FABIO MOTTA | ESTADÃO CONTEÚDO
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Fábio Assunção retorna confiante a uma novela após 7 anos

Aos 44 anos, o ator e diretor vive um momento singular com a estreia 'Totalmente Demais'

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2015 | 06h00

Aos 44 anos, o ator e diretor Fábio Assunção vive um momento singular – nesta segunda-feira, 9, estreia Totalmente Demais, nova novela das 19h da Globo. O folhetim de Rosane Svartman e Paulo Halm marca seu retorno ao formato, depois de sete anos afastado. O motivo não o constrange (tratou de uma dependência de drogas), mas o assunto é considerado encerrado por ele. Mas, durante o período, não ficou parado – ao contrário, desenvolveu qualidades que julgava desconhecidas.

Como praticar o humor no papel de Jorge no seriado Tapas & Beijos, que ficou cinco anos no ar até encerrar uma bem-sucedida carreira em setembro. Fábio também revelou-se um excelente diretor teatral em montagens como Expresso do Pôr do Sol (2012) e Dias de Vinho e Rosas (2015). Se há alguns anos, os pessimistas apostavam na derrocada do jovem galã, a experiência, essa negociação consciente entre o eu e o mundo, revelou-se uma característica irredutível da vida de Fábio, que comprovou não haver experiência mais intensa do que a arte.

“Comemoro 25 anos de carreira e não vou festejar apenas com a volta às novelas”, conta ele ao Estado, em uma entrevista realizada por Skype. Foi um pedido do ator que, mesmo no Rio de Janeiro, preferiu uma conversa olho no olho. Com isso, foi possível notar uma espécie de graça natural, uma elegância simples, uma presença firme mas discreta. E seus olhos azuis se fixam no interlocutor de tal maneira que era impossível olhar para outro lugar enquanto falava.

Assim, os festejos incluem, além da novela, a possibilidade de montar Dias de Vinho e Rosas no Rio e também a expectativa da estreia do filme A Magia do Mundo Quebrado, de José Eduardo Belmonte, em que encena ao lado do filho João, de 12 anos. E, de quebra, já prepara a produção de Sexo e Amizade, monólogo inspirado no texto de André Sant’Anna, produção que deverá ser dirigida por Otávio Müller. “Ainda estou receoso de atuar sozinho, mas Otávio jura que será o grande papel da minha carreira”, diverte-se.

A segurança é agora sua maior virtude. Fábio conta que o retorno à rotina maluca de se gravar um folhetim não foi pesada – por causa do problema de saúde, ele não pôde participar de Negócio da China, em 2008, e Insensato Coração, de 2010, apesar de estar previamente escalado.

“No último mês de gravação do Tapas, começamos uma preparação para a novela, que conta com 30, até 40 atores”, lembra. “Não participei de todas as etapas por causa do seriado, mas isso possibilitou que o elenco se conhecesse melhor. Já participei de várias novelas (essa é a 15.ª), mas o diretor Luiz Henrique Rios revelou-se um grande agregador, o que ajudou a aquecer as relações. Tanto que vamos estrear na segunda-feira com 30 capítulos gravados.”

Em Totalmente Demais, Fábio interpreta Arthur, um bon vivant dono de uma agência de modelos. Ele está envolvido há dez anos com Carolina, diretora de redação de uma famosa revista de moda (chamada Totalmente Demais), vivida por Juliana Paes. Em eterna disputa, vão firmar uma aposta da pesada: ele jura que consegue transformar uma menina comum (Marina Ruy Barbosa) em top model, algo semelhante ao enredo do clássico musical My Fair Lady. Ela duvida. O derrotado terá motivos para se lamentar: Arthur perderá sua agência, enquanto Carolina abandonará o posto de comandante superpoderosa.

“Não sou um ator que estuda em detalhes as características de seu personagem antes do início das gravações”, conta Fábio, que rodou suas primeiras cenas na Austrália. “Sou mais intuitivo, não gosto de chegar ao set muito preparado, pois o local da gravação interfere na cena e na relação com o resto do elenco.”

Segundo ele, tal opção pelo acaso o inspira a criar diferentes formas de interpretar com as atrizes. “Com a Juliana, busco brechas para colocar rivalidade, duelo, tesão e humor. Já ao lado da Mariana, a sensação tem de ser diferente, um certo carinho. É o mesmo personagem, mas ele vai se fragmentando e se compondo de várias formas. E isso só funciona em uma novela, que é uma obra aberta – no cinema ou no teatro, o caminho é completamente diferente.”

Em seu currículo, Fábio Assunção soma a participação em 12 filmes e 11 peças. E, ao contrário das produções de TV, habitualmente menos arriscadas do ponto de vista artístico, ele descobriu o palco como o caminho ideal para tornar públicos seus questionamentos humanistas. Foi o que o convenceu a interpretar Oeste, texto claustrofóbico, árido, de Sam Shepard, ou mesmo no intrigante Adultérios, de Woody Allen.

É na direção cênica, no entanto, que Fábio se sente mais desafiado. “Descobri que gosto de dirigir. É uma forma de se estar na obra e, ao mesmo tempo, não estar. O ator está muito exposto, a obra é sentida por ele. Ao dirigir, posso estar em todas as áreas o trabalho e não ser visto.”

Nesse duelo de liberdade, lucidez e escolhas, Fábio Assunção joga tanto com os significados dos textos como com as diferenças que descobriu em seus elencos. Curiosamente, as duas montagem que dirigiu, Expresso do Pôr do Sol e Dias de Vinho e Rosas, têm apenas dois atores em cena. E, em ambas, a importância da liberdade pessoal é o ponto principal. “A liberdade, aliás, é um assunto premente. Cientistas dizem hoje o que se pode ou não comer, são muitas informações a nos guiarem, mas nem sempre para o caminho ideal. É importante ter consciência disso.”

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