acho difícil não ficar parecendo pornografia. Mesmo que seja ultraviolento. Então era fundamental que o espectador estivesse sempre com Mandy, mas que sua dor não fosse produto de consumo.”

Mesmo que pouco seja exibido, a atriz inglesa Rhianne Barreto teve dificuldade com as cenas. “Não sei quando estou atuando. Quando vejo aquele vídeo, meu cérebro acredita que passei por aquilo. E isso me ajuda como atriz, mas precisei de um tempo para me recuperar depois da filmagem.” 

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