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Festival traz Maya Goetz, especialista em mídia infantil

Ela fala sobre as diretrizes do conteúdo para crianças no ComKids, que começa esta semana, em São Paulo

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 05h00

Reduzida na TV comercial aberta e expandida para a TV fechada, a produção audiovisual infantil lidera, com folga, a audiência da TV paga e ainda justifica o caráter de TV pública para algumas emissoras. Mas o que se pode chamar de útil à fantasia da criança, nesse mar de criaturas, cores e valores, ainda é discutível. Como parte do 7º Festival ComKids - Prix Jeunesse Ibero-americano, que vai de sexta, dia 14, ao dia 23 deste mês, em São Paulo, com exibição de conteúdo infantil audiovisual e interativo, mostra competitiva e seminários, a alemã Maya Goetz, diretora da Fundação Prix Jeunesse e do Instituto Central Internacional para a Juventude e Televisão Educativa, ministra o workshop Histórias fortes para crianças fortes. Será no dia 22, no Sesc Consolação - a programação (www.comkids.com.br) inclui ainda Instituto Goethe, Espaço Itaú e Sesc Consolação.

“As crianças estão crescendo em uma sociedade em que a mídia exerce um importante papel na vida da família”, disse Maya ao Estado, em entrevista por e-mail. “As telenovelas são a maior atração no Brasil, como uma parte de integração da vida de toda família - e elas têm o seu valor especial. Crianças se divertem com esses eventos familiares, mas, ao mesmo tempo, as telenovelas não foram feitas para crianças. Elas não tratam das necessidades das crianças e não respondem às questões que a criança têm em mente. As crianças têm que desenvolver as suas identidades”, diz. “Infelizmente”, continua Maya, “não há muitos desses shows centrados em crianças que sejam feitos no seu próprio país na programação atual.”

Reconhecendo que a proteção à criança impõe restrições à publicidade infantil, o que de alguma forma inibe o investimento de canais comerciais na área, Maya estende a questão: “A verdade é que os serviços públicos ou a TV estatal estão sob pressão na maioria dos países”. “Infelizmente, alguns países perderam essa oportunidade. Esperançosamente, o Brasil está fazendo uma pequena curva aqui e entende que a TV infantil é um valor público único e muito importante.”

“Crianças têm que aprender como lidar com o mundo comercial, mas a TV deveria também oferecer espaço onde alguém realmente se importasse com elas, e não com os bolsos de seus pais.” E se um programa infantil já não nasce sem um plano para aplicativos ou sites paralelos na web, tudo bem. “A essência é e continuará a ser conteúdo.”

O workshop de Maya é baseado em mais de 21 estudos conduzimos nos últimos 12 anos sobre como as crianças usam os personagens de TV para trabalhar suas identidades. “Especialmente quando elas atravessam um momento duro, como a separação dos pais, quando têm problemas na escola ou com seus amigos, elas usam a fantasia para construir histórias para ficar mentalmente saudável e desenvolver uma perspectiva futura. As gerações anteriores fizeram isso com livros ou contação de histórias. Por essa razão, histórias e personagens são muito importantes, podem promover o desenvolvimento, mas também impedir a criança de ver sua própria força.” 

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Como bons exemplos recentes da produção latino-americana de TV para menores, Maya cita Pedro e Bianca, da TV Cultura, que ganhou o Prix Jeunesse International 2014 na categoria de 12 a 15 anos. “O Brasil deu um exemplo de como se pode abordar temas de identidade de uma maneira muito profunda, única e leve. Pedro e Bianca é um dos meus exemplos favoritos de como falar de perda e amor da família e como aceitar um ao outro”. Os brasileiros, afirma a educadora, têm uma “maneira única de ver o mundo: nós temos que ver isso!”, encerra. 


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