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Experimentação narrativa é o forte de 'Legion'

Baseada nos quadrinhos da Marvel, série que estreia dia 9 tem a marca de Noah Hawley, responsável por ‘Fargo’

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

05 de fevereiro de 2017 | 19h03

PASSADENA - Depois de dominar os cinemas, os super-heróis e seus vilões começaram a tomar também a televisão, com produtos mais acessíveis e leves (Agents of S.H.I.E.L.D., Supergirl) e outros mais sombrios e realistas (as parcerias da Marvel com a Netflix, como Demolidor e Luke Cage). Mas na quinta-feira, 9, às 22h30, no canal FX, estreia uma que jura ser diferente: Legion, baseada nos quadrinhos de Chris Claremont e Bill Sienkiewicz da série X-Men e comandada por Noah Hawley (Fargo). É o que promete a produtora Lauren Shuler Donner, experiente no assunto: mulher de Richard Donner (diretor dos clássicos Superman com Chistopher Reeve), que foi fundamental na explosão das adaptações dos quadrinhos para o cinema com a série de filmes X-Men. “Acredite em mim: não vai ser nada parecido com nada que você viu. É uma série revolucionária em muitos aspectos”, disse em entrevista ao Estado em Pasadena, na Califórnia.

De fato, o piloto da série em oito episódios anima, com cenas visualmente elaboradas e influências de Stanley Kubrick, Terrence Malick e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. O protagonista David Haller (Dan Stevens) está internado em um hospital psiquiátrico, diagnosticado com esquizofrenia paranoide. “Li bastante Oliver Sacks e falei com pessoas com essa condição e cuidadores também”, contou Stevens. “Muita gente não tem o diagnóstico correto e tem de viver nessa situação em que não há distinção entre o que é real e o que não é.” A chegada de Syd (Rachel Keller) muda sua perspectiva: os dois se apaixonam, mesmo que ela não permita ser tocada por ninguém. “Estando preso em um hospital psiquiátrico, é preciso ter esperança”, explicou Stevens. “No caso dele, pode ser uma falsa esperança. O amor, claro, tem poder transformativo, mas também provoca uma espécie de loucura. Para David, é ainda pior, algo a mais em uma mente já perturbada.”

A narrativa pula no tempo, mostrando David sendo interrogado depois do desaparecimento de Syd, e também no espaço, já que não dá para saber o que é memória ou delírio do personagem principal. “Temos narrativas fragmentadas, memórias dentro de memórias e um narrador em quem não dá para confiar, em um mundo de fantasia”, disse Donner. Em dado momento, ele passa a ser tratado por uma terapeuta adepta de métodos pouco convencionais, Melanie Bird (Jean Smart). Mas, na verdade, a condição de David é uma mutação. “Em X-Men, todos são incompreendidos, não se encaixam nem são tratados direito pela sociedade”, diz Donner. “David foi empurrado para o lado e colocado em um hospital. Por causa de seus poderes mutantes, disseram que era louco.”

A experimentação narrativa de Legion permite que, de repente, haja um número de dança ao estilo Bollywood. “A série tem espaço para coisas bem malucas, mudanças de estilo e gênero”, disse Dan Stevens. “É um playground de fantasia, na verdade, todos os departamentos estão brincando e testando coisas novas que nunca tinham sido feitas.” O ator, que ficou conhecido por pedir para sair de Downton Abbey, em que interpretava Matthew Crawley, acabou voltando à televisão por ter a sensação de ser algo um pouco ambicioso. A combinação de tantos elementos pode inspirar certo ceticismo, mas faz diferença a assinatura de Noah Hawley. Ele também foi recebido com desconfiança no anúncio de uma série baseada no filme Fargo (1996), dos irmãos Ethan e Joel Coen, vencedor de dois Oscars (roteiro e atriz). E Fargo, a série, tornou-se uma das melhores coisas da televisão nos últimos anos.

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