Fernanda, nossa querida amiga

Iraci, coroa que adora dançar é a personagem dela na minissérie de Maria Adelaide Amaral

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2008 | 00h05

"Minha geração é a da música latina - mambo, bolero, conga. Depois vieram o chachacha e o twist. Até o twist ainda arrisquei, depois parei." Quem fala é Fernanda Montenegro, a grande dama da interpretação no País - número um no teatro, cinema e televisão -, que precisou voltar às aulas de dança (com Carlinhos de Jesus) para fazer sua personagem na minissérie Queridos Amigos, de Maria Adelaide Amaral. Em dezembro - no ano passado! -, quando esteve na cidade para promover o lançamento de seu filme estrangeiro, O Amor nos Tempos do Cólera, adaptado do romance do Prêmio Nobel Gabriel García Márquez, Fernanda comentou do seu entusiasmo por participar da nova minissérie da autora de Um Só Coração."A gente tem uma tradição de falar muito e muitas vezes não dizer nada. Somos um País muito verborrágico e o bom da Maria Adelaide é que ela é contida. Escreve só o necessário. Nos textos dela não existe gordura, nada supérfluo." Há duas semanas, Fernanda imaginava que começaria logo a gravar Queridos Amigos. "Denise Saraceni é uma diretora muito meticulosa, que gosta de preparar bem os atores. É muito comum com a Denise a gente ensaiar como se fosse para teatro."As aulas de dança faziam parte da preparação, porque Iraci, a personagem de Fernanda, é uma mulher que adora dançar. Só que passaram as festas de fim de ano - o Natal e o ano novo - e Fernanda ainda continua esperando o início das gravações de sua personagem.Queridos Amigos tem estréia anunciada para 18 de fevereiro. A data tem sido anunciada pela própria Globo, inclusive em publicações impressas como o Estado, onde saiu nesta semana um anúncio com foto dos principais personagens reunidos. Depois de contar, em A Casa de Sete Mulheres, a história da Revolução Farroupilha por meio de um romance envolvendo uma de suas figuras emblemáticas - o italiano Giuseppe Garibaldi -, e de revisar o modernismo paulista em Um Só Coração, Maria Adelaide Amaral volta-se agora para os anos de chumbo da ditadura militar, contando as histórias destes guerrilheiros e guerrilheiras que combateram o regime. Não foi uma fase fácil da vida do País nem dessas pessoas. Muitas carregaram cicatrizes pela vida afora e é um pouco sobre isso que Maria Adelaide fala - nós que amávamos tanto a revolução.De todas as suas minisséries, talvez seja a mais "geracional", no sentido de que a autora está falando dos sonhos e fracassos de sua geração. Iraci, a personagem de Fernanda Montenegro, é uma viúva, funcionária pública aposentada, que adora dançar. Mulher extrovertida e exuberante, ela tem um amante, com o qual, no entanto, não quer compromisso. Iraci vive dizendo a Alberto, o Betão (que será interpretado por Juca de Oliveira), que o casamento é o túmulo do amor e, tanto isto é verdade, que ele é casado e busca satisfação na relação extraconjugal com ela. Iraci poderia aproveitar mais a vida, mas ela carrega um ônus. É mãe de Bia, ex-presa política, torturada nos porões da ditadura. Bia nunca conseguiu superar completamente a experiência. Não tem emprego. Depende da mãe.Bia é Denise Fraga e a minissérie, como diz Fernanda, vai reunir os melhores atores desta geração que está hoje batendo nos 50 anos. Ela considera muito positiva a atitude de Iraci, que continua querendo ter uma vida na terceira idade. "Não estamos inventando nada, Maria Adelaide nem eu. A gente está simplesmente dando voz, e vida, a uma temática que está aí."

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