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Filha de brasileira, Barbie Ferreira diz que temia ser a 'gordinha feia', na série 'Euphoria'

A HBO já anunciou que a produção terá uma segunda temporada; veja trailer

Alicia Civita, EFE

15 de julho de 2019 | 11h23

Os sonhos da modelo e atriz americana Barbie Ferreira, uma das estrelas de Euphoria, popular série da HBO, estão se tornando realidade sem que ela precise deixar de ser ela mesma, a filha de uma imigrante brasileira de Nova Jersey que não vê problemas em corpos mais robustos.

"Quando era pequena sonhava em atuar, mas pensava que teria que perder muitíssimo peso ou ninguém me levaria a sério", lembrou a atriz, de 22 anos, em entrevista à Agência Efe, enquanto comemorava em Miami a decisão da HBO de renovar a série para uma segunda temporada.

"Eu temia que, se conseguisse, sempre ficaria com os papéis da melhor amiga engraçada (da protagonista), que é gordinha e feia", declarou.

Sua personagem em Euphoria, na qual trabalha com a cantora e atriz Zendaya, está longe do estereotipado papel reservado para as atrizes fora do arquétipo de beleza de Hollywood: Kat Fernández é uma jovem com inseguranças sobre seu corpo e seu peso que vai encontrando seu poder através de internet.

"Me inspirei para interpretá-la na minha adolescência. Como todo mundo, tinha muitas inseguranças", destacou. Mesmo assim, o único conselho que daria a si mesma nessa época é simples: "Se cuide".

"Há muitas poucas coisas que alguém de 16 anos pode aprender dos demais sem ter de vivê-las", refletiu. "O mais importante é que faça o que necessite para aprender a gostar de si mesmo, mas sempre protegendo-se de algo irreversível".

Euphoria é o terceiro projeto como atriz de Barbie Ferreira, que, como Kat, deu seus primeiros passos na internet. Aos 13 anos, começou a publicar vídeos dela mesma no Tumblr e cinco anos depois chamou atenção de uma marca de roupa para a qual trabalhava em uma de suas lojas.

A empresa a contratou como modelo da sua linha de lingerie e suas imagens sem retoques se tornaram virais. O sucesso da campanha a colocou na lista de 100 adolescentes mais influentes de 2016 da revista Time, na qual foi reconhecida por seus esforços no movimento "Body Positive", que promove a aceitação e o amor a todo tipo de corpo.

Ferreira, que se recusa a ser definida como uma ativista e recusou propostas de marcas que se focam em mulheres gordas, lançou ainda uma série de vídeos com a revista Vice.

Com o nome de "How to behave" (Como se comportar), Ferreira dá conselhos a meninas sobre como comportar-se consigo mesmas em temas como maquiagem, moda, sexo, relações com a família e pessoas tóxicas.

"Eu cresci em uma casa brasileira onde só havia mulheres. Zero energia masculina", afirmou a jovem, que viveu até o ano passado, quando se mudou para Los Angeles, com sua mãe e sua avó em Nova Jersey.

"Minha mãe é uma mulher que ama a si mesma, diz que é bonita, que é extrovertida e não tem problemas em dizer o que pensa", elogiou. "Os brasileiros têm menos questões com seus corpos. Lá a nudez não é um problema. Você vai à praia e vê todo tipo de gente com trajes de banho pequenos".

Ao crescer, se deu conta que a mulher na sociedade americana recebe mensagens muito diferentes. "Nos dizem que temos que ser tranquilas, caladas, mesuradas", disse, destacando que é algo que se chocava com o que tinham lhe ensinado e decidiu que, qualquer que fosse seu caminho, "tentaria combinar o melhor dos dois mundos".

O sucesso de "Euphoria" a deixa emocionada: "É incrível estar em um projeto no qual os adolescentes não caem dentro dos típicos arquétipos. Todos são complexos, com problemas reais e atuais", disse.

Nesse sentido, destacou inclusive que a série lhe serve como uma espécie de terapia, para revisar questões da sua adolescência nas quais não gosta de pensar, "mas que são importantes".

 

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